A Queda! As Últimas Horas de Hitler (Der Untergang)

 

Assisti a A Queda! As Últimas Horas de Hitler (ou Der Untergang, no original) outro dia e, olha, é um soco no estômago. Não porque o filme tente te fazer chorar, mas pela crueza. Ele mostra o colapso de um império de dentro de um buraco de concreto, sem firulas. Se você gosta de história ou de cinema que não subestima sua inteligência, esse aqui é obrigatório.

Vou te contar por que esse filme de 2004 ainda é tão relevante e o que faz dele uma obra-prima técnica, sem te entregar o final (embora a história já tenha dado o spoiler maior há 80 anos).

O realismo frio de Oliver Hirschbiegel

O que mais me chamou a atenção foi a direção do Oliver Hirschbiegel. Ele não tenta pintar os personagens como monstros de filme de terror, e é aí que mora o perigo e o brilhantismo da obra. Ao mostrar o lado patético, humano e desesperado daquelas figuras históricas, o filme torna tudo muito mais real e assustador.

Lançado em setembro de 2004, o longa foca nos últimos dez dias de vida de Hitler, confinado em seu bunker em Berlim enquanto o Exército Vermelho fechava o cerco. A narrativa é guiada pela perspectiva de Traudl Junge, a secretária pessoal dele, o que nos dá um ponto de vista quase "doméstico" do caos.

Bruno Ganz e um elenco de peso

Não tem como falar de A Queda sem mencionar Bruno Ganz. O trabalho que ele fez como Adolf Hitler é de outro planeta. Ele estudou um áudio raro do ditador falando em voz baixa para pegar o tom exato e o tremor nas mãos causado pelo Parkinson. É uma atuação contida, mas vulcânica.

Além dele, o elenco conta com nomes fortes do cinema alemão:

  • Alexandra Maria Lara (como Traudl Junge)

  • Ulrich Matthes (um Joseph Goebbels perturbador)

  • Corinna Harfouch (Magda Goebbels)

  • Juliane Köhler (Eva Braun)

Essa galera entrega uma tensão constante. Você sente o suor e o cheiro de cigarro e mofo através da tela. Não é à toa que o filme ostenta uma nota 8.2 no IMDb, figurando entre os melhores filmes de guerra e drama já feitos.

Produção, trilha e os bastidores do Bunker

Muita gente acha que o filme foi gravado em Berlim, mas a verdade é que a maior parte das locações externas foi em São Petersburgo, na Rússia. O motivo? A arquitetura de certas partes da cidade ainda preservava aquele visual de destruição e os prédios monumentais que lembravam a Berlim de 1945.

A trilha sonora, composta por Stephan Zacharias, segue a linha "menos é mais". Ela é minimalista, fúnebre e não tenta ditar o que você deve sentir. Ela apenas sublinha o vazio daquela derrota iminente.

Sobre premiações, o filme foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2005. Embora não tenha levado a estatueta, ele limpou a mesa em várias premiações europeias e se tornou um fenômeno de bilheteria mundial, o que é raro para um filme em alemão com esse peso temático.

Curiosidades que você talvez não saiba

Para fechar o papo, separei alguns detalhes que tornam a experiência de rever o filme ainda mais interessante:

  1. O Meme: Você certamente já viu aquele meme do Hitler gritando no bunker. Pois é, vem daqui. É uma pena que a cena tenha virado piada, porque no contexto do filme ela é de uma densidade absurda.

  2. Rigor Histórico: O roteiro foi baseado no livro do historiador Joachim Fest e nas memórias da própria Traudl Junge. Quase cada frase dita no bunker tem algum respaldo em relatos de sobreviventes.

  3. A Reação na Alemanha: Na época, o filme gerou uma discussão gigante por lá. Muita gente questionou se era "correto" humanizar Hitler. O tempo mostrou que o filme não o perdoa, apenas o despe de qualquer aura mística.

