O Troco (Payback)

 

Assisti a O Troco (Payback) recentemente e, olha, o filme é um soco no estômago daquele jeito que a gente gosta. Se você curte uma narrativa de vingança sem firulas, onde o protagonista não é exatamente um "herói" de capa, esse aqui é obrigatório.

Vou te contar por que esse longa de 1999 continua sendo um dos melhores exemplares do gênero policial neo-noir.

O que esperar da trama de O Troco

A história é simples e direta: Porter, um ladrão profissional, é traído pelo parceiro e pela própria esposa após um assalto. Eles dão um tiro nele e fogem com a grana. O problema é que Porter não morre. Ele volta para a cidade com um único objetivo: recuperar os seus exatos 70 mil dólares.

Não são 71, nem um milhão. Ele quer apenas a parte dele. No meio do caminho, ele precisa enfrentar desde pequenos bandidos até uma organização criminosa gigantesca chamada "O Sindicato". O que move o personagem é uma ética muito própria e uma resiliência absurda. É o tipo de filme que não perde tempo com dramas existenciais; o foco é a ação e a estratégia.

Ficha técnica e curiosidades de bastidores

O filme foi lançado em 5 de fevereiro de 1999 e tem uma pegada visual bem crua, quase metálica. O diretor é Brian Helgeland, que também assina o roteiro baseado no livro The Hunter, de Richard Stark.

Aqui estão os detalhes que você precisa saber:

  • Título Original: Payback

  • Nota IMDb: 7.1/10 (uma nota sólida para o gênero)

  • Elenco: Mel Gibson (no auge), Gregg Henry, Maria Bello, James Coburn e Lucy Liu.

  • Premiações: Ganhou o prêmio da BMI Film Music Award pela trilha sonora.

Um detalhe interessante sobre as locações de filmagem: o filme foi rodado principalmente em Chicago, aproveitando aquela arquitetura industrial e cinzenta que combina perfeitamente com o clima de "beco sem saída" da história.

Trilha sonora e o estilo visual

trilha sonora, composta por Chris Boardman, é um ponto alto. Ela mistura um jazz moderno com batidas de suspense que ditam o ritmo das caminhadas do Porter pela cidade. Não espere músicas heróicas; o som aqui é sujo, urbano e realista.

Visualmente, o filme passou por um processo de dessaturação. Se você reparar, as cores são quase todas voltadas para o azul e o cinza. Isso ajuda a passar a sensação de que o mundo onde o Porter vive é frio e impiedoso.

Por que você deveria ver (ou rever) esse filme

O que eu mais gosto em O Troco é que ele não tenta te convencer de que o protagonista é uma boa pessoa. O Porter é um criminoso, ponto final. Mas ele tem princípios.

Algumas curiosidades rápidas:

  1. Duas versões: Existe uma versão do diretor (Director's Cut) que é bem diferente da que foi para os cinemas. A versão de cinema tem uma narração em off e um final mais "Hollywoodiano", enquanto a do diretor é mais seca e pessimista.

  2. Maquiagem: Mel Gibson usou uma maquiagem pesada para parecer que estava constantemente exausto e machucado, reforçando o realismo das lutas.

  3. Remake: O filme é um remake (ou uma nova adaptação) de À Queima-Roupa (1967), com Lee Marvin.

Se você está procurando um filme para ver hoje à noite que não vai te fazer perder tempo com diálogos melosos, O Troco é a escolha certa. É cinema de gênero feito com precisão.



Vestida Para Matar (Dressed to Kill)

 

Se você curte um bom suspense psicológico, daqueles que te deixam desconfortável na poltrona, precisa falar de Vestida para Matar. Assisti ao filme recentemente e, olha, o Brian De Palma não estava para brincadeira quando decidiu prestar essa homenagem (ou seria um desafio?) ao Hitchcock.

O filme, cujo título original é Dressed to Kill, foi lançado em 1980 e continua sendo um estudo de caso sobre como prender o espectador pelo pescoço usando apenas o visual e uma trilha sonora hipnotizante.

O mestre do suspense em sua melhor forma

Para entender esse filme, o primeiro passo é olhar para quem está atrás da câmera. Brian De Palma é o diretor aqui, e ele usa cada truque do manual: telas divididas, planos sequência longos e aquela câmera lenta que faz você querer gritar para o personagem andar mais rápido.

A história começa com uma dona de casa frustrada em Nova York, interpretada pela Angie Dickinson, que acaba se envolvendo em uma trama de assassinato após um encontro casual. O elenco ainda conta com Michael Caine, vivendo o psiquiatra Dr. Robert Elliott, e uma jovem Nancy Allen, que interpreta a prostituta que testemunha o crime e vira o alvo principal. É um jogo de gato e rato muito bem montado.

Números, notas e o som do perigo

Se você é do tipo que olha as estatísticas antes de dar o play, o filme sustenta uma nota 7.1 no IMDb. Não é uma nota estratosférica, mas para um filme de gênero que dividiu tanto a crítica na época, é um sinal de respeito.

Sobre a parte técnica, dois pontos são imbatíveis:

  • Trilha Sonora: Composta por Pino Donaggio. A música é praticamente um personagem. Ela transita entre o erótico e o aterrorizante sem pedir licença.

  • Premiações: Nancy Allen chegou a ser indicada ao Globo de Ouro como Nova Estrela do Ano, embora o filme também tenha recebido algumas indicações ao Framboesa de Ouro na época — o que só prova como ele foi polêmico no lançamento.

Nova York como cenário de um pesadelo

As locações de filmagem são fundamentais para a atmosfera. Quase tudo se passa em uma Nova York cinzenta e perigosa do final dos anos 70. A cena do museu, que é uma das mais famosas do cinema, foi rodada no Philadelphia Museum of Art, mas na trama, estamos no Metropolitan Museum of Art (o MET).

Essa escolha de cenários amplos e impessoais reforça a sensação de isolamento dos personagens. Você sente que, mesmo no meio de uma multidão, ninguém está realmente seguro.

Curiosidades que cercam a obra

Existem alguns bastidores interessantes que valem a pena saber:

  1. Censura: O filme sofreu cortes pesados para não receber uma classificação "X" (proibido para menores) nos EUA devido às cenas de violência e nudez.

  2. Dublê de corpo: Na famosa cena do chuveiro logo no início, a modelo Victoria Lynn Johnson foi usada como dublê para a Angie Dickinson.

  3. Hitchcock: De Palma nunca escondeu que este filme é uma releitura espiritual de Psicose. As referências estão em todo lugar, desde a estrutura da narrativa até o uso da trilha.

Vestida para Matar não é um filme "bonitinho" ou fácil. Ele é bruto, direto e visualmente impecável. Se você gosta de cinema que prioriza a imagem e o ritmo em vez de diálogos explicativos, é uma pedida obrigatória.