12 Heróis (12 Strong)

 

Cara, se você gosta de cinema que bota a gente dentro da ação, 12 Heróis (título original: 12 Strong) é um daqueles pratos cheios. Eu assisti recentemente e a pegada do filme é bem direta, sem muita enrolação sentimental, focando no que realmente interessa: a missão. Ele conta a história real da primeira equipe de Forças Especiais dos EUA que entrou no Afeganistão logo depois do 11 de setembro.

O que mais chama a atenção aqui não é só o tiroteio, mas o fato de que esses caras, em pleno século 21, tiveram que lutar montados em cavalos para conseguir avançar pelo terreno bizarro das montanhas afegãs. É um contraste visual muito doido ver soldados modernos com equipamentos de ponta usando táticas de cavalaria antiga.

O que esperar da trama de 12 Heróis

O filme, lançado em 19 de janeiro de 2018, não perde muito tempo tentando explicar a geopolítica do mundo. Ele foca na Unidade Operacional 595, liderada pelo capitão Mitch Nelson. Eles são enviados para uma missão quase suicida para se aliar a um senhor da guerra local e derrubar o Taliban.

A narrativa é fluida e o ritmo não cai. Diferente de outros filmes de guerra que tentam te fazer chorar a cada cinco minutos, esse aqui mantém o foco na estratégia e na tensão da sobrevivência. É o tipo de filme que você assiste prestando atenção nos detalhes da operação e na dificuldade que é operar em um território onde você não conhece ninguém e o inimigo está em todo lugar.

Quem está por trás e na frente das câmeras

A direção ficou por conta do Nicolai Fuglsig. Ele era fotógrafo de guerra antes de ser diretor, e dá para notar isso no visual do filme. Ele sabe como enquadrar a sujeira e o caos de um campo de batalha sem deixar a imagem confusa.

No elenco, o destaque principal é o Chris Hemsworth. Ele sai totalmente daquela aura de super-herói da Marvel para entregar um líder militar bem mais pé no chão. Além dele, temos o Michael Shannon, que sempre entrega atuações sólidas, e o Michael Peña, que traz um equilíbrio bom para o grupo. A química entre os atores faz você acreditar que aqueles caras realmente formam uma unidade que confia a vida um no outro.

Detalhes técnicos e bastidores da produção

Se você é do tipo que olha a nota antes de dar o play, o filme sustenta um 6.6 no IMDb. É uma nota justa para um filme que entrega exatamente o que promete: uma boa dose de adrenalina e uma história de coragem sem firulas.

Sobre a parte técnica, aqui vão alguns pontos interessantes:

  • Trilha Sonora: Foi composta por Lorne Balfe, um cara que já trabalhou com o Hans Zimmer e sabe criar aquele clima de tensão crescente.

  • Locações de filmagem: Apesar de se passar no Afeganistão, as gravações rolaram no Novo México, nos Estados Unidos. Lugares como Albuquerque e Socorro serviram perfeitamente para simular o terreno árido e montanhoso.

  • Premiações: O filme levou o prêmio de "Drama de 2018" no People's Choice Awards, o que mostra que ele caiu no gosto do público que busca entretenimento de qualidade.

Curiosidades que você precisa saber

Uma das coisas mais legais sobre esse filme é que ele é baseado no livro Horse Soldiers, do Doug Stanton. A história era tão secreta que o público só foi saber dos detalhes muitos anos depois que a missão aconteceu.

Outro detalhe curioso: os atores passaram por um treinamento militar pesado para aprenderem a manusear as armas e, principalmente, a cavalgar enquanto atiravam. Não é algo simples de coordenar, e o resultado na tela ficou bem realista. Além disso, existe um monumento real em Nova York, perto do Ground Zero, chamado America’s Response Monument, que foi inspirado justamente nesses doze homens que serviram de base para o roteiro.

Se você está procurando um filme de guerra que respeita a inteligência do espectador e foca na ação tática, 12 Heróis é uma escolha certeira para o seu próximo final de semana.




