A Arma Secreta (Il Muto di Gallura)

 

Se você está procurando um filme que foge do óbvio, A Arma Secreta é um daqueles achados que merecem a sua atenção. Eu assisti recentemente e confesso que a pegada é bem diferente do que estamos acostumados no circuito comercial. Ele é um drama de época com uma atmosfera de suspense e crime muito densa, sem aquela enrolação sentimental que costuma estragar boas histórias de vingança.

Aqui vou te passar a real sobre a produção, o que vale a pena e os detalhes técnicos para você decidir se dá o play.

A história por trás do mito e o enredo

O filme, cujo título original é Il Muto di Gallura, nos transporta para a Sardenha do século XIX. A trama foca em uma disputa sangrenta entre duas famílias, os Vasa e os Mamia. O protagonista é Bastiano Tansu, um homem surdo-mudo que, por ser marginalizado e visto como um "filho do demônio" pela comunidade supersticiosa, acaba se tornando um assassino implacável.

A narrativa é seca e direta. Não espere heróis perfeitos, porque aqui o que manda é a lei da sobrevivência e a honra familiar levada ao extremo. É um filme sobre como o isolamento e o preconceito podem transformar alguém em uma lenda temida.

Direção e o elenco que carrega o peso do filme

Quem assina a direção é Matteo Fresi, que faz um trabalho muito honesto ao capturar a crueza daquela época. Ele optou por um ritmo mais cadenciado, deixando o visual falar por si só. No papel principal, temos Andrea Arcangeli, que entrega uma atuação visceral. Fazer um protagonista que não fala exige muito da expressão corporal, e ele manda muito bem sem precisar de diálogos expositivos.

Além dele, o elenco conta com nomes como Marco BullittaGiovanni Carroni e Syama Rayner. O lançamento oficial aconteceu em 2021 na Itália, chegando aos serviços de streaming no Brasil um pouco depois. No IMDb, o filme sustenta uma nota 6,2, o que eu considero justo para uma obra de nicho que não tenta agradar todo mundo.

Trilha sonora e locações que definem o clima

Se tem algo que me prendeu foi a ambientação. O filme foi gravado em locações reais na região da Gallura, na Sardenha, especificamente em lugares como Aggius. A paisagem de pedras e florestas fechadas é quase um personagem à parte.

A trilha sonora, composta por Silvia Nair, ajuda a manter aquela tensão constante. Não é uma música barulhenta de ação, mas algo que pontua a solidão do Bastiano e o perigo que espreita em cada esquina daquelas vilas de pedra. Tudo ali parece feito para te deixar um pouco desconfortável, o que combina perfeitamente com a proposta.

Curiosidades e o reconhecimento da crítica

Para quem gosta de saber os bastidores, aqui vão alguns pontos interessantes:

  • Baseado em fatos: A história é inspirada em um relato real do século XIX e foi adaptada do livro homônimo de Enrico Costa, um clássico da literatura da Sardenha.

  • Identidade real: Bastiano Tansu realmente existiu e sua fama de atirador de elite atravessou gerações, sendo considerado um dos bandoleiros mais famosos da Itália.

  • Premiações: O filme teve seu reconhecimento em festivais, sendo indicado ao prêmio de Melhor Filme no Torino Film Festival de 2021.

  • Linguagem: Em várias cenas, percebe-se a preocupação em manter o dialeto e os costumes locais, o que traz uma autenticidade absurda para a obra.

É um filme para ver com calma, prestando atenção nos detalhes. Se você curte histórias de crime com um pé no realismo histórico, vai gostar.




Jexi - Um Celular Sem Filtro

 

Se você é como eu, que não desgruda do celular nem para ir ao banheiro, o filme Jexi - Um Celular Sem Filtro vai bater de um jeito diferente. Eu assisti recentemente e resolvi trocar uma ideia com você sobre o que achei, sem enrolação e sem te entregar o final da história. É aquela comédia ácida que faz a gente repensar a nossa relação com a tecnologia, mas sem tentar ser profunda demais.

Do que se trata essa IA maluca?

A premissa é simples: conhecemos o Phil, interpretado pelo Adam Devine. O cara é o retrato de muita gente hoje em dia. Ele não tem vida social, não tem namorada e o melhor amigo dele é o smartphone. O problema começa quando ele precisa comprar um aparelho novo e ele vem com a Jexi, uma assistente virtual (dublada pela Rose Byrne) que não tem filtro nenhum.

Diferente da Siri ou da Alexa, que são educadas, a Jexi é abusiva, sarcástica e decide que a missão dela é transformar o Phil em um "homem de verdade", custe o que custar. Ela começa a postar coisas no perfil dele, manda e-mails que não deveria e vira a vida dele de cabeça para baixo. É aquele tipo de humor direto, às vezes meio pesado, mas que funciona bem para uma tarde de domingo.

Ficha técnica e bastidores

Se você gosta de saber quem está por trás das câmeras, os diretores são Jon Lucas e Scott Moore. Se esses nomes não te dizem nada, saiba que são os mesmos caras que escreveram Se Beber, Não Case!. Ou seja, já dá para saber o tom da piada, né?

  • Título original: Jexi

  • Data de lançamento: 11 de outubro de 2019

  • Direção: Jon Lucas e Scott Moore

  • Elenco principal: Adam Devine, Alexandra Shipp, Rose Byrne (voz), Ron Funches e Michael Peña.

  • Nota IMDb: 6,0/10 (uma nota justa para uma comédia descompromissada).

  • Premiações: O filme não chegou a levar nenhum Oscar ou prêmio de elite, o que já era esperado para o gênero, mas cumpriu bem o papel de bilheteria no streaming.

Trilha sonora e onde o filme aconteceu

A ambientação do filme é em São Francisco, na Califórnia. Faz todo o sentido ser lá, já que é o berço de toda essa cultura tech que o filme ironiza. As locações mostram bem aquele clima urbano e moderno das startups.

Quanto à trilha sonora, ela é bem atual e ajuda a ditar o ritmo frenético da Jexi tentando controlar o Phil. Tem faixas de artistas como Lizzo e Snap! (aquela clássica "The Power" aparece em um momento estratégico). A música serve para pontuar o absurdo das situações em que o Phil se mete por causa das notificações invasivas do celular.

Algumas curiosidades e o veredito

Uma coisa que achei interessante é que a voz da Jexi, feita pela Rose Byrne, foi gravada de um jeito bem monótono para parecer uma IA real, mas com um texto completamente agressivo. O contraste é o que gera a graça. Além disso, o Michael Peña faz um papel de chefe do Phil que é hilário, vale prestar atenção nele.

Vale a pena? Olha, se você quer um filme para desligar o cérebro e rir das situações ridículas que a dependência digital cria, pode dar o play. Não é uma obra-prima do cinema, mas é honesto na proposta. É um lembrete engraçado (e um pouco assustador) de que talvez a gente devesse olhar menos para a tela e mais para o mundo.