Indiana Jones e a Relíquia do Destino (Indiana Jones and the Dial of Destiny)

 

Depois de décadas acompanhando as aventuras do arqueólogo mais famoso do cinema, finalmente sentei para ver o capítulo final. Indiana Jones e a Relíquia do Destino (ou Indiana Jones and the Dial of Destiny, no original) chegou com a responsabilidade pesada de fechar a conta de uma franquia que moldou o gênero de aventura. O filme foi lançado oficialmente em junho de 2023 e, desde então, tem gerado conversas interessantes sobre como envelhecer com dignidade na tela.

Vou te contar o que achei desse fechamento, focando no que realmente importa para quem gosta de cinema, sem entregar nenhuma surpresa da trama.

O contexto dessa última jornada

A história nos coloca em 1969, no auge da corrida espacial. Encontramos um Indiana Jones prestes a se aposentar, vivendo em um mundo que parece não ter mais espaço para quem procura relíquias antigas em cavernas. É um ponto de partida interessante porque humaniza o herói. Ele não é mais aquele jovem que saltava de tanques de guerra com facilidade, e o roteiro sabe usar isso a seu favor.

James Mangold assumiu a direção, sendo o primeiro a ocupar a cadeira que antes era exclusiva de Steven Spielberg. Mangold entregou um filme com um tom mais sóbrio, mas que ainda mantém o DNA da série: perseguições, enigmas históricos e aquele clima de urgência que a gente já conhece.

Detalhes técnicos e o peso do elenco

Para quem liga para números e recepção, o filme hoje segura uma nota de 6.6 no IMDb. É uma média honesta para uma produção desse tamanho. No elenco, Harrison Ford prova que nasceu para esse papel, mas ele ganha reforços de peso. Phoebe Waller-Bridge traz um fôlego novo como Helena Shaw, e o Mads Mikkelsen faz o que sabe fazer de melhor: um vilão inteligente e contido. Até o Antonio Banderas aparece para dar as caras em uma participação menor.

Sobre premiações, o destaque ficou para a trilha sonora, que rendeu uma indicação ao Oscar. E não poderia ser diferente, já que estamos falando do lendário John Williams voltando para reger os temas que a gente assovia desde criança. É o tipo de música que, só de começar, já te coloca dentro do clima do filme.

Onde a mágica aconteceu e os cenários

Uma das coisas que sempre me chamou a atenção em Indiana Jones são as locações. Eles não economizaram aqui. As filmagens passaram pelo Reino Unido, com cenas em Glasgow e na costa de Northumberland, e foram até a Sicília, na Itália, além do Marrocos. Essa variedade de cenários ajuda a dar aquela sensação de "viagem pelo mundo" que é marca registrada da franquia.

Visualmente, o filme é muito bem acabado. Existe um esforço visível em misturar os efeitos práticos com a tecnologia atual, tentando manter a estética dos filmes dos anos 80, mesmo com as facilidades digitais de hoje em dia.

Curiosidades que valem o registro

Se você gosta de saber o que rola nos bastidores, tem alguns pontos bem curiosos sobre essa produção:

  • Tecnologia de rejuvenescimento: A sequência de abertura usa uma tecnologia de ponta para mostrar um Indiana Jones jovem. É impressionante como conseguiram resgatar as feições do Ford na época de Os Caçadores da Arca Perdida.

  • A idade de Ford: Harrison Ford estava com 80 anos durante as filmagens. Ele fez questão de realizar várias de suas próprias acrobacias, o que mostra o comprometimento do cara com o personagem.

  • Despedida real: Este foi confirmado como o último filme da franquia com Ford no papel principal. É, de fato, o fim de uma era para o cinema de entretenimento.

No fim das contas, o filme entrega uma conclusão respeitosa. Não tenta reinventar a roda, mas trata o legado do personagem com o cuidado que ele merece. Se você ainda não viu, vale o ingresso pelo valor histórico e pela chance de ver o chapéu e o chicote em ação uma última vez.