Sem Controle (Loveland)

 

Sabe aquele tipo de filme que você coloca sem esperar um blockbuster de ação, mas acaba preso pelo visual e pelo clima estranho? Foi o que aconteceu quando decidi assistir Sem Controle, que lá fora chamam de Loveland (ou Expired em alguns países). É uma ficção científica com uma pegada neo-noir, bem pé no chão, que foge daquela correria frenética de Hollywood.

Vou te contar o que achei e o que você precisa saber antes de dar o play, sem estragar a experiência com spoilers.

Por que resolvi assistir Sem Controle (Loveland)

Eu sempre curti histórias que usam o futuro para falar de sentimentos travados. O filme, lançado oficialmente em 18 de março de 2022, me pegou primeiro pelo visual. A trama foca no Jack, um assassino profissional que vive em uma Hong Kong futurista e começa a perceber que seu corpo está falhando de um jeito bizarro.

O título original, Loveland, faz muito mais sentido quando você entende que o conflito dele piora justamente quando ele se envolve com uma cantora de boate. O diretor é o Ivan Sen, um cara que tem um estilo bem autoral. Ele não só dirigiu, mas também escreveu, produziu e cuidou da fotografia. Dá para sentir que o filme é a visão exata que ele queria passar: algo frio, seco e esteticamente impecável.

O visual de Hong Kong e a direção de Ivan Sen

Se tem uma coisa que não dá para colocar defeito é onde esse filme foi gravado. As locações de filmagem se dividem entre a densidade urbana de Hong Kong e o suporte técnico na Gold Coast, na Austrália. Essa mistura criou um ambiente que parece sufocante e tecnológico ao mesmo tempo.

A narrativa é lenta. Se você gosta de filmes que "cozinham" o espectador, vai curtir. O Ivan Sen tem essa característica de deixar a câmera parada, observando o silêncio dos personagens. Não espere explosões a cada dez minutos. O foco aqui é o declínio físico e mental do Jack enquanto ele tenta entender o que está acontecendo com ele.

O elenco e a trama sem entregar o ouro

Quem segura o filme é o Ryan Kwanten (o Jack). Ele entrega um personagem bem contido, quase sem expressão, o que combina com a vida de um matador. Ao lado dele, temos a Jillian Nguyen, que faz a April, a peça que desestabiliza a rotina dele.

Mas, para mim, o ponto alto é ver o Hugo Weaving em cena. O eterno Agent Smith de Matrix aqui faz o Dr. Bergman. Ele é o cara que traz as explicações mais densas e dá um peso dramático maior para a história. O elenco é enxuto, o que ajuda a manter o foco na solidão de cada um deles naquele mundo hiperconectado, mas vazio de afeto.

Notas, trilha sonora e curiosidades de bastidores

Se você for pelo IMDb, a nota está na casa dos 4.5. Eu sei, parece baixo, mas é um filme divisivo. Muita gente espera uma ação desenfreada e recebe um drama contemplativo. Sobre premiações, o filme circulou bem em festivais de gênero e ficção científica, sendo indicado em categorias técnicas de festivais australianos (AACTA Awards) pela fotografia e design de produção.

Aqui vão alguns pontos interessantes para você notar:

  • Trilha Sonora: A música também é assinada pelo próprio Ivan Sen. É minimalista, eletrônica e ajuda a criar aquele clima de isolamento.

  • Curiosidade: O diretor Ivan Sen é conhecido por fazer quase tudo sozinho em seus filmes. Ele é o que chamamos de "exército de um homem só" no cinema independente.

  • Temática: O filme explora muito a ideia de como a tecnologia pode esterilizar as relações humanas, um tema bem atual para 2026.

No fim das contas, Sem Controle é uma experiência visual. É o tipo de filme para ver à noite, com luz baixa, prestando atenção nos detalhes da cidade e no silêncio dos atores. Se você busca algo profundo e menos óbvio, vale o tempo.