Sobreviventes Depois do Terremoto (Konkeuriteu yutopia)

 

Se você curte aquele tipo de cinema que te faz questionar o que você faria se o mundo acabasse amanhã, Sobreviventes Depois do Terremoto (Concrete Utopia) precisa estar na sua lista. Eu assisti recentemente e confesso que o clima de "farinha pouca, meu pirão primeiro" me deixou pensativo por um bom tempo.

Esqueça aqueles filmes de desastre de Hollywood cheios de explosões heróicas. Aqui a pegada é outra: é sobre sobrevivência pura, dura e, muitas vezes, bem cruel.

O cenário: Um único prédio em pé em Seul

A história começa com um terremoto massivo que simplesmente varre Seul do mapa. Tudo vira pó, exceto um único edifício: o Apartamento Hwang Gung.

O filme não perde tempo explicando o porquê do desastre, ele te joga direto no problema. De repente, os moradores desse prédio se veem como os únicos "sortudos" em um deserto de escombros e gelo. O título original, Concrete Utopia, faz todo o sentido quando você percebe que, para quem está lá dentro, aquele concreto é o paraíso, mas para quem está fora, é uma fortaleza impenetrável.

O que me prendeu foi ver como a ordem social se reconstrói do zero. Eles elegem um líder, criam regras e, rapidamente, o clima de comunidade vira algo muito mais sombrio.

Quem faz a engrenagem girar: Direção e Elenco

O diretor Um Tae-hwa mandou muito bem no ritmo. Ele consegue equilibrar o suspense com uma crítica social pesada sem parecer que está dando aula. O filme foi lançado oficialmente em agosto de 2023 (chegando ao Brasil no início de 2024) e já nasceu com cara de clássico do gênero.

Sobre o elenco, o destaque absoluto vai para Lee Byung-hun (que você deve lembrar de Round 6 ou O Mistério da Ilha). Ele interpreta Young-tak, o líder improvisado dos moradores. A transformação dele ao longo da trama é bizarra de boa.

Ao lado dele, temos Park Seo-joon e Park Bo-young vivendo um casal que tenta manter a humanidade enquanto tudo ao redor desmorona. É aquela dinâmica clássica: até onde você vai para proteger quem ama?

Sucesso de crítica e curiosidades dos bastidores

Se você liga para números, a nota no IMDb gira em torno de 6.7 a 7.0, o que eu acho justo, mas a recepção da crítica especializada foi ainda melhor. O filme foi o escolhido da Coreia do Sul para tentar uma vaga no Oscar de 2024, o que já mostra o nível da produção.

Aqui vão alguns pontos técnicos e curiosidades que valem o registro:

  • Premiações: O filme limpou o chão no Blue Dragon Film Awards (o Oscar coreano), levando Melhor Diretor e Melhor Ator para Lee Byung-hun.

  • Trilha Sonora: A música é econômica, mas precisa. Ela usa o silêncio e tons industriais para aumentar a sensação de isolamento.

  • Locações: Quase tudo foi filmado em sets construídos em estúdio na Coreia do Sul. Eles criaram uma réplica em escala real do prédio para dar o realismo necessário às cenas de destruição.

  • Curiosidade: O filme é baseado na segunda parte de uma webtoon muito famosa chamada Cheerful Outcast. Além disso, existe um "spin-off" na Netflix chamado Em Ruínas (com Ma Dong-seok), que se passa no mesmo universo, mas tem uma pegada bem mais voltada para a ação.

Por que você deveria dar uma chance?

Eu gosto de filmes que não me entregam respostas prontas. Sobreviventes Depois do Terremoto te coloca na parede. Em vários momentos, eu me peguei pensando se as atitudes dos moradores eram "vilania" ou apenas instinto básico de preservação.

Não é um filme leve para ver comendo pipoca sem prestar atenção. É tenso, visualmente cru e muito bem dirigido. Se você gostou de Parasita ou Expresso do Amanhã, a vibe de luta de classes e sobrevivência aqui vai te agradar em cheio.



