Resident Evil: O Hóspede Maldito (Resident Evil)

 

Sempre que penso em adaptações de jogos para o cinema, o primeiro nome que vem à cabeça é Resident Evil: O Hóspede Maldito. Lançado lá em 2002, esse filme não só tentou traduzir o clima de sobrevivência dos consoles para as telonas, como também deu início a uma franquia que durou anos. O filme, cujo título original é apenas Resident Evil, foi dirigido por Paul W.S. Anderson e trouxe uma abordagem que, na época, dividiu opiniões, mas que hoje é vista como um clássico cult do gênero de ação e terror.

Vou te contar um pouco sobre o que faz esse filme ser um marco, sem entregar nenhum detalhe que estrague a experiência se você ainda não assistiu.

A premissa e o comando de Paul W.S. Anderson

O filme nos apresenta a Alice, interpretada por Milla Jovovich, que acorda sem memória em uma mansão imensa. Logo ela descobre que aquela casa é apenas a entrada para "A Colmeia", um laboratório subterrâneo de alta tecnologia da Umbrella Corporation. O problema é que uma inteligência artificial chamada Rainha Vermelha selou o lugar e matou todo mundo lá dentro para conter um vírus.

Paul W.S. Anderson, que já tinha experiência com jogos em Mortal Kombat, assumiu a direção e o roteiro. Ele decidiu não seguir a história exata de nenhum jogo específico, mas sim criar um cenário novo dentro daquele universo. Foi uma escolha ousada que permitiu que o filme tivesse sua própria identidade, focando em um ritmo mais acelerado de ação.

O elenco e a trilha sonora pesada

Além da Milla Jovovich, que se tornou a cara da franquia, o elenco conta com Michelle Rodriguez, fazendo o papel da durona Rain Ocampo, Eric Mabius como Matt Addison e James Purefoy interpretando Spence. A dinâmica entre eles funciona bem para um filme que precisa entregar tensão constante.

No IMDb, o filme mantém uma nota sólida de 6.7, o que é bastante respeitável para o gênero de terror baseado em games. Outro ponto que eu acho fenomenal é a trilha sonora. Ela foi composta por Marco Beltrami em parceria com Marilyn Manson. O resultado é um som industrial, pesado e claustrofóbico que combina perfeitamente com os corredores metálicos da Colmeia. É o tipo de música que dita o tom de urgência de cada cena.

Onde a mágica aconteceu: locações e bastidores

Muita gente não sabe, mas a maior parte de Resident Evil: O Hóspede Maldito foi filmada na Alemanha, especificamente em Berlim e nos estúdios Babelsberg. Algumas cenas icônicas no metrô foram gravadas na estação de U-Bahn Bundestag, que na época ainda estava em construção. Esse visual frio e concreto ajudou muito a passar a sensação de um ambiente controlado e sem saída.

Quanto a premiações, o filme não foi exatamente um "queridinho" do Oscar, o que já era esperado. No entanto, ele recebeu indicações em prêmios focados em gênero, como o Saturn Award nas categorias de Melhor Filme de Terror e Melhor Atriz para Milla Jovovich. O sucesso comercial foi o que realmente garantiu o legado da obra, arrecadando mais de 100 milhões de dólares mundialmente.

Curiosidades que talvez você não saiba

Para fechar nossa conversa, separei alguns fatos interessantes sobre a produção que mostram como o filme poderia ter sido bem diferente:

  • George A. Romero: O pai dos filmes de zumbi chegou a escrever um roteiro para o filme, mas os produtores acharam que não estava no tom certo e o descartaram antes de chamarem o Anderson.

  • Referências a Alice no País das Maravilhas: O nome da protagonista e o uso de um espelho para entrar no laboratório são referências diretas à obra de Lewis Carroll.

  • O Licker: O monstro icônico que aparece no final foi feito com uma mistura de efeitos práticos e CGI, algo bem avançado para o orçamento da época.

  • Sem nome: Durante boa parte da divulgação, a personagem da Milla não tinha o nome "Alice" mencionado abertamente no filme, ele só aparece nos créditos.

O filme entrega exatamente o que promete: uma jornada tensa por um labirinto tecnológico cheio de perigos biológicos. Se você gosta de um bom suspense com estética militar do início dos anos 2000, vale muito o play.




