Desejo de Matar 5: O Rosto da Morte

 

Se você é fã de um bom cinema de "justiceiro", com certeza já cruzou com a saga de Paul Kersey. Hoje vamos falar de Desejo de Matar 5: O Rosto da Morte, o capítulo que encerrou a jornada épica de Charles Bronson como o arquiteto que decidiu fazer o trabalho que a polícia não dava conta.

Senta aí, pega um café, e vamos analisar se esse fechamento de franquia realmente entregou o que prometeu ou se foi apenas o último suspiro de um ícone.

Qual é o contexto de Desejo de Matar 5?

Lançado em 1994, o filme traz um Paul Kersey mais velho, tentando finalmente levar uma vida sossegada. O título original é Death Wish V: The Face of Death. O cara está em Nova York, vivendo sob proteção de testemunhas e namorando uma estilista de sucesso, Olivia Regent.

Mas, como a sorte nunca sorri por muito tempo para o nosso protagonista, o passado e a violência batem à porta novamente. O ex-marido de Olivia é um mafioso perigoso chamado Tommy O'Shea, que não aceita o fim do relacionamento e começa a aterrorizar a mulher. Quando as coisas passam do limite, Kersey deixa o papel de "bom moço" de lado e volta a usar sua criatividade letal para limpar a área.

Quem está por trás das câmeras e no elenco?

A direção ficou por conta de Allan A. Goldstein. Ele teve o desafio de manter a essência da franquia iniciada por Michael Winner, mas com um orçamento visivelmente mais apertado. No IMDb, a nota reflete bem o cansaço da fórmula: 4.6/10. É uma nota baixa? É. Mas para quem gosta de filmes de ação dos anos 90, tem aquele valor nostálgico que os números não explicam.

No elenco, além do lendário Charles Bronson, temos:

  • Lesley-Anne Down como Olivia Regent.

  • Michael Parks entregando um vilão detestável como Tommy O'Shea.

  • Robert Joy como o capanga Freddie Flakes.

As locações saíram um pouco do eixo comum de Nova York e foram filmadas em sua maioria em Toronto, no Canadá, que serviu de dublê para a Big Apple.

Quais são as curiosidades dos bastidores?

Uma coisa que muita gente não sabe é que este foi o último filme de Charles Bronson lançado nos cinemas. Depois disso, ele só faria alguns filmes para a TV antes de se aposentar. Bronson já estava na casa dos 70 anos e, embora ainda tivesse aquela presença de tela intimidadora, dava para notar que o ritmo era outro.

Outro detalhe interessante: o roteiro tenta trazer um Kersey mais "engenheiro". Em vez de apenas sair atirando como um louco, ele usa métodos bem criativos (e até um pouco exagerados) para eliminar os vilões, como um controle remoto e até um cannoli envenenado. É aquele tipo de criatividade que a gente só aceita porque é o Bronson.

O filme ainda vale a pena hoje em dia?

Sendo bem direto com você: Desejo de Matar 5 é para os fortes. A crítica da época não perdoou a produção barata e o roteiro previsível. O filme sofre com aquela estética de "direto para vídeo", e a violência, que era o choque do primeiro filme de 1974, aqui já parecia um pouco datada.

Por outro lado, existe um mérito inegável em ver Bronson pela última vez em seu papel mais icônico. Ele não tenta ser um super-herói; ele é um homem cansado, mas que ainda possui um código de honra muito claro: mexeu com quem ele ama, o preço é alto. Se você busca uma obra-prima do cinema, vai se decepcionar. Mas, se quer ver um encerramento honesto para um personagem que definiu o gênero de vigilante, vale o play pelo valor histórico.



Gilbert Grape: Aprendiz de Sonhador

 

Sabe aquele filme que você assiste e parece que o tempo parou, mas ao mesmo tempo você sente o peso de cada segundo passando? Pois é, Gilbert Grape: Aprendiz de Sonhador é exatamente assim. Assisti a essa obra recentemente e fiquei pensando no quanto a gente se prende a responsabilidades que nem sempre escolheu. Se você curte histórias que focam menos em explosões e mais no que acontece dentro da cabeça e do coração de um homem comum, senta aí que a gente precisa conversar sobre esse clássico.

O filme, lançado em 1993, nos transporta para Endora, uma cidadezinha no meio do nada (literalmente, em Iowa), onde nada acontece e o horizonte parece uma parede. O título original é What's Eating Gilbert Grape, e essa pergunta — "O que está corroendo Gilbert Grape?" — é o motor de toda a narrativa.

Do que se trata a história de Gilbert Grape?

A trama gira em torno de Gilbert, um jovem que carrega o mundo nas costas. Após a morte do pai, ele se tornou o "homem da casa", cuidando de sua mãe, que sofre de obesidade mórbida e não sai do sofá há anos, e de seu irmão mais novo, Arnie, que tem deficiência intelectual.

A vida dele é uma rotina sufocante de trabalho no mercadinho local e cuidados domésticos, até que uma garota chamada Becky aparece na cidade devido a um problema mecânico na sua caravana. Ela é o elemento que faz o Gilbert perceber que existe um mundo além das fronteiras de Endora. É um filme sobre lealdade familiar, o peso da estagnação e o medo de sonhar.

Quem faz parte do elenco e da direção?

O filme é dirigido pelo sueco Lasse Hallström, que tem um toque absurdo de sensibilidade para dramas humanos. Mas o que brilha mesmo é o elenco. Temos um Johnny Depp contido, entregando uma atuação sutil que passa toda a angústia do personagem no olhar.

E, claro, não dá para falar de Gilbert Grape sem mencionar Leonardo DiCaprio. Com apenas 19 anos, ele entregou uma performance tão realista como Arnie que muita gente na época achou que o ator realmente tinha a deficiência do personagem. Ele foi indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por isso, e com razão. No elenco ainda temos Juliette Lewis (Becky) e Darlene Cates (Bonnie Grape), que trazem camadas essenciais para a história.

