Donnie Darko

 

Sabe aquele tipo de filme que termina e você fica encarando a parede por dez minutos tentando processar o que acabou de ver? Donnie Darko é o exemplo perfeito disso. Lançado originalmente em 2001, o longa se tornou um clássico cult que sobrevive ao tempo justamente por não entregar todas as respostas de bandeja.

Vou organizar aqui os pontos principais para quem quer entender a estrutura por trás dessa obra sem estragar a experiência com spoilers.

O que torna Donnie Darko um filme único?

O título original é o mesmo nome do protagonista, interpretado por um Jake Gyllenhaal ainda bem jovem, mas já entregando uma atuação bizarra de boa. A direção e o roteiro ficaram por conta de Richard Kelly, que na época era um estreante.

O filme mistura elementos de ficção científica, drama adolescente e um toque de terror psicológico. A trama gira em torno de um adolescente problemático que escapa de um acidente bizarro e começa a ter visões de um coelho gigante chamado Frank, que lhe diz que o mundo vai acabar em pouco mais de 28 dias.

  • Data de lançamento: 26 de outubro de 2001 (EUA).

  • Diretor: Richard Kelly.

  • Elenco principal: Jake Gyllenhaal, Jena Malone, Drew Barrymore, Maggie Gyllenhaal e Patrick Swayze.

  • Nota IMDb: 8.0/10.

Ficha técnica e o reconhecimento da crítica

Mesmo sendo um filme de baixo orçamento, o elenco é pesado. Além do Jake, temos a irmã dele na vida real, Maggie Gyllenhaal, interpretando também sua irmã na tela, o que traz um naturalismo legal para as cenas de briga familiar.

Sobre premiações, o filme não foi um monstro de Oscars, mas levou o prêmio de Melhor Roteiro no San Diego Film Critics Society e foi indicado ao Grande Prêmio do Júri em Sundance. Com o passar dos anos, a relevância dele só cresceu, sendo presença constante em listas de melhores filmes de todos os tempos no gênero de ficção científica e suspense.

Trilha sonora e as locações na Califórnia

trilha sonora é um capítulo à parte. Ela captura perfeitamente o clima melancólico e sombrio do final dos anos 80. O destaque absoluto vai para o cover de "Mad World", do Tears for Fears, feito por Gary Jules, que se tornou um hino do filme. Também ouvimos nomes como Echo & the Bunnymen, Joy Division e The Church.

As locações de filmagem ajudam a criar aquela atmosfera de subúrbio americano comum, mas com algo errado por baixo da superfície. O filme foi rodado quase inteiramente na Califórnia, em lugares como Long Beach e Santa Monica. A escola e as casas dão aquela sensação nostálgica que contrasta com o surrealismo da história.

Curiosidades que você precisa saber

Para fechar, separei alguns fatos que mostram como a produção foi peculiar:

  1. Tempo recorde: O filme foi rodado em apenas 28 dias, que é exatamente o mesmo período de tempo que Donnie tem antes do fim do mundo na história.

  2. O coelho Frank: O visual do coelho foi desenhado pelo próprio diretor após um sonho. Ele queria algo que fosse perturbador, mas que você não soubesse explicar exatamente o porquê.

  3. Christopher Nolan deu uma força: Após uma exibição privada, Nolan (diretor de Inception) ajudou Kelly a conseguir um distribuidor, sugerindo inclusive que o filme precisava de explicações em texto para ajudar o público a não se perder totalmente.

  4. O fracasso inicial: No lançamento, o filme foi mal de bilheteria, em parte porque o trailer mostrava o motor de um avião caindo em uma casa, e o mundo ainda estava muito sensibilizado pelos ataques de 11 de setembro.

Donnie Darko não é só um filme sobre viagem no tempo ou sanidade mental; é sobre o sentimento de isolamento. Se você gosta de exercitar o cérebro enquanto assiste a algo, vale cada minuto.



