Justiça Artificial (Mercy)

 

Fui conferir Mercy (2026) nos cinemas e, olha, o filme entrega exatamente o que promete: uma ficção científica direta ao ponto, sem enrolação sentimental. Se você gosta daquela pegada de "homem contra o sistema" misturada com tecnologia futurista, vale a pena entender o que está rolando nessa produção.

Aqui estão os detalhes que pesquei sobre o longa, sem entregar nada que estrague a sua experiência.

Onde a tecnologia encontra o tribunal

O filme, que no Brasil recebeu o título de Justiça Artificial, coloca a gente num futuro não muito distante onde o sistema judiciário foi "otimizado". A premissa é simples e tensa: um detetive, interpretado pelo Chris Pratt, se vê do outro lado da mesa. Ele é acusado de assassinar a própria esposa e tem apenas 90 minutos para provar que é inocente.

O detalhe? O juiz não é humano. Ele está sendo julgado por uma Inteligência Artificial avançada chamada Maddox, vivida pela Rebecca Ferguson. É aquele tipo de narrativa de "unidade de tempo" que mantém o ritmo acelerado, já que o cronômetro não para e a sentença, se ele falhar, é a execução imediata.

Ficha técnica e o peso do elenco

Para quem liga para os nomes por trás da câmera, a direção é do Timur Bekmambetov. Se você assistiu O Procurado (Wanted), já sabe que o cara gosta de um visual estilizado e cortes rápidos. O roteiro ficou nas mãos de Marco van Belle.

No elenco, temos uma mistura interessante:

  • Chris Pratt: Como o detetive Chris Raven.

  • Rebecca Ferguson: Como a fria Juíza Maddox (IA).

  • Kali Reis: No papel de Jaq, parceira de Raven.

  • Annabelle Wallis: Como Nicole Raven, a esposa.

  • Chris Sullivan e Kylie Rogers: Também fecham o time principal.

O filme estreou oficialmente em 23 de janeiro de 2026 nos Estados Unidos (chegando um dia antes, dia 22, em algumas salas brasileiras). No IMDb, a nota tem flutuado na casa dos 5.8, o que mostra que ele dividiu opiniões: o público parece estar gostando mais do entretenimento do que a crítica especializada, que pegou um pouco pesado com o ritmo.

Bastidores: Trilha, Locações e Curiosidades

Um ponto que me chamou a atenção foi a trilha sonora. Ela é assinada pelo Ramin Djawadi (o mesmo de Game of Thrones e Westworld). Dá para sentir aquele tom sintético e urgente que combina com o ambiente de alta tecnologia.

As filmagens rolaram majoritariamente em Los Angeles, o que faz sentido para a estética cyberpunk urbana que o filme tenta passar. E tem uma curiosidade de bastidor: logo no quarto dia de gravação, o Chris Pratt machucou feio o tornozelo e chegou a postar a foto do estrago nas redes sociais, mas seguiu o jogo.

Até agora, o filme ainda não limpou prateleiras em grandes premiações de cinema — o que é esperado para um thriller de ação lançado em janeiro —, mas já apareceu em listas técnicas de efeitos visuais e som.

Vale o ingresso?

Se você procura um filme com diálogos profundos e dramas existenciais, talvez saia frustrado. Agora, se quer um suspense de ficção científica que te deixa preso na cadeira pela tensão do tempo acabando, Mercy cumpre o papel. É um filme "masculino" no sentido de ser prático, focado na resolução do problema e na ação.

A dinâmica entre o Pratt (desesperado) e a Ferguson (uma máquina sem emoção) é o que sustenta a projeção. É interessante ver como o cinema de 2026 está refletindo esse nosso medo — ou fascínio — com a IA decidindo nossas vidas.




A Caixa Preta (Black Hollow Cage)

 

Gosto de filmes que não entregam tudo de bandeja. Recentemente, parei para assistir a A Caixa Preta (título original: Black Hollow Cage), um sci-fi espanhol de 2017 que foge bastante do óbvio. Se você espera explosões e naves espaciais, pode esquecer. O foco aqui é outro: uma narrativa psicológica, contida e bem desconfortável.

Vou te contar o que achei e o que você precisa saber sobre essa obra sem estragar a experiência com spoilers.

O que esperar da direção e da história

O filme é escrito e dirigido por Sadrac González-Perellón. Ele tem um estilo bem específico, com planos longos e uma estética minimalista. A trama gira em torno de Alice, uma menina que perdeu a mãe e um braço em um acidente e vive com o pai em uma casa isolada, cercada por florestas.

A vida deles muda quando Alice encontra um artefato estranho no bosque: uma caixa preta cúbica que parece ter o poder de alterar o tempo. O elenco é enxuto, o que ajuda a manter o clima de isolamento. Lowena McDonell entrega uma ótima atuação como a protagonista, acompanhada por Julian NicholsonHaydée Lysander e Marc Puiggener.

A atmosfera e as locações de filmagem

Uma das coisas que mais me chamou a atenção foi a ambientação. O filme foi rodado na Espanha, e a locação principal — uma casa de arquitetura modernista e fria no meio do nada — funciona quase como um personagem. Ela reforça a sensação de solidão e distanciamento entre os personagens.

A trilha sonora, composta por Sergio Ramis, segue essa mesma linha. É uma música atmosférica, por vezes eletrônica e melancólica, que pontua muito bem o mistério por trás da caixa. Não é o tipo de som que você ouve no rádio, mas dentro do contexto do filme, encaixa perfeitamente.

Nota IMDb, premiações e recepção

Se você é do tipo que decide o que assistir pela nota, A Caixa Preta tem uma média de 5.3 no IMDb. Pode parecer baixo para os padrões de blockbusters, mas para o gênero "sci-fi estranho", é uma nota comum. É um filme divisivo: ou você entra na onda da lentidão e do mistério, ou vai achar arrastado.

Apesar disso, o filme teve um reconhecimento importante no circuito de festivais. Ele venceu o prêmio de Melhor Longa-Metragem no Bucheon International Fantastic Film Festival (BIFAN), um dos maiores festivais de cinema de gênero do mundo, na Coreia do Sul. Isso mostra que, para quem gosta de ficção científica mais "cabeça", ele tem seu valor.

Curiosidades sobre Black Hollow Cage

Existem alguns detalhes que tornam a experiência de assistir a esse filme mais interessante:

  • O cão falante: Alice tem um cachorro que se comunica através de um dispositivo eletrônico. Isso dá um tom quase surrealista à história.

  • Baixo orçamento, alta estética: É um exemplo de como fazer um filme de ficção científica visualmente impactante sem precisar de centenas de milhões de dólares em efeitos especiais.

  • Influências: Dá para notar referências a diretores como Tarkovsky e até um pouco do terror moderno, embora ele se mantenha firme na ficção científica.

No fim das contas, Black Hollow Cage é um exercício de paciência e atenção. É um filme seco, direto e que exige que você monte o quebra-cabeça junto com a protagonista. Se você curte tramas sobre viagem no tempo com uma pegada mais filosófica e menos "ação de Hollywood", vale o play.