Onde o filme foi gravado e qual a sua recepção?

Embora a história se passe em Iowa, as locações reais foram em Manor e arredores de Austin, no Texas. Aquela caixa d'água icônica, que Arnie adora escalar, virou um ponto de referência para os fãs.

No IMDb, o filme ostenta uma nota 7.7, o que é um reflexo justo da sua qualidade. Ele não é um blockbuster de ação, é um filme "cult" que sobreviveu ao teste do tempo justamente por ser humano demais. É o tipo de produção que a gente recomenda para um amigo que está precisando de uma perspectiva nova sobre a vida.

Quais são as principais curiosidades dos bastidores?

Uma das coisas mais legais que descobri é que o Johnny Depp se sentia muito mal por ter que dizer coisas rudes para a Darlene Cates (a mãe no filme) durante as cenas. Ele chegava a pedir desculpas o tempo todo assim que o diretor gritava "corta".

Outro ponto interessante: o roteiro foi adaptado pelo próprio autor do livro, Peter Hedges. Isso ajudou a manter a essência da obra original, focando na melancolia masculina e na sensação de estar preso a um lugar. E tem mais: Leonardo DiCaprio passou dias em um centro para jovens com deficiência para estudar os trejeitos e a fala de Arnie, o que explica por que a atuação dele é tão visceral.

Minha Crítica: Vale a pena assistir hoje?

Sendo direto: vale muito. Gilbert Grape: Aprendiz de Sonhador não é sobre um herói que salva o dia, mas sobre um homem que aprende a perdoar a própria família e a si mesmo. É um filme que fala sobre o sacrifício silencioso que muitos homens fazem para manter tudo em ordem, muitas vezes esquecendo de viver a própria vida.

A fotografia é quente, o ritmo é lento (no bom sentido, como uma tarde de domingo) e o final é um dos mais libertadores que já vi. Se você está procurando algo com substância, que te faça refletir sobre suas próprias "âncoras", dê uma chance para o Gilbert.




A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça

 

Sempre que o clima esfria e o céu fica cinzento, me dá uma vontade absurda de rever alguns clássicos que marcaram minha adolescência. E não tem como falar de atmosfera sombria e visual impecável sem citar A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça (Sleepy Hollow).

Lançado em 1999, esse filme é uma verdadeira aula de como transformar uma lenda folclórica em um suspense policial gótico de primeira. Senta aí, pega um café, e vamos bater um papo sobre por que essa obra do Tim Burton ainda é tão relevante hoje em dia.

Do que se trata A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça?

A história nos transporta para 1799. Eu gosto muito de como o roteiro apresenta o protagonista, Ichabod Crane, interpretado pelo mestre das esquisitices, Johnny Depp. Diferente do Ichabod medroso do conto original de Washington Irving, aqui ele é um detetive de Nova York que acredita piamente na ciência e na lógica.

Ele é enviado para o vilarejo de Sleepy Hollow para investigar uma série de assassinatos brutais onde as vítimas são encontradas decapitadas. O pessoal da cidade jura que é um espírito vingativo, mas Ichabod — com toda a sua arrogância intelectual — acha que é apenas um assassino de carne e osso. O choque entre a razão dele e o sobrenatural é o que conduz a trama de um jeito muito fluido.

Quem faz parte do elenco e da produção?

O filme é um "quem é quem" do cinema daquela época. Além do Depp, temos a Christina Ricci como Katrina Van Tassel, que entrega aquele ar misterioso necessário. Mas, para mim, o destaque de peso vai para os veteranos: Christopher Walken (que faz o Cavaleiro antes de perder a cabeça) e Christopher Lee.

A direção, claro, é do Tim Burton. Dá para sentir o DNA dele em cada frame: a paleta de cores desaturada, quase em preto e branco, e aquela névoa constante. O filme foi rodado majoritariamente na Inglaterra, nos estúdios Leavesden e em locações como Hambleden, que foram transformadas para parecerem a Nova York colonial. No IMDb, o filme sustenta uma sólida nota 7.3, o que é bem justo para um longa que equilibra terror e fantasia tão bem.

Quais são as curiosidades dos bastidores?

Uma coisa que eu acho animal nesse filme é o esforço técnico. Sabia que o Cavaleiro Sem Cabeça foi interpretado pelo dublê Ray Park (o Darth Maul de Star Wars) em várias cenas de ação? Ele usava uma máscara azul para que a cabeça fosse removida digitalmente depois.

Outro detalhe curioso: o Johnny Depp adotou o cavalo que ele usou no filme, o Goldeneye, porque soube que o animal seria sacrificado após as filmagens. Além disso, o moinho de vento gigante que vemos no clímax foi construído de verdade, em tamanho real, o que dá um peso visual que o CGI de hoje em dia raramente consegue replicar.

Vale a pena assistir hoje em dia?

Sendo bem sincero com você: vale cada minuto. A minha crítica pessoal é que o filme envelheceu como um bom vinho. Ele não tenta ser um filme de terror "puro" para te fazer pular da cadeira o tempo todo; ele foca na construção de mundo e no mistério.

A investigação é bem amarrada e o design de produção levou o Oscar com méritos. É aquele tipo de filme perfeito para um domingo à noite. Tem ação, tem uma pitada de romance sem ser meloso e um vilão que realmente impõe respeito, mesmo sem dizer uma única palavra (e sem ter pescoço).

Espero que esse resumo tenha te dado aquela nostalgia ou a curiosidade de dar o play pela primeira vez. Se você curte um visual gótico e uma boa história de investigação com uma pegada sombria, não tem erro.