Resident Evil 3: A Extinção (Resident Evil: Extinction)

 

Se você acompanhou a saga de Alice nos cinemas, sabe que o terceiro capítulo foi um divisor de águas. Enquanto os dois primeiros filmes ficavam presos aos ambientes fechados de Raccoon City, Resident Evil 3: A Extinção (ou Resident Evil: Extinction, no título original) decidiu colocar o pé na areia e mostrar que o fim do mundo é bem mais ensolarado e vazio do que a gente imaginava.

Assisti ao filme na época do lançamento, em setembro de 2007, e a mudança de tom foi nítida. Saímos do clima de terror claustrofóbico para uma pegada de "estrada", quase um Mad Max com zumbis. O diretor Russell Mulcahy, que tem no currículo o clássico Highlander, trouxe uma estética de deserto que deu um fôlego novo para a franquia, mesmo que o foco tenha mudado bastante em relação aos jogos.

O elenco e a ficha técnica de A Extinção

Para quem gosta de números e nomes, o filme mantém a base que funcionou antes. Milla Jovovich volta como Alice, mas agora ela não é apenas uma sobrevivente, é praticamente uma força da natureza. Ao lado dela, temos a volta de Oded Fehr como Carlos Oliveira e a estreia de Ali Larter no papel de Claire Redfield, uma das personagens mais icônicas dos games que finalmente deu as caras nas telonas.

O vilão da vez é o Dr. Isaacs, interpretado pelo sempre competente Iain Glen (o Jorah Mormont de Game of Thrones). Na nota do IMDb, o filme sustenta um 6.2 de 10. Não é uma obra de arte do cinema cult, mas para quem busca entretenimento de ação e ficção científica, ele entrega o que promete sem enrolação.

Locações de filmagem e o visual do deserto

Uma coisa que muita gente não sabe é que, apesar de a história se passar no deserto de Nevada, nos Estados Unidos, as filmagens aconteceram quase inteiramente no México. Lugares como Mexicali e San Felipe serviram de cenário para criar aquela imensidão de areia que engoliu a civilização.

Esse visual árido ajudou muito na fotografia do filme. Ver as ruínas de Las Vegas cobertas pela areia é uma das imagens mais marcantes da trilogia inicial. Esse esforço visual rendeu ao filme algumas indicações a prêmios de gênero, chegando a vencer o Scream Award de Melhor Filme de Ficção Científica em 2008.

Trilha sonora e a pegada sonora do filme

A música aqui faz um trabalho honesto de manter a tensão. A trilha sonora foi composta por Charlie Clouser, que você deve conhecer pelo trabalho em Jogos Mortais. Ele traz uma mistura de sons industriais com batidas pesadas que combinam muito com a correria no deserto.

Diferente dos filmes anteriores que usavam muito Nu Metal e bandas de rock pesado da época, a trilha de Clouser é mais atmosférica, focando no isolamento e na hostilidade do ambiente. É o tipo de som que você não percebe o tempo todo, mas que ajuda a ditar o ritmo frenético das cenas de luta.

Curiosidades que cercam o terceiro filme

Existem alguns detalhes de bastidores que deixam a experiência de rever o filme mais interessante. Por exemplo, a cena dos corvos, que é uma das melhores do longa, exigiu um trabalho imenso de efeitos práticos e digitais para parecer real. Outro ponto curioso é que este foi o primeiro filme da série a mostrar abertamente que o vírus T não afetou apenas os humanos, mas destruiu o ecossistema do planeta inteiro.

Além disso, a produção teve que lidar com tempestades de areia reais durante as gravações no México, o que acabou ajudando no realismo das cenas, apesar de ter atrasado o cronograma algumas vezes. Se você reparar bem, o desgaste das roupas e dos veículos parece muito autêntico, e o motivo é esse contato direto com o ambiente hostil.

No fim das contas, Resident Evil 3: A Extinção é um filme direto ao ponto. Ele expande o universo, apresenta novos poderes da protagonista e prepara o terreno para o que viria a seguir. Se você quer uma tarde de ação sem precisar pensar em tramas complexas, ele ainda é uma ótima pedida.