Se você quer entender como o fanatismo termina quando a conta chega, assista. É cinema de primeira qualidade, direto e sem rodeios.



A Letra Escarlate (The Scarlet Letter)

 

Sabe aquele tipo de filme que divide opiniões, mas que todo mundo acaba assistindo por causa da estética ou do elenco? Pois é. Recentemente, resolvi revisitar A Letra Escarlate (The Scarlet Letter), a versão de 1995 dirigida por Roland Joffé.

Se você curte dramas de época que não economizam no visual, vale a pena entender por que esse filme ainda gera tanta conversa, mesmo décadas depois de ter chegado aos cinemas.

O que você precisa saber sobre a produção

O filme foi lançado em 13 de outubro de 1995 e, logo de cara, chamou a atenção pela escala da produção. No elenco principal, temos Demi Moore como Hester Prynne, Gary Oldman vivendo o reverendo Arthur Dimmesdale e Robert Duvall como o vingativo Roger Chillingworth.

Mesmo que a crítica da época tenha pegado pesado, não dá para negar que o trio de protagonistas entrega uma presença de tela forte. No IMDb, a nota atual gira em torno de 5.2, o que reflete bem essa relação de "ame ou odeie" que o público tem com a obra.

Ficha técnica resumida:

  • Título Original: The Scarlet Letter

  • Diretor: Roland Joffé

  • Atores Principais: Demi Moore, Gary Oldman e Robert Duvall

  • Nota IMDb: 5.2/10

A trama e o cenário da Nova Inglaterra

A história se passa no século XVII, em uma comunidade puritana de Massachusetts. Basicamente, acompanhamos Hester Prynne, uma mulher que chega à colônia antes do marido e acaba se envolvendo em um caso proibido com o pastor da cidade. O resultado? Ela é condenada a carregar uma letra "A" vermelha (de adúltera) bordada no peito para o resto da vida.

O que eu acho interessante aqui não é só o romance, mas como o filme tenta mostrar o conflito entre o desejo individual e as regras rígidas de uma sociedade teocrática. As locações de filmagem ajudam muito nessa imersão. A produção foi rodada na Nova Escócia, no Canadá, em lugares como Shelburne e Yarmouth. Eles construíram vilas inteiras para dar aquele ar de realismo histórico que o cinema dos anos 90 adorava.

Trilha sonora e o polêmico reconhecimento

Um dos pontos altos do filme é a trilha sonora, composta por John Barry (o mesmo cara que fez temas icônicos de James Bond). A música é densa, clássica e traz uma elegância que eleva o tom das cenas mais dramáticas.

Sobre premiações, o cenário é curioso. O filme não foi exatamente um queridinho do Oscar. Na verdade, ele acabou levando o "prêmio" de Pior Remake ou Sequência no Framboesa de Ouro daquele ano. Por outro lado, Demi Moore recebeu indicações ao MTV Movie Awards como Melhor Atriz. Isso mostra como o filme navegou entre o desprezo da crítica especializada e o interesse do público que buscava entretenimento comercial.

Algumas curiosidades que você talvez não saiba

Se você gosta de bastidores, tem alguns detalhes sobre essa produção que são bem peculiares:

  • Mudança no final: A maior crítica dos leitores é que o filme altera drasticamente o desfecho do livro original de Nathaniel Hawthorne. A produção optou por algo mais "Hollywood" e menos trágico.

  • Sotaques: Gary Oldman, que é britânico, teve que trabalhar bastante para encontrar o tom certo do puritano americano daquela época.

  • Figurino: As roupas são extremamente detalhadas. A "Letra A" usada por Demi Moore foi pensada para ser quase um acessório de moda, o que gerou debates sobre a fidelidade ao material original.

No fim das contas, A Letra Escarlate é um filme sobre resistência e as consequências de se desafiar o status quo. Se você ignorar o barulho das críticas negativas e focar na fotografia e no embate entre Oldman e Duvall, tem ali uma experiência cinematográfica sólida para um fim de semana.