Resident Evil 2: Apocalipse (Resident Evil: Apocalypse)

 

Se você curte a mistura de zumbis, correria e aquela estética industrial dos anos 2000, senta aí. Vamos trocar uma ideia sobre Resident Evil 2: Apocalipse, um filme que divide opiniões, mas que entregou exatamente o que prometeu na época: ação desenfreada e a expansão do caos que começou na Colmeia.

Eu lembro bem de quando ele saiu. A expectativa era ver como a Umbrella lidaria com o vazamento do vírus para a superfície. O resultado foi um longa que trocou o clima de claustrofobia do primeiro filme por uma guerra urbana em escala total.

O que você precisa saber sobre Resident Evil: Apocalypse

O título original é apenas Resident Evil: Apocalypse. Lançado oficialmente em 10 de setembro de 2004, o filme marcou a estreia de Alexander Witt na direção de longa-metragens. Witt era um veterano em unidades de ação, e isso fica bem claro no ritmo do filme.

Diferente do primeiro, aqui a escala aumenta. Saímos dos corredores apertados e vamos para as ruas de Raccoon City. A trama foca na tentativa de Alice e de um grupo de sobreviventes de escaparem da cidade antes que o governo — ou melhor, a Umbrella — resolva "limpar" a área de um jeito bem definitivo.

No IMDb, o filme sustenta uma nota 6.1, o que é honesto para o gênero. Ele não tenta ser um drama profundo; é um filme de sobrevivência com esteroides. Em termos de premiações, ele levou o Genie Award de Melhor Edição de Som, além de indicações em premiações voltadas para o público de cinema fantástico e de ação.

O elenco e a fidelidade aos jogos

Para muita gente, o ponto alto aqui é a introdução de personagens icônicos dos games. Milla Jovovich volta como Alice, já demonstrando as mutações causadas pelo T-Vírus, mas quem rouba a cena para os fãs é Sienna Guillory interpretando Jill Valentine. A caracterização da Jill está impecável, parece que saiu direto do PlayStation para a tela.

Além delas, temos:

  • Oded Fehr como Carlos Oliveira (um mercenário com bastante tempo de tela);

  • Thomas Kretschmann como o Major Cain;

  • Jared Harris como o Dr. Ashford.

Um detalhe técnico interessante: embora a história se passe nos EUA, as locações de filmagem foram quase todas em Toronto, no Canadá. Eles usaram a arquitetura da cidade para simular o caos urbano de Raccoon City durante as noites de filmagem, o que deu um tom cinzento e frio para a produção.

Trilha sonora e a pegada Metal

Se você gosta de uma trilha sonora que dita o ritmo da adrenalina, esse filme é um prato cheio. A trilha conta com nomes pesadíssimos como SlipknotMarilyn MansonThe Used e Killswitch Engage. É aquele som industrial e nu-metal que definia o cinema de ação daquela década.

A música não está lá só de fundo; ela ajuda a construir aquela sensação de urgência enquanto os personagens tentam cruzar a cidade. É o tipo de som que combina com o visual do Nemesis, a arma biológica definitiva que persegue o grupo durante boa parte da narrativa. Sem dar spoilers, o design do Nemesis ficou muito fiel ao que a gente conhecia, o que na época foi um alívio para quem jogava.

Curiosidades que você talvez não saiba

Todo filme desse porte tem seus bastidores curiosos. Separei alguns pontos que mostram o trabalho por trás das câmeras:

  • O peso do monstro: O ator Matthew G. Taylor, que interpretou o Nemesis, precisava carregar uma roupa que pesava cerca de 30 kg. Imagine fazer cenas de ação com esse peso todo nas costas.

  • Treinamento real: Sienna Guillory estudou os movimentos da Jill Valentine no jogo Resident Evil 3: Nemesis para conseguir replicar a postura e a forma como a personagem segurava as armas.

  • Cenas de ação: Milla Jovovich fez boa parte de suas próprias acrobacias, incluindo aquela descida vertical icônica na parede do prédio.

  • Marketing viral: Na época, a Sony criou uma campanha fingindo que a Umbrella Corporation era uma empresa real vendendo um produto chamado "Regenerate", o que gerou um buzz enorme na internet.

No fim das contas, Resident Evil 2: Apocalipse é um filme direto ao ponto. Ele expande o universo da franquia no cinema e entrega um entretenimento sólido para uma noite de fim de semana. Se você busca algo técnico e pé no chão, talvez não seja sua praia, mas se quer ver zumbis, explosões e personagens de videogame ganhando vida, ainda é um clássico moderno.