O Farol (The Lighthouse)

 

Sabe aquele tipo de filme que termina, os créditos começam a subir e você continua encarando a tela, tentando processar o soco que acabou de levar no estômago? Foi exatamente assim que me senti quando assisti a O Farol. Se você curte histórias cruas, que testam os limites da sanidade mental e mostram o lado mais obscuro do isolamento e do ego masculino, esse longa é um prato cheio.

Eu sempre busco produções que fujam do feijão com arroz de Hollywood, e essa obra me pegou de jeito. Vamos trocar uma ideia sobre o que torna esse filme uma verdadeira obra-prima do terror psicológico moderno.

Qual é a história por trás de O Farol?

Para entender o peso dessa produção, a gente precisa olhar para a ficha técnica e a estrutura que sustenta a narrativa. Lançado no ano de lançamento de 2019, o filme tem como título original simplesmente The Lighthouse. A trama se passa no final do século XIX e acompanha dois faroleiros que são deixados em uma ilha isolada e misteriosa na Nova Inglaterra para manter o farol funcionando.

O diretor responsável por essa loucura é Robert Eggers, o mesmo cara que fez o excelente A Bruxa. Ele tem uma obsessão por precisão histórica que dá para sentir em cada frame. O elenco é minimalista, mas carrega o filme nas costas de um jeito absurdo: temos apenas Willem Dafoe, na pele do veterano e autoritário Thomas Wake, e Robert Pattinson, interpretando o jovem e calado Ephraim Winslow.

Atualmente, o filme ostenta uma nota IMDb de 7.4/10, o que é um feito enorme para um filme de nicho, em preto e branco e com uma pegada tão artística.

Onde foi gravado esse pesadelo claustrofóbico?

A atmosfera do filme é um personagem à parte, e isso se deve muito à escolha da locação. Robert Eggers e sua equipe filmaram a maior parte da produção em Cape Forchu, na Nova Escócia, Canadá.

Eles não pegaram leve: o cenário foi construído do zero em um local real, enfrentando ventos brutais, frio congelante e o oceano Atlântico batendo sem dó contra as rochas. Essa escolha realista fez toda a diferença. O cansaço físico e o desconforto que a gente vê no rosto dos atores não são apenas atuação; eles realmente estavam enfrentando a fúria da natureza ali.

Quais são as melhores curiosidades sobre a produção?

Se você é fã de bastidores como eu, a produção de The Lighthouse tem histórias que tornam a experiência de assistir ainda mais bizarra. Separei algumas curiosidades marcantes:

·         O formato de tela: O diretor escolheu usar uma razão de aspecto quase quadrada (1.19:1), que era comum no início do cinema sonoro. Isso faz você se sentir tão encurralado e sem espaço quanto os personagens.

·         Lentes antigas: Para dar aquele visual único, foram usadas lentes originais da década de 1910 e 1930, além de um filtro especial que reage muito mais ao espectro de luz azul, deixando o preto e branco extremamente contrastado e sombrio.

·         Métodos intensos: Robert Pattinson revelou em entrevistas que o clima no set era tão tenso que ele e Willem Dafoe mal se falavam fora das gravações. Pattinson chegou a colocar pedras nos sapatos e dar voltas correndo antes das cenas para ficar fisicamente exausto.

·         A quase briga: Em um momento de bônus, Pattinson admitiu que o nível de estresse físico foi tão alto que ele quase deu um soco no diretor Robert Eggers após gravar uma cena exaustiva debaixo de chuva artificial pesada.

O que torna a crítica desse filme tão impactante?

Pensando agora na crítica da obra, o que mais me impressiona em O Farol é como ele aborda as dinâmicas de poder e a masculinidade tóxica sem precisar de discursos mastigados. É um filme sobre dois homens orgulhosos, trancados em uma rotina brutal de trabalho braçal, álcool barato e segredos enterrados.

A química entre Dafoe e Pattinson é absurda. Dafoe entrega monólogos bíblicos com a força de um capitão baleeiro insano, enquanto Pattinson vai desmoronando aos poucos, entregando uma das melhores atuações da sua carreira. O filme mistura mitologia grega (com referências claras a Prometeu e Proteu), isolamento social e uma pitada de horror cósmico à la H.P. Lovecraft.

Não é um filme fácil, confesso. Ele te arrasta para a lama, te deixa confuso sobre o que é real ou alucinação e termina de forma enigmática. Mas, para quem gosta de cinema cru, visceral e que não tem medo de ser estranho, é uma das experiências mais viscerais da última década.

Se você curte debater teorias sobre cinema e quer entender ainda mais os mistérios que Eggers escondeu nessa ilha isolada, vale a pena se aprofundar nos significados ocultos da trama.

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