É Culpa da Alegria (Ode to Joy)

 

Se você está procurando algo para assistir que fuja do óbvio das comédias românticas melosas, senta aí. Vi É Culpa da Alegria (título original: Ode to Joy) outro dia e a premissa é, no mínimo, curiosa. Imagina um cara que simplesmente apaga toda vez que sente uma emoção forte — principalmente felicidade.

Não é invenção de roteirista preguiçoso; a condição existe e se chama cataplexia. O filme trata isso com um humor mais contido, sem forçar a barra, o que me agradou bastante.

O que você precisa saber sobre É Culpa da Alegria

Lançado em 2019, o filme é dirigido por Jason Winer, que já tem uma mão boa para comédia (ele dirigiu episódios de Modern Family). A história gira em torno de Charlie, interpretado pelo Martin Freeman (SherlockO Hobbit). O cara vive uma vida extremamente regrada e monótona para evitar qualquer pico de alegria.

Tudo vai "bem" no seu mundo cinza até que ele conhece Francesca, vivida pela Morena Baccarin (a brasileira que brilha em Deadpool). Ela é o oposto dele: vibrante, espontânea e, claro, um perigo constante para o equilíbrio emocional do Charlie. O elenco ainda conta com Melissa Rauch (a Bernadette de The Big Bang Theory) e Jake Lacy, que faz o irmão do protagonista.

Por trás das câmeras: locações e a pegada visual

O filme se passa e foi totalmente filmado em Nova York, especificamente no Brooklyn. Mas esqueça aquela Nova York agitada de filmes de ação. Aqui a cidade aparece mais charmosa, com livrarias, bibliotecas e parques. É um cenário que combina com o ritmo da narrativa, que é mais pé no chão.

trilha sonora é um ponto que merece atenção. O título original faz referência à Nona Sinfonia de Beethoven, então espere doses de música clássica misturadas a uma sonoridade mais contemporânea que dita o humor das cenas. É o tipo de som que ajuda a entender o estado mental do protagonista sem precisar de muitos diálogos.

Notas, premiações e a recepção do público

Se você é do tipo que olha o IMDb antes de dar o play, o filme sustenta uma nota média de 6.4. Não é uma obra-prima que vai mudar sua vida, mas cumpre o que promete: diverte com inteligência. No circuito de festivais, o filme não chegou a levar estatuetas de grande porte, mas foi bem recebido em exibições independentes pela forma leve como aborda uma condição médica real.

Um detalhe interessante é que o roteiro foi inspirado em um segmento do programa de rádio This American Life. Ou seja, a base da história veio de um relato real, o que dá um peso diferente para as situações bizarras que o Charlie enfrenta.

Vale o play? Algumas curiosidades

Para fechar o papo, separei alguns pontos que achei bacanas:

  • Realismo: Martin Freeman estudou o comportamento de pessoas com cataplexia para não transformar a queda em algo puramente pastelão.

  • Química: A dinâmica entre Freeman e Baccarin funciona porque eles não tentam ser o "casal perfeito". É uma relação estranha, cheia de obstáculos práticos.

  • Curiosidade: Muita gente assiste achando que é só mais uma "rom-com", mas o filme flerta com o drama de forma bem sutil ao mostrar como o medo de sentir algo bom pode isolar uma pessoa.

Se você quer ver um filme direto, com uma atuação sólida do Martin Freeman e uma história que não te trata como bobo, É Culpa da Alegria é uma boa pedida para o seu próximo tempo livre.




Sombras de Um Crime (Marlowe)

 

Sempre tive uma queda pelo clima dos filmes noir. Aquela atmosfera de fumaça, sombras e detetives que já viram de tudo na vida tem um charme difícil de ignorar. Recentemente, parei para assistir Sombras de um Crime (título original: Marlowe), e a experiência foi como reencontrar um velho conhecido em um bar mal iluminado.

O filme me chamou a atenção por trazer de volta Philip Marlowe, o lendário detetive particular criado por Raymond Chandler. Mas aqui tem um detalhe interessante: a história não é baseada em um livro do Chandler, mas sim na obra A Loira de Olhos Negros, escrita por John Banville. Se você curte uma narrativa direta e sem firulas, esse longa entrega exatamente essa pegada.

O time por trás da investigação

Para quem gosta de nomes de peso, esse filme não brinca em serviço. A direção ficou nas mãos de Neil Jordan, o cara que fez Entrevista com o Vampiro. Ele sabe criar um ambiente visualmente rico. No papel principal, temos Liam Neeson, que aqui completa a marca impressionante de 100 filmes na carreira. Ele interpreta um Marlowe mais velho, cansado, mas ainda muito afiado.

O elenco de apoio também é de primeira. Diane Kruger faz o papel da cliente misteriosa que coloca a trama em movimento, e a veterana Jessica Lange aparece para dar aquela aula de atuação que a gente já espera dela. O filme foi lançado oficialmente no início de 2023 e tenta resgatar aquele suspense clássico que hoje em dia anda meio raro nos cinemas.

O visual de Los Angeles gravado na Europa

Um dos pontos que mais me surpreendeu foram as locações de filmagem. Embora a história se passe na Los Angeles de 1939, a produção decidiu atravessar o oceano. O filme foi rodado em Barcelona, na Espanha, e em Dublin, na Irlanda. É curioso como conseguiram transformar as ruas europeias na Califórnia da década de 30. O trabalho de cenografia e figurino é impecável e ajuda muito a entrar no clima da história.

Acompanhando esse visual, a trilha sonora assinada por David Holmes é um show à parte. Ele usa muito jazz e tons mais graves que reforçam a sensação de perigo constante. É o tipo de música que você ouviria dirigindo à noite por uma estrada deserta. Não é barulhenta nem épica, é apenas o fundo perfeito para um detetive tentando ligar os pontos de um sumiço mal explicado.

Números, notas e algumas curiosidades

Se você é do tipo que olha as métricas antes de dar o play, a nota no IMDb gira em torno de 5.3. Pode parecer baixa para alguns, mas entendo que o filme foge do ritmo acelerado de ação que muita gente espera do Liam Neeson hoje em dia. É um filme de investigação lenta, de conversa e observação.

Sobre premiações, o longa teve uma passagem interessante pelo Festival de Cinema de San Sebastián, onde foi escolhido para o encerramento. Entre as curiosidades, vale destacar que o roteiro foi adaptado por William Monahan, o mesmo que escreveu Os Infiltrados. O cara entende de diálogos ácidos e personagens com moral duvidosa.

Vale a pena entrar nesse mistério?

Se você busca uma trama cheia de explosões, talvez esse não seja o seu filme. Mas se você aprecia um bom mistério de "quem matou" ou "onde está o corpo", Sombras de um Crime cumpre bem o papel. Ele respeita o legado dos detetives clássicos e entrega uma produção tecnicamente muito bonita.

O que eu mais gostei foi ver o Neeson saindo um pouco do papel de "justiceiro imbatível" para ser um homem comum, que apanha, erra e usa mais o raciocínio do que os punhos. É um entretenimento sólido para um fim de semana chuvoso.