Avenida (Boulevard)

 

Estava navegando por alguns títulos menos óbvios esses dias e acabei parando em Boulevard. Se você busca aquele tipo de filme que te faz refletir sobre a vida sem precisar de explosões ou reviravoltas mirabolantes, esse aqui é uma escolha interessante. Foi o último trabalho dramático do Robin Williams, e só por isso já carrega um peso diferente.

Vou te contar o que achei do filme, passando pelos detalhes técnicos e o que faz essa obra ser o que é, sem entregar nada que estrague sua experiência.

O que você vai encontrar na trama de Boulevard

A história foca em Nolan Mack, um cara comum, na casa dos 60 anos, que trabalha no mesmo banco há décadas. Ele leva uma vida extremamente rotineira com sua esposa, Joy. Sabe aquela sensação de que a vida está no piloto automático? É exatamente onde o protagonista está.

Tudo muda quando, em uma noite qualquer, ele decide dirigir por uma rua diferente — a tal "avenida" ou boulevard que dá nome ao filme. Ali, ele conhece um jovem chamado Leo, e esse encontro casual acaba sendo o estopim para que Nolan comece a questionar todas as escolhas que fez até ali. Não é um filme de ação; é um estudo sobre identidade e a coragem de ser quem se é, mesmo que isso pareça tarde demais.

O elenco e a direção de Dito Montiel

O diretor Dito Montiel (conhecido por Santos e Demônios) conduz a narrativa de um jeito bem contido. Ele não tenta te forçar a sentir nada; ele apenas observa os personagens. O elenco ajuda muito a segurar essa barra:

  • Robin Williams: Entrega uma atuação minimalista. Esqueça o gênio da comédia; aqui ele está contido, silencioso e muito humano.

  • Kathy Baker: Faz o papel da esposa, Joy, e consegue transmitir toda a complexidade de um casamento de longa data.

  • Roberto Aguire: Interpreta Leo, o jovem que cruza o caminho de Nolan.

  • Bob Odenkirk: Sim, o nosso eterno Saul Goodman está no filme como o melhor amigo de Nolan, trazendo um contraponto interessante à seriedade da trama.

Detalhes técnicos e curiosidades que valem o registro

Para quem gosta de organizar a lista de filmes, aqui estão os dados "frios" que dão o contexto da produção:

InformaçãoDetalhes
Título OriginalBoulevard
Data de Lançamento17 de julho de 2015 (EUA)
Nota IMDb5.8/10
LocaçõesFilmado inteiramente em Nashville, Tennessee
Trilha SonoraComposta por Jimmy Haun

A trilha sonora é bem sutil, focada em criar uma atmosfera de introspecção. Sobre premiações, o filme não chegou a ser um "papa-Oscar", mas teve sua estreia mundial no prestigiado Tribeca Film Festival em 2014, onde a atuação de Williams foi bastante elogiada pela crítica especializada.

Uma curiosidade que muita gente não sabe: as filmagens aconteceram em Nashville não por acaso, mas para usar a arquitetura e as luzes da cidade para criar aquela sensação de isolamento urbano que o roteiro pedia.

Por que dar uma chance a este filme?

Olha, sendo direto: Boulevard não é um filme feliz, mas é um filme honesto. Ele fala sobre como a gente se esconde atrás de conveniências sociais para evitar conflitos internos. Ver o Robin Williams em um papel tão vulnerável é quase um privilégio, considerando que foi uma de suas últimas entregas ao cinema.

Se você está a fim de um drama maduro, que não te subestima e que foca mais no silêncio do que no barulho, vale o play. É o tipo de história que você termina de assistir, desliga a TV e fica uns minutos olhando para o nada, processando a própria rotina.




Paris Pode Esperar (Paris Can Wait)

 

Eu assisti a Paris Pode Esperar (Paris Can Wait) recentemente e a sensação é de que o filme é um lembrete visual de que a vida não precisa ser uma corrida constante. Às vezes, o desvio é melhor que o destino.

Se você está procurando um filme que entrega paisagens bonitas, gastronomia de primeira e uma narrativa que não tenta te manipular emocionalmente, esse aqui é uma escolha certeira. Vamos trocar uma ideia sobre o que faz esse longa valer o seu tempo.

O elenco e a direção por trás da viagem

Lançado oficialmente em maio de 2017, o filme marca a estreia de Eleanor Coppola na direção de ficção. Para quem não ligou o nome à pessoa, ela é a esposa de Francis Ford Coppola. O que impressiona é que ela escreveu e dirigiu esse projeto aos 80 anos, baseando a história em uma experiência real que viveu.

No elenco, temos Diane Lane como Anne, entregando uma atuação contida e muito elegante. Alec Baldwin faz o papel de Michael, o marido produtor de cinema que está sempre pendurado no telefone, e o ator francês Arnaud Viard interpreta Jacques, o guia que transforma uma viagem de sete horas em uma jornada de dois dias regada a vinho e queijos.

Por que o filme prende a atenção (mesmo sem pressa)

A trama é direta: Anne está em Cannes com o marido, mas por causa de uma dor de ouvido, não pode voar até Paris. Jacques, sócio de Michael, se oferece para levá-la de carro. O que deveria ser um trajeto funcional se torna um tour gastronômico e histórico pelo interior da França.

A narrativa é fluida porque não foca em grandes dramas ou reviravoltas mirabolantes. O conflito é sutil. É o embate entre o estilo de vida pragmático e acelerado do marido americano contra o jeito "bon vivant" e contemplativo do francês. O filme não tenta ser um romance meloso; ele é mais um "road movie" sobre redescoberta pessoal através dos sentidos.

Ficha técnica: IMDb, trilha e cenários de tirar o fôlego

Para quem gosta de números e detalhes técnicos, aqui vai o básico para você se situar:

  • Nota IMDb: 5.8 (é uma nota honesta para um filme de nicho, que divide opiniões entre quem busca ação e quem busca atmosfera).

  • Locações de filmagem: O filme é um cartão-postal. Passamos por CannesLyonVienneProvence e, finalmente, Paris.

  • Trilha Sonora: A música ficou por conta de Laura Karpman, que traz um tom leve e sofisticado que combina perfeitamente com o barulho das estradas francesas e o tilintar das taças de vinho.

  • Premiações: Não foi um filme de levar estatuetas para casa, mas teve uma recepção calorosa em festivais como o de Toronto (TIFF), principalmente pelo prestígio de Eleanor Coppola.

Curiosidades e os bastidores de Paris Pode Esperar

Uma coisa interessante que pouca gente sabe é que o roteiro é quase autobiográfico. A Eleanor Coppola realmente passou por essa situação de pegar uma carona com um sócio do marido e acabar descobrindo que não conhecia a França — nem a si mesma — tão bem quanto achava.

Outro ponto que notei é como a comida é tratada como um personagem. Não são apenas pratos em uma mesa; cada refeição serve para ditar o ritmo da conversa e o desenvolvimento da relação entre Anne e Jacques. Se for assistir, minha dica é: não faça isso com fome.

Se você curte filmes de viagem que focam mais na jornada do que no destino final, esse título merece um espaço na sua lista. É um conteúdo leve, bem produzido e visualmente impecável.