E.T. O Extraterrestre (E.T. the Extra-Terrestrial)

 

Se você cresceu nos anos 80 ou 90, é impossível não ter uma imagem mental daquela silhueta de uma bicicleta voando contra a lua cheia. Eu revi E.T. O Extraterrestre esses dias e, cara, o filme continua um soco no estômago de nostalgia, mas de um jeito técnico que impressiona até hoje.

Não vou ficar aqui tentando te convencer de que o filme é "mágico" ou "emocionante" – isso todo mundo já sabe. O que eu quero é dissecar por que esse longa de 1982 se tornou o padrão ouro do cinema de ficção científica familiar.

O fenômeno de Steven Spielberg em 1982

Lançado originalmente em 11 de junho de 1982, o filme chegou aos cinemas com o título original de E.T. the Extra-Terrestrial. A direção ficou nas mãos de um Steven Spielberg que já estava no topo do mundo, mas que aqui decidiu fazer algo muito mais pessoal.

O elenco conta com nomes que a gente viu crescer na tela:

  • Henry Thomas como o protagonista Elliott.

  • Drew Barrymore (bem pequena) como Gertie.

  • Robert MacNaughton como Michael.

  • Dee Wallace fazendo o papel da mãe.

No IMDb, o filme ostenta uma nota 7.9, o que é um feito absurdo para uma produção voltada para o público infantil que já passou dos 40 anos de estrada. Ele não é apenas um filme de "boneco"; é uma aula de ritmo cinematográfico.

Bastidores, trilha sonora e premiações

Se tem uma coisa que dita o tom desse filme é a música. John Williams criou uma trilha sonora que, se você ouvir três notas, já sabe do que se trata. Não à toa, ele levou o Oscar de Melhor Trilha Sonora Original por esse trabalho. Aliás, a cerimônia de premiação foi generosa: o filme faturou quatro estatuetas, incluindo Melhores Efeitos Visuais, Som e Edição de Som.

As filmagens rolaram basicamente na Califórnia, com locações marcantes em Northridge, Tujunga e nos arredores de Crescent City para as cenas da floresta. O visual "subúrbio americano" que a gente vê em quase todo filme de aventura hoje em dia foi praticamente definido aqui.

Curiosidades que você provavelmente não sabia

Mesmo sendo um clássico absoluto, tem muita coisa que acontece por trás das câmeras que passa batido. Separei alguns pontos que mostram a genialidade (e a estranheza) da produção:

  1. O rosto do E.T.: A aparência do alienígena foi uma mistura visual de Albert Einstein, o poeta Carl Sandburg e um cachorro pug.

  2. M&M's recusados: A produção queria usar M&M's para a cena em que o Elliott atrai o E.T., mas a Mars recusou. Resultado? Usaram Reese's Pieces, e as vendas do doce explodiram.

  3. Filmagem em ordem cronológica: Spielberg filmou tudo na sequência certa da história. Ele fez isso para que a reação das crianças no final fosse mais genuína, já que elas estariam realmente se "despedindo" do boneco.

  4. Harrison Ford: O intérprete de Han Solo chegou a gravar uma ponta como o diretor da escola de Elliott, mas a cena foi cortada na edição final para não distrair o público.

Por que assistir (ou rever) hoje em dia?

Diferente de muitos filmes de ficção científica daquela época que envelheceram mal por causa do CGI rústico, E.T. usa efeitos práticos. O boneco está lá, ele tem peso, ele ocupa espaço. Isso faz com que a interação com os atores pareça real, e não algo inserido digitalmente depois.

Se você está procurando entender as raízes de séries como Stranger Things, o caminho começa aqui. É um roteiro direto, sem gordura, focado em um conceito simples: o medo do desconhecido versus a curiosidade da infância. Sem spoilers, mas o ritmo do terceiro ato é um exemplo de como construir tensão sem precisar de explosões a cada cinco minutos.

Vale a pena dar o play, nem que seja para analisar como Spielberg consegue filmar quase tudo do ponto de vista de uma criança, mantendo a câmera baixa durante a maior parte do tempo.