Vermelho, Branco & Sangue Azul (Red, White & Royal Blue)

 

Eu confesso que demorei um pouco para dar o play em Vermelho, Branco & Sangue Azul. Geralmente, essas comédias românticas que dominam as redes sociais seguem uma fórmula bem batida, mas decidi ver qual era a desse filme do Prime Video. O título original é Red, White & Royal Blue, baseado no livro da Casey McQuiston, e o que encontrei foi uma produção muito bem acabada, que entrega exatamente o que promete sem tentar ser mais profunda do que precisa.

Se você está buscando saber se vale o seu tempo, separei os pontos principais da produção, desde a ficha técnica até as curiosidades dos bastidores, para te ajudar a decidir.

O que você precisa saber sobre a produção

O filme estreou no dia 11 de agosto de 2023 e rapidamente se tornou um dos títulos mais assistidos da plataforma. A direção ficou por conta de Matthew López, que é um nome de peso no teatro (vencedor do Tony), e ele conseguiu transpor bem o ritmo da história para as telas.

No elenco, a química entre os protagonistas é o que sustenta o longa. Taylor Zakhar Perez interpreta Alex Claremont-Diaz, o filho da presidente dos EUA, enquanto Nicholas Galitzine dá vida ao Príncipe Henry, do Reino Unido. Outro destaque é a Uma Thurman, que interpreta a presidente Ellen Claremont com um sotaque sulista bem peculiar e uma postura firme.

Notas, prêmios e recepção do público

Se você é do tipo que olha os números antes de assistir, a nota no IMDb costuma flutuar em torno de 6.9, o que é uma média bem honesta para o gênero. Não é um filme que tenta reinventar o cinema, mas é tecnicamente muito competente.

Em termos de reconhecimento, o filme não passou batido nas premiações de nicho e de prestígio:

  • Venceu o GLAAD Media Award como Filme de Destaque em Streaming.

  • Recebeu uma indicação ao Primetime Emmy na categoria de Melhor Filme para Televisão.

É o tipo de filme que funciona bem tanto para quem é fã do livro quanto para quem só quer um entretenimento leve de fim de semana.

Trilha sonora e locações: a estética do filme

Um ponto que me chamou a atenção foi a ambientação. Embora a história se passe entre Washington e Londres, as locações de filmagem foram concentradas principalmente no Reino Unido. As cenas que simulam o interior da Casa Branca foram feitas em estúdios britânicos com um nível de detalhamento impressionante.

A trilha sonora também ajuda a ditar o tom da narrativa. Ela mistura composições originais de Drum & Lace com faixas de artistas como Vagabon e Oliver Sim. A música não é invasiva, ela serve mais para pontuar o contraste entre o protocolo rígido da realeza e a energia mais despojada da política americana.

Curiosidades que talvez você não saiba

Para quem gosta de detalhes de bastidores, existem alguns pontos interessantes sobre Vermelho, Branco & Sangue Azul:

  1. Testes de química: Os produtores afirmam que a química entre Taylor e Nicholas foi instantânea já nas leituras de roteiro via Zoom, o que é raro para produções desse tipo.

  2. O Diretor: Este foi o primeiro filme dirigido por Matthew López. Ele trouxe sua experiência da Broadway para garantir que os diálogos fossem ágeis.

  3. Figurino: Existe todo um trabalho de cores nas roupas dos personagens que reflete as bandeiras dos dois países, mas de forma sutil, sem parecer fantasioso.

No fim das contas, o filme é direto ao ponto. Ele resolve o conflito central sem enrolação e foca no desenvolvimento dos personagens. Se você gosta de uma história bem contada, com boa produção e um elenco que parece estar se divertindo, pode ir sem medo.




Resident Evil: Bem-Vindo a Raccoon City (Resident Evil: Welcome to Raccoon City)

 

Se você é fã de videogame, sabe que adaptar Resident Evil para o cinema sempre foi um terreno complicado. Depois de anos de filmes de ação frenética que pouco tinham a ver com o material original, em 2021 chegou Resident Evil: Bem-Vindo a Raccoon City. Eu assisti querendo ver aquela atmosfera sombria dos primeiros jogos, e o diretor Johannes Roberts realmente tentou resgatar essa raiz do terror de sobrevivência.

O filme, cujo título original é Resident Evil: Welcome to Raccoon City, foi lançado no Brasil em 2 de dezembro de 2021. A proposta aqui é clara: esquecer o que foi feito antes e focar no que aconteceu na Mansão Spencer e no Departamento de Polícia de Raccoon City.

O que esperar dessa nova adaptação

Diferente das versões anteriores, aqui a gente vê uma tentativa de misturar os dois primeiros jogos em uma única história. A trama se passa em 1998, o que já garante um clima nostálgico legal. No elenco, temos nomes conhecidos: Kaya Scodelario faz a Claire Redfield e Robbie Amell interpreta o Chris.

Também aparecem figuras icônicas como Jill Valentine (Hannah John-Kamen), Leon S. Kennedy (Avan Jogia) e o vilão Albert Wesker (Tom Hopper). O diretor, que também assina o roteiro, deixou claro que a intenção era fazer um filme de terror, e não apenas um "tiro, porrada e bomba". A nota no IMDb reflete bem a divisão de opiniões: está na casa dos 5.2, o que mostra que o filme agradou mais aos puristas do que ao grande público.

A ambientação e o som do caos

Uma coisa que me chamou a atenção foi o cuidado com os cenários. As locações de filmagem foram em Sudbury, no Canadá. O clima frio e cinzento daquela região ajudou muito a criar a sensação de uma cidade decadente e moribunda. Para quem jogou, entrar na delegacia de Raccoon City através da tela do cinema dá um certo arrepio de familiaridade.

A trilha sonora, composta por Mark Korven, segue a mesma linha. Ele é o mesmo cara que fez a música de A Bruxa, então você pode esperar sons bem desconfortáveis e atmosféricos, bem longe daquelas batidas eletrônicas dos filmes antigos. Sobre premiações, o longa não chegou a levar grandes estatuetas, mas teve algumas indicações em festivais focados em filmes de gênero e efeitos visuais.

Curiosidades que você precisa saber

Se você gosta de caçar detalhes, esse filme é um prato cheio. Aqui estão alguns pontos que achei interessantes:

  • Fidelidade visual: Muitos cenários foram recriados usando as plantas originais que a Capcom forneceu para a produção.

  • Easter eggs: Existem referências espalhadas em quase todas as cenas, desde o clássico sanduíche da Jill até o diário do guarda na mansão.

  • Aparência dos monstros: Os zumbis e as criaturas, como o Licker, foram desenhados para parecerem mais próximos dos conceitos artísticos dos jogos de PlayStation 1 e 2.

  • O clima noventista: O uso de tecnologias da época, como pagers e computadores antigos, ajuda a manter a imersão no ano de 1998.

Vale a pena dar o play?

No fim das contas, Resident Evil: Bem-Vindo a Raccoon City é um filme para quem quer ver os personagens que ama em uma situação de perigo real. Ele não tenta ser maior do que é, foca no terror claustrofóbico e entrega um fan service honesto. Se você busca uma experiência que respeite a cronologia e a estética da Capcom, é uma escolha sólida para o fim de semana.

O ritmo é direto, sem enrolação, e serve como uma boa porta de entrada para quem quer conhecer o universo sem precisar jogar dezenas de horas. É um filme de fã para fã, feito com um orçamento mais modesto, mas com bastante coração no lugar certo.