O 13º Guerreiro

 

Se você curte aquela mistura bruta de história com um toque de suspense sobrenatural, senta aí. Vamos trocar uma ideia sobre um filme que, para muitos, passou batido na época, mas que hoje é um verdadeiro Cult: O 13º Guerreiro.

Lembro que a primeira vez que assisti, fiquei fascinado pela forma como os vikings foram retratados. Nada de capacetes com chifres ou caricaturas; era algo sujo, realista e intimista.

O que é o filme O 13º Guerreiro?

Lançado em 1999, o filme tem o título original de The 13th Warrior. A trama é baseada no livro "Devoradores de Mortos", de Michael Crichton (o mesmo gênio por trás de Jurassic Park). A história mistura fatos históricos reais — como os manuscritos do viajante Ahmad ibn Fadlan — com a lenda de Beowulf.

O enredo acompanha Ahmed Ibn Fahdlan (Antonio Banderas), um poeta árabe banido de sua terra que acaba se tornando, contra sua vontade, o 13º membro de uma comitiva de guerreiros vikings. Eles partem em uma missão para salvar um reino nórdico de um mal tão antigo e terrível que os locais mal têm coragem de nomear.

Ficha Técnica de Respeito:

  • Diretor: John McTiernan (o cara que nos deu Duro de Matar e O Predador).

  • Elenco: Além do Banderas, temos Vladimir Kulich como o imponente Buliwyf e Diane Venora.

  • Nota IMDb: 6,6/10 (uma nota que, honestamente, não faz justiça ao impacto visual da obra).

Onde foi gravado O 13º Guerreiro?

Diferente do que muitos pensam, as paisagens cinzentas e geladas que vemos na tela não são da Escandinávia. A locação principal foi na Colúmbia Britânica, no Canadá.

A escolha foi certeira. As florestas densas e a névoa constante ajudam a construir aquela atmosfera de opressão e perigo iminente. Você quase consegue sentir o frio e a umidade saindo da TV enquanto os guerreiros cavalgam em direção ao desconhecido.

Quais são as melhores curiosidades sobre a produção?

O filme tem um bastidor tão intenso quanto as batalhas em tela. Separei os pontos que eu acho mais interessantes:

  1. Orçamento Explosivo: O filme foi um dos maiores "fracassos" financeiros da história na época, custando algo em torno de 160 milhões de dólares (corrigidos) e arrecadando bem menos.

  2. Troca de Direção: O clima pesou tanto que Michael Crichton (o autor do livro) assumiu a direção em várias refilmagens após desentendimentos com McTiernan.

  3. Realismo Linguístico: A cena em que o personagem de Banderas aprende a língua nórdica apenas ouvindo os guerreiros ao redor da fogueira é uma das sacadas mais geniais do cinema de aventura.

  4. Aposentadoria Precoce: O ator Omar Sharif ficou tão decepcionado com o resultado final e com o caos na produção que chegou a dar uma pausa na carreira, dizendo que "preferia não fazer nada a fazer filmes ruins".

O filme O 13º Guerreiro vale a pena hoje em dia?

Sendo bem direto com você: com certeza.

Minha crítica é positiva, apesar dos problemas de ritmo que surgem lá pelo terceiro ato. O que torna esse filme especial é a jornada do herói. Não é apenas sobre bater espada com espada; é sobre um homem culto e "civilizado" encontrando respeito e coragem entre homens que vivem pela honra e pelo aço.

O filme entrega uma sensação de camaradagem masculina muito forte. Ver a evolução da relação entre o árabe e os nórdicos é o coração da história. Se você busca uma produção com ótimas cenas de luta, uma trilha sonora épica (de Jerry Goldsmith) e um clima de mistério que te prende até o fim, dê uma chance ao 13º guerreiro.

É um filme de "homem raiz", que valoriza a coragem diante do medo, mas sem precisar de diálogos expositivos ou clichês modernos. É cinema de entretenimento puro e bem feito.



Chaplin

 

Sabe aquele tipo de filme que você assiste e pensa: "Como é que não dão mais valor para os clássicos hoje em dia?" Pois é, faz pouco tempo que resolvi revisitar Chaplin (ou Chaplin, no título original), a cinebiografia de 1992 que tenta dar conta da vida monumental do gênio que criou o Vagabundo.

O filme não é só uma retrospectiva de carreira; é um mergulho na mente de um cara que era perfeccionista ao extremo, amado por milhões, mas que carregava uma melancolia difícil de explicar. Se você curte cinema, história ou apenas uma boa trajetória de superação e polêmica, senta aí que o papo hoje é sobre essa obra do diretor Richard Attenborough.

Por que Robert Downey Jr. deu um show nesse papel?

Antes de virar o Homem de Ferro e o rosto mais conhecido do mundo, o Robert Downey Jr. entregou aqui o que eu considero a atuação da vida dele. Ele não apenas imitou o sotaque ou o jeito de andar; ele incorporou a alma do Charlie Chaplin. Lançado em 1992, o filme consegue equilibrar bem a juventude pobre na Inglaterra e a ascensão meteórica em Hollywood.

O elenco ainda traz nomes de peso como Anthony Hopkins, Kevin Kline e a própria filha do Chaplin, Geraldine Chaplin, interpretando a avó dela. É um negócio que dá um nó na cabeça e traz uma camada de autenticidade absurda para a produção. No IMDb, ele segura uma nota respeitável de 7,5, o que, para um drama biográfico dessa magnitude, mostra que ele envelheceu como um bom vinho.

Onde foram feitas as filmagens de Chaplin?

Para passar aquela sensação de escala e verdade, a equipe não economizou nas locações. O filme percorre diversos cenários reais por onde Chaplin passou. Tivemos filmagens nos Estados Unidos (Los Angeles e arredores para mostrar a era de ouro de Hollywood) e na Suíça, onde ele passou seus últimos anos em exílio.

Essa mudança de ares no filme ajuda a gente a entender o contraste: o brilho das luzes da Califórnia contra a paz (e a certa solidão) das montanhas europeias. A fotografia é impecável e transporta a gente direto para o início do século XX.

Quais são as melhores curiosidades sobre a produção?

Tem muita coisa de bastidor que torna esse filme ainda mais interessante:

  • Treinamento intenso: O Robert Downey Jr. estudou exaustivamente os filmes mudos para replicar cada movimento do "The Tramp". Ele até aprendeu a jogar tênis com a mão esquerda, já que o Chaplin era canhoto.

  • Indicação ao Oscar: Essa performance rendeu ao Downey Jr. sua primeira indicação ao Oscar de Melhor Ator. Ele não levou, mas ali o mundo percebeu que ele era um gigante.

  • O sapateado: Todas as cenas de dança e mímica foram feitas pelo próprio ator, sem dublês de corpo, o que dá uma fluidez animal para as cenas de comédia física.

Vale a pena assistir Chaplin hoje em dia?

Sendo bem direto com você: vale cada minuto. A minha crítica sobre a obra é que, embora ela tente abraçar tempo demais da vida dele (o que às vezes deixa o ritmo um pouco corrido), o filme acerta em cheio no lado humano. Ele não pinta o Chaplin como um santo. Estão lá as polêmicas com mulheres muito jovens, o ego difícil e o posicionamento político que o expulsou dos EUA.

É o retrato de um homem complexo. Não é um filme "durão" de guerra, mas é um filme sobre resistência e sobre como a arte pode ser a maior arma de um homem. Se você quer entender por que o cinema é o que é hoje, precisa conhecer a base. E a base atende pelo nome de Charles Chaplin.