Se você curte aquele tipo de filme que te deixa colado no sofá, com o coração acelerado e pensando na vida mesmo depois que os créditos sobem, precisa falar sobre Collateral (ou Colateral, como ficou conhecido por aqui). Lembro perfeitamente da primeira vez que assisti a esse suspense policial: a atmosfera de Los Angeles à noite me fisgou de um jeito que poucos filmes conseguiram até hoje. É uma obra-prima que mistura ação cirúrgica com um duelo psicológico brutal.
Vem comigo que vou te
contar por que esse longa marcou época e continua sendo uma referência
obrigatória para quem curte o gênero.
Do que se trata a
história de Collateral?
A premissa é daquelas
que te pegam logo de cara pela simplicidade e pela tensão crescente.
Acompanhamos Max, um taxista focado e sonhador que trabalha no turno da noite
em Los Angeles. Tudo parece mais uma jornada normal até que ele coloca no banco
de trás um sujeito elegante, de terno cinza e cabelos grisalhos, chamado
Vincent.
O cara oferece US$ 600
para Max ser seu motorista particular por algumas paradas durante a noite. O
problema? Vincent é um assassino de aluguel frio e calculista, que está na
cidade para apagar cinco testemunhas de um grande caso federal. A partir do
momento em que o primeiro corpo cai do teto de um prédio exatamente em cima do
táxi, Max se vê preso em um pesadelo urbano, obrigado a dirigir pelo submundo
da cidade enquanto tenta encontrar uma saída para sobreviver.
Quem está por trás
desse clássico lançado em 2004?
Collateral chegou aos cinemas em 2004 e traz a assinatura inconfundível de Michael Mann
na direção. Se você conhece o trabalho dele em Fogo Contra Fogo, sabe que ninguém filma a noite, as
armas e a solidão urbana como esse cara. Mann teve a sacada genial de usar
câmeras digitais de alta definição na época — algo inovador para o período —, o
que deu ao filme um visual cru, realista e quase documental, capturando as
luzes e as sombras de Los Angeles de forma única.
No elenco, temos um
verdadeiro show de atuação. Tom Cruise entrega uma das melhores performances da
sua carreira como o vilão Vincent, deixando de lado o sorriso de galã para dar
vida a um psicopata extremamente pragmático e magnético. Do outro lado, Jamie
Foxx interpreta Max com uma vulnerabilidade absurda, fazendo a gente sentir o
desespero e a evolução do personagem a cada minuto. O trabalho de Foxx foi tão
gigante que rendeu a ele uma indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. O
filme ainda conta com participações certeiras de Jada Pinkett Smith, Mark
Ruffalo e até uma ponta memorável de Javier Bardem.
Quais são as maiores
curiosidades dos bastidores?
Uma das coisas que
mais me impressiona em Collateral
é o nível de preparação que os atores enfrentaram. Para construir o assassino
invisível, Michael Mann fez Tom Cruise trabalhar disfarçado como entregador da
FedEx em Los Angeles. O objetivo era ver se Cruise conseguia entregar pacotes
em locais públicos movimentados sem ser reconhecido por ninguém. E ele
conseguiu.
Além disso, o
treinamento tático de Tom Cruise para o manuseio de armas foi real e intensivo.
Aquela cena clássica no beco, onde Vincent saca a pistola e neutraliza dois
criminosos em poucos segundos, é usada até hoje por instrutores de tiro como
exemplo de técnica perfeita no cinema. Outro detalhe legal é que o roteiro original
de Stuart Beattie previa a história acontecendo em Nova York, mas a mudança
para Los Angeles mudou totalmente a cara do filme, transformando a malha
rodoviária da cidade em um personagem vivo na trama.
Por que a nota no
IMDb reflete a qualidade do filme?
Atualmente, o longa
ostenta uma nota 7,5 no IMDb, uma avaliação muito sólida que faz
total justiça ao peso da obra. Na minha visão, Collateral é um filme que envelheceu como um bom
uísque. Ele não se apoia em efeitos visuais datados, mas sim na força do
roteiro, na construção de tensão e no diálogo afiado entre dois homens com
visões de mundo completamente opostas.
Vincent é o niilismo
puro, o cara que acha que somos apenas poeira no universo e que ninguém se
importa com ninguém. Max é a empatia, o homem comum que valoriza a vida, mas
que precisa acordar do seu marasmo para não morrer. Esse choque de filosofias
dentro de um táxi em movimento é cinema de primeiríssima qualidade. É um
suspense policial de responsabilidade, seco, direto e que entrega um clímax
eletrizante no metrô de Los Angeles. Se você ainda não viu, ou se já faz tempo
desde a última vez, faça um favor a si mesmo e assista neste fim de semana.
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