A Outra Face (Face/Off)

 

Se você curte um bom filme de ação dos anos 90, provavelmente já parou para rever A Outra Face (Face/Off). Eu revi esses dias e, cara, o filme continua um absurdo. É aquela mistura clássica de John Woo: tiroteios coreografados, câmeras lentas e uma trama que, no papel, parece loucura, mas na tela funciona demais.

Vou te contar por que esse filme ainda é um marco e o que faz dele um clássico obrigatório.

O duelo épico entre Travolta e Cage

Lançado em 27 de junho de 1997, o filme coloca John Travolta e Nicolas Cage em um jogo de gato e rato. A premissa é aquela que a gente conhece: o agente do FBI Sean Archer troca de rosto com o terrorista Castor Troy para impedir um atentado. O problema é que o bandido acorda e resolve usar o rosto do mocinho.

O que eu acho mais foda aqui não é nem a ação em si, mas como os dois atores estudaram os trejeitos um do outro. Quando o Travolta está sendo o Cage (e vice-versa), você percebe os tiques, o olhar maníaco e a postura. É cinema de entretenimento puro, dirigido pelo mestre John Woo, que trouxe toda a estética de Hong Kong para Hollywood.

Informações técnicas que você precisa saber:

  • Diretor: John Woo

  • Atores Principais: John Travolta e Nicolas Cage

  • Nota IMDb: 7.3/10

  • Premiações: Indicado ao Oscar de Melhores Efeitos Sonoros; venceu vários MTV Movie Awards (na época que isso importava).

Bastidores, trilha sonora e onde tudo aconteceu

A trilha sonora, composta por John Powell, ajuda muito a ditar o ritmo de tensão. Mas o que me impressiona mesmo são as locações de filmagem. Grande parte do filme foi rodada em Los Angeles, incluindo o Aeroporto de Victorville e a Long Beach Naval Shipyard. Aquela cena inicial do hangar é icônica e foi feita em cenários reais, sem esse excesso de CGI que a gente vê hoje em dia.

O filme tem um peso, uma textura de "coisa real" que faz falta. As explosões são de verdade, os barcos batem de verdade. É o tipo de produção que não se faz mais com tanta frequência.

Algumas curiosidades que você talvez não saiba

Eu sempre gosto de pesquisar o que rolou por trás das câmeras, e Face/Off tem umas histórias boas:

  1. Outros nomes: Originalmente, os produtores queriam Arnold Schwarzenegger e Sylvester Stallone para os papéis principais. Imagina a diferença de tom?

  2. Cena do espelho: Aquela cena famosa onde os dois se apontam armas através de uma parede/espelho é a assinatura visual máxima do John Woo.

  3. Título: O nome original é apenas Face/Off, um termo usado no hóquei para o início da partida, mas que aqui ganha um sentido literal bem bizarro.

Por que assistir A Outra Face hoje?

Se você está cansado de filmes de herói com fundo verde, esse aqui é o antídoto. É um filme de ação visceral, com uma história de vingança que te prende do início ao fim. Ele não tenta ser intelectual demais; ele quer te entregar adrenalina e atuações acima da média (e levemente surtadas, no bom sentido).

Mesmo quase 30 anos depois, a coreografia das lutas e a edição continuam segurando o espectador no sofá. É o tipo de filme que, se estiver passando na TV, você para o que está fazendo para ver pelo menos a sequência final.



A Rede Social (The Social Network)

 

Cara, se tem um filme que consegue ser agoniante e fascinante ao mesmo tempo, esse filme é A Rede Social (The Social Network). Eu revi ele esses dias e é impressionante como a obra não envelheceu nada. Mesmo com o Facebook não sendo mais a "novidade" do momento, a história de como tudo começou continua sendo uma aula de estratégia, traição e ego.

Vou te passar a visão geral de por que esse filme é um marco, sem frescura e direto ao ponto.

O nascimento de um gigante e o fim das amizades

Lançado em outubro de 2010, o filme não é exatamente uma biografia "fofinha". O diretor David Fincher — que você deve conhecer por Clube da Luta — traz aquela estética fria e rápida que faz a criação de um site parecer um filme de ação. A trama foca no Mark Zuckerberg, interpretado por um Jesse Eisenberg impecável, que entrega aquele jeito rápido e meio arrogante que a gente imagina que um gênio da computação teria.

A história começa num dormitório de Harvard e escala rápido. O ponto central não é só o código do site, mas as brigas judiciais que vieram depois. De um lado, os gêmeos Winklevoss alegando que a ideia foi roubada; do outro, o cofundador Eduardo Saverin (vivido pelo Andrew Garfield) sendo escanteado da própria empresa. É o tipo de narrativa que te prende porque você quer ver quem vai passar a perna em quem.

Elenco de peso e uma trilha sonora que dita o ritmo

O casting desse filme foi um acerto gigante. Além do Eisenberg e do Garfield, temos o Justin Timberlake mandando muito bem como Sean Parker, o criador do Napster, que chega para botar lenha na fogueira e expandir a visão do negócio.

Mas o que realmente me pegou foi a trilha sonora. Ela foi composta por Trent Reznor (do Nine Inch Nails) e Atticus Ross. Não é aquela música de filme clássica; é um som eletrônico, industrial e tenso que combina perfeitamente com as madrugadas de programação e as discussões em salas de reunião. Não à toa, os caras levaram o Oscar de Melhor Trilha Sonora Original.

Principais premiações e recepção:

  • Oscar: Ganhou Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Trilha Sonora e Melhor Edição.

  • Globo de Ouro: Levou Melhor Filme de Drama e Melhor Diretor.

  • Nota IMDb: Atualmente ostenta um sólido 7.8, o que é bem alto para um drama biográfico.

Bastidores e onde a mágica aconteceu

Muita gente acha que o filme foi gravado dentro de Harvard, mas a universidade é bem rígida com filmagens. A produção teve que se virar em outras locações, como a Phillips Academy e o Wheaton College, para recriar aquele clima de elite intelectual da Nova Inglaterra.

Uma curiosidade legal sobre o roteiro é que ele foi escrito pelo Aaron Sorkin. Se você sentir que os diálogos são rápidos demais e muito inteligentes, é a marca registrada dele. Ele se baseou no livro Bilionários por Acaso, e embora o Zuckerberg real diga que muita coisa foi inventada para dar drama (especialmente a motivação dele para criar o site), o filme funciona perfeitamente como uma tragédia moderna.

Por que você ainda precisa assistir A Rede Social

Mesmo que você não entenda nada de programação, o filme é sobre relações humanas e poder. É sobre como a pessoa que criou uma rede para conectar o mundo era, ironicamente, a que tinha mais dificuldade de se conectar com quem estava ao redor.

Curiosidades rápidas que você talvez não saiba:

  1. O guarda-roupa: O figurinista se esforçou para replicar exatamente as roupas que Zuckerberg usava na época, incluindo as famosas sandálias Adidas.

  2. Ritmo frenético: O roteiro tinha 162 páginas, o que normalmente daria quase 3 horas de filme, mas Fincher fez os atores falarem tão rápido que ele ficou com apenas duas horas.

  3. Natalie Portman: Ela estudava em Harvard na época dos eventos reais e ajudou Aaron Sorkin com informações sobre como era a vida social no campus.

Se você curte um cinema bem feito, com diálogos afiados e uma história que mudou a forma como a gente vive hoje, tira esse tempo para assistir. Vale cada minuto.