O Homem do Norte (The Northman)

 

Se você gosta de cinema que não tenta te agradar com fórmulas prontas, precisa parar um pouco para falar sobre O Homem do Norte (ou The Northman, no original). Assisti ao filme recentemente e a sensação é de levar um soco no estômago, mas daquele jeito que a gente gosta quando a obra é bem feita. O diretor Robert Eggers, o mesmo de A Bruxa e O Farol, entregou aqui uma experiência visceral sobre o que realmente era ser um viking, longe daquela visão romântica de Hollywood.

Neste texto, vou direto ao ponto sobre o que faz esse filme valer o seu tempo, sem enrolação e sem spoilers, para você entender o peso dessa produção.

O que esperar da direção de Robert Eggers

Falar de Robert Eggers é falar de obsessão por detalhes. O cara não brinca em serviço quando o assunto é fidelidade histórica. Em O Homem do Norte, lançado em abril de 2022, ele nos joga em uma Islândia do século X que parece tão real quanto suja. A trama é simples: um príncipe presencia o assassinato do pai e dedica a vida a uma promessa de vingança. É a base que inspirou Hamlet, de Shakespeare, mas com muito mais lama, sangue e misticismo.

A narrativa é direta. Eu gosto de como o filme não perde tempo tentando explicar demais o lado espiritual daquela cultura. Para os personagens, deuses e visões são tão reais quanto a espada que eles carregam, e o diretor filma isso com uma naturalidade impressionante.

Um elenco que carrega o peso do aço

O esforço físico do Alexander Skarsgård para esse papel é algo que salta aos olhos. Ele parece um animal enjaulado em cena. Mas o filme não vive só de músculos. O elenco é pesado:

  • Alexander Skarsgård como Amleth.

  • Nicole Kidman entregando uma das melhores atuações da carreira como a Rainha Gudrún.

  • Anya Taylor-Joy como Olga, trazendo um contraponto inteligente à força bruta.

  • Ethan Hawke e Willem Dafoe em participações que dão o tom místico necessário.

  • Björk, que faz uma aparição curta e memorável como uma vidente.

É o tipo de filme onde você sente que cada ator comprou a briga de estar ali, enfrentando o frio e o barro das locações.

Ficha técnica e curiosidades de O Homem do Norte

Para quem gosta de números e detalhes técnicos, organizei os pontos principais aqui embaixo. O filme tem uma nota 7.0 no IMDb, o que eu considero justo, embora ele mereça mais pelo rigor técnico.

InformaçãoDetalhes
Título OriginalThe Northman
Data de Lançamento22 de abril de 2022
DireçãoRobert Eggers
Trilha SonoraRobin Carolan e Sebastian Gainsborough
LocaçõesIrlanda do Norte e Islândia
PremiaçõesVenceu como Melhor Filme de Fantasia no Saturn Awards

A trilha sonora merece um parágrafo à parte. Esqueça orquestras bonitinhas. O som aqui é feito com instrumentos da época, percussão pesada e corais que parecem vir do fundo de uma caverna. É barulhento, rústico e te deixa tenso o tempo todo.

Curiosidades que mudam sua visão sobre o filme

Existem alguns fatos que tornam a experiência de assistir ainda melhor. Por exemplo, Alexander Skarsgård queria fazer um filme viking há anos e foi ele quem apresentou a ideia inicial para o Eggers.

Outro ponto é a escolha das locações. Embora a história se passe na Islândia, boa parte das filmagens aconteceu na Irlanda do Norte, devido à infraestrutura, mas as paisagens são tão parecidas que você não nota a diferença. Além disso, as cenas de luta foram coreografadas para serem feitas em planos-sequência (sem cortes), o que exigiu um ensaio absurdo de todo o elenco e da equipe técnica.

No fim das contas, O Homem do Norte é um filme sobre destino e as escolhas que fazemos quando somos consumidos por um único objetivo. Não é um filme de ação comum, é um épico histórico que exige atenção e estômago. Se você busca algo autêntico e visualmente impecável, dê o play sem medo.




Remando Para o Ouro (The Boys in the Boat)

 

Se você curte uma boa história de superação, mas sem aquele drama exagerado ou trilhas sonoras que tentam te forçar a chorar a cada cinco minutos, Remando Para o Ouro (título original: The Boys in the Boat) é um filme que merece sua atenção. Assisti recentemente e o que mais me chamou a atenção foi a pegada direta e técnica da produção.

Aqui não tem firula. É sobre trabalho duro, sincronia e como um grupo de sujeitos comuns, em plena Grande Depressão americana, conseguiu algo que parecia impossível.

O comando de George Clooney e o elenco

Muita gente não sabe, mas quem assina a direção é o George Clooney. Ele optou por uma estética bem clássica, sem invenções visuais mirabolantes, o que combina muito com a época em que a história se passa. O filme foi lançado oficialmente no final de 2023 (chegando aos cinemas e streamings por aqui logo depois) e foca na equipe de remo da Universidade de Washington.

No elenco, temos o Callum Turner como o protagonista Joe Rantz e o Joel Edgerton, que entrega uma atuação muito sólida como o treinador Al Ulbrickson. O Edgerton, inclusive, é aquele tipo de ator que não precisa falar muito para passar autoridade, o que cai como uma luva para o papel de um técnico de remo da velha guarda.

Notas, premiações e a parte técnica

Se você é do tipo que olha o IMDb antes de dar o play, o filme sustenta uma nota honesta de 7.0. Não é uma obra de arte que vai revolucionar o cinema, mas é um filme extremamente bem executado.

Sobre a parte técnica, vale destacar:

  • Trilha Sonora: Comandada pelo premiado Alexandre Desplat. É uma música que acompanha o ritmo das remadas sem atropelar os diálogos.

  • Premiações: O filme teve várias indicações em premiações de associações de críticos e guildas, principalmente pelo design de produção e pela trilha.

  • Locações: Embora a história se passe em Seattle, boa parte das filmagens rolou no Reino Unido, em lugares como os Cotswolds e o Rio Tâmisa, além de locações nos EUA para manter a fidelidade visual da época.

Curiosidades que fazem a diferença

O que eu achei mais interessante pesquisando os bastidores é o esforço dos atores. Eles não usaram dublês para as cenas de ação no barco na maior parte do tempo. O elenco passou por um treinamento intensivo de remo por meses antes das câmeras começarem a rodar. O objetivo era que eles remassem como uma unidade real, já que o remo é, talvez, o esporte que mais exige sincronia no mundo. Se um errar, o barco todo sofre.

Outro ponto curioso é que o filme é baseado no livro de não-ficção de Daniel James Brown, que entrevistou o Joe Rantz real pouco antes de ele falecer. A fidelidade com os detalhes técnicos dos barcos da época, feitos de cedro, também é um ponto alto para quem gosta de história e engenharia naval.

Por que vale a pena assistir?

Sem entregar spoilers, o filme segue a jornada desse time desde os testes de seleção até as Olimpíadas de Berlim em 1936. É um retrato interessante de como o esporte era visto como uma saída para a pobreza naqueles anos difíceis.

O ritmo é fluido e a narrativa é focada no objetivo. Se você gosta de filmes que mostram o valor do esforço físico e da disciplina mental, sem o "mela-mela" típico de Hollywood, Remando Para o Ouro é uma escolha certeira para o seu próximo fim de semana.