Thomas Crown: A Arte do Crime (The Thomas Crown Affair)

 

Sempre que me perguntam sobre filmes de assalto que realmente valem o tempo, Thomas Crown: A Arte do Crime (ou The Thomas Crown