A Estrada (The Road)

 

Cara, se você está procurando um filme para passar o tempo sem pensar em nada, A Estrada (The Road) não é esse filme. Eu assisti de novo hoje e ele continua me acertando em cheio. Não é sobre zumbis ou explosões; é sobre o que sobra de nós quando o mundo acaba.

Aqui vou te contar por que essa obra de 2009, dirigida pelo John Hillcoat, ainda é uma das visões mais cruas do pós-apocalipse que eu já vi, sem dar nenhum spoiler da trama.

O peso do título original: The Road

O filme é baseado no livro do Cormac McCarthy, e o título original The Road diz exatamente o que você vai encontrar: uma jornada linear e implacável. A história segue um pai (Viggo Mortensen) e seu filho (Kodi Smit-McPhee) tentando sobreviver em um mundo cinza, onde o sol não aparece mais e a comida praticamente acabou.

É um filme seco. A fotografia é lavada, sem cores vibrantes, o que passa uma sensação de frio constante. Lançado nos cinemas em 25 de novembro de 2009, o longa não tenta te ganhar pelo espetáculo, mas pela honestidade brutal de como seria o fim da civilização.

O elenco e o adeus ao gigante Robert Duvall

O trabalho de atuação aqui é de outro nível. O Viggo Mortensen entregou tudo, mas o que me trouxe de volta a esse filme hoje foi a notícia da partida do Robert Duvall. Ele interpreta o "Velho", um sobrevivente que o pai e o filho encontram pelo caminho.

Duvall sempre foi um monstro sagrado do cinema, e em A Estrada ele traz uma humanidade cansada que faz você parar para respirar. Ele faleceu hoje, e rever sua participação nesse filme é uma forma de honrar um dos maiores atores que já pisaram em um set. Ele não precisava de muito tempo de tela para dominar a cena.

Além dele, temos a Charlize Theron em flashbacks que dão um contexto doloroso para o vazio que o protagonista sente.

Bastidores, locações reais e a trilha de Nick Cave

Uma coisa que muita gente não sabe é que aqueles cenários destruídos não são só computação gráfica. A produção rodou o filme em locações reais na Pensilvânia, Louisiana e Oregon. Eles usaram áreas atingidas pelo furacão Katrina e trechos de estradas abandonadas para dar aquele ar de desolação autêntica.

A trilha sonora também ajuda a ditar o tom. Foi composta por Nick Cave e Warren Ellis. Se você conhece o trabalho do Nick Cave, sabe que ele não faz nada alegre. É uma música minimalista, meio assombrada, que gruda na cabeça e te deixa no clima de tensão que o filme pede.

Algumas curiosidades sobre a produção:

  • Viggo Mortensen dormia com suas roupas de cena para que elas parecessem realmente gastas e sujas.

  • Ele também perdeu bastante peso para parecer um homem que não come direito há anos.

  • O filme evita explicar o que causou o fim do mundo, mantendo o foco no comportamento humano.

Nota no IMDb e reconhecimento da crítica

Se você liga para números, A Estrada tem uma nota 7.2 no IMDb. É uma nota sólida, especialmente para um filme que é pesado e não agrada quem busca entretenimento fácil.

Em termos de premiações, ele não foi o queridinho do Oscar, mas teve indicações importantes, incluindo no BAFTA (Melhor Fotografia) e no Festival de Veneza, onde o diretor John Hillcoat concorreu ao Leão de Ouro. É o tipo de filme que a crítica respeita pelo rigor técnico e pela coragem de ser triste.

No fim das contas, A Estrada é um teste de resistência emocional. É sobre a relação entre pai e filho e até onde a ética sobrevive quando a fome aperta. Se você curte cinema de sobrevivência que te faz pensar por dias, precisa ver (ou rever) essa obra.