Ela (Her)

 

Sentei para rever Ela (Her, título original) esses dias e é impressionante como um filme de 2013 consegue ser mais atual agora, em 2026, do que quando foi lançado. Na época, a ideia de um cara se apaixonar por um sistema operacional parecia uma ficção científica distante, quase um exagero. Hoje, com a IA batendo na nossa porta todo dia, a história soa como um documentário sobre o futuro próximo.

Vou te contar por que esse filme do diretor Spike Jonze continua sendo uma das obras mais inteligentes da última década, sem entregar nenhuma surpresa da trama para quem ainda não assistiu.

O que faz de Ela um filme tão fora da curva?

A premissa é simples: Theodore Twombly, interpretado de forma absurda pelo Joaquin Phoenix, é um homem solitário que trabalha escrevendo cartas pessoais para outras pessoas. Ele está passando por um divórcio complicado e decide instalar um novo sistema operacional dotado de inteligência artificial. É aí que surge Samantha, a voz da Scarlett Johansson.

O elenco ainda conta com nomes de peso como Amy AdamsRooney Mara e Olivia Wilde. O que me agrada na narrativa é que o filme não tenta te convencer de que aquilo é bizarro. Ele foca na relação, na evolução da consciência da máquina e em como o ser humano preenche lacunas emocionais com tecnologia. É um olhar sóbrio e muito bem construído sobre a solidão moderna.

Reconhecimento, crítica e a nota no IMDb

Se você liga para números, o filme manda muito bem. No IMDb, ele sustenta uma nota 8.0, o que é bem alto para um drama desse gênero. Mas o brilho real veio nas premiações. Ela levou o Oscar de Melhor Roteiro Original em 2014, além de ter sido indicado em outras quatro categorias, incluindo Melhor Filme.

A crítica não economizou elogios para a direção de Spike Jonze, que conseguiu criar um futuro que não parece frio ou cheio de robôs de metal. É um futuro "quente", com cores pastéis e roupas que lembram o passado, o que torna tudo muito mais verossímil e próximo da nossa realidade.

A trilha sonora e o visual de Xangai

Um dos pontos altos, e que eu sempre recomendo prestar atenção, é a trilha sonora. Ela foi composta pela banda Arcade Fire em parceria com Owen Pallett. A música é minimalista, melancólica na medida certa e ajuda a ditar o ritmo lento e introspectivo do filme.

Outra coisa curiosa são as locações. Para criar aquela Los Angeles futurista e densa, a produção filmou muita coisa em Xangai, na China. Aqueles prédios enormes e as passarelas suspensas que você vê o Theodore atravessando são, em grande parte, cenários reais de lá, misturados com um pouco de computação gráfica para dar o toque final.

Curiosidades que mudam a percepção do filme

Existem alguns detalhes de bastidores que eu acho sensacionais. Por exemplo, a Scarlett Johansson nem estava no set durante as filmagens. Originalmente, outra atriz (Samantha Morton) gravou todas as falas da IA no set. Só na pós-produção o Spike Jonze decidiu mudar a "energia" da voz e chamou a Scarlett para regravar tudo do zero.

Além disso, o design de produção tomou uma decisão curiosa: não existe a cor azul em quase nenhum lugar do filme. O objetivo era manter uma paleta de cores quentes (vermelhos, laranjas e amarelos) para contrastar com o tema, que teoricamente seria "frio" por envolver tecnologia.

Se você está procurando um filme que te faça pensar sobre onde estamos indo como sociedade, sem cair em clichês de ação ou drama barato, Ela é a escolha certa. É direto, honesto e visualmente impecável.


Esqueceram de Mim 2 - Perdido Em Nova York (Home Alone 2: Lost in New York)

 

Cara, se tem um filme que eu não canso de rever quando chega o final do ano, esse filme é Esqueceram de Mim 2 - Perdido Em Nova York. Eu sei, muita gente diz que sequências raramente superam o original, mas aqui a gente tem um caso onde a fórmula foi repetida com uma escala muito maior. Em vez de uma casa nos subúrbios de Chicago, o moleque está solto na maior metrópole do mundo.

Vou te contar por que esse clássico de 1992 ainda segura a onda e o que faz dele um item obrigatório na lista de qualquer pessoa que curte um bom cinema de entretenimento.

O retorno de Kevin McCallister e o caos em Manhattan

O título original é Home Alone 2: Lost in New York e a premissa é aquela que a gente já conhece, mas com um upgrade geográfico. Exatamente um ano depois dos eventos do primeiro filme, a família McCallister decide viajar novamente, só que dessa vez o destino é a Flórida. No meio da confusão do aeroporto, Kevin acaba seguindo um cara que veste o mesmo casaco do pai dele e para em um avião com destino a Nova York.

O diretor Chris Columbus foi muito inteligente aqui. Ele não tentou reinventar a roda, ele apenas trocou o cenário. Kevin, interpretado pelo Macaulay Culkin no auge do seu carisma, agora tem o cartão de crédito do pai e a cidade inteira para explorar. É interessante ver como o roteiro coloca ele de volta no caminho dos "Bandidos Molhados", que agora se autointitulam "Bandidos Grudentos".

O elenco de peso e a direção de Chris Columbus

Uma das coisas que mais me agrada nesse filme é o elenco. Além do Macaulay, temos a volta da dupla dinâmica de vilões: Joe Pesci (Harry) e Daniel Stern (Marv). A química desses dois é absurda, eles funcionam como uma engrenagem de desenho animado na vida real. Catherine O'Hara também volta como a mãe desesperada, entregando aquela atuação sólida de sempre.

A direção de Columbus mantém o ritmo acelerado. O filme foi lançado oficialmente em 20 de novembro de 1992 e conseguiu manter a essência do original sem parecer uma cópia barata. Na verdade, tudo parece mais caro e bem produzido. O garoto não está mais apenas se defendendo, ele está dominando a cidade.

Locações icônicas e a trilha sonora de John Williams

Nova York é praticamente um personagem no filme. As locações de filmagem são pontos turísticos que hoje todo mundo quer visitar por causa do Kevin. Tem o Hotel Plaza, onde ele se hospeda com o cartão do pai, o Central Park (especialmente a ponte onde ele conhece a mulher dos pombos) e o Rockefeller Center, com aquela árvore de Natal gigante que é o cenário de um dos momentos mais memoráveis do filme.

E não dá para falar de Esqueceram de Mim 2 sem mencionar a trilha sonora. O mestre John Williams voltou para compor a música e o resultado é aquela sensação imediata de nostalgia. Sempre que ouço o tema principal, já me sinto no clima de feriado. É uma trilha que conduz a aventura e a comédia com uma precisão que poucos compositores conseguem atingir.

Notas, prêmios e algumas curiosidades de bastidores

Se você for olhar no IMDb, o filme mantém uma nota respeitável de 6.9, o que é excelente para uma comédia familiar dessa época. Em termos de premiações, ele levou o People's Choice Award de Filme de Comédia Favorito, provando que o público realmente abraçou a sequência tanto quanto o primeiro.

Existem algumas curiosidades que eu acho sensacionais sobre essa produção:

  • O "Talkboy", aquele gravador de voz que o Kevin usa, foi criado originalmente apenas como um acessório para o filme, mas a demanda foi tão grande que acabaram lançando o brinquedo na vida real.

  • A participação de Donald Trump no saguão do Hotel Plaza aconteceu porque ele era o dono do hotel na época e exigiu aparecer no filme para permitir as gravações lá dentro.

  • Macaulay Culkin recebeu um cachê de 4,5 milhões de dólares, um valor recorde para um ator mirim naquele tempo.

É um filme direto, sem enrolação e que entrega exatamente o que promete. Se você quer uma diversão garantida, sem precisar pensar muito em tramas complexas, rever o Kevin em Nova York é sempre uma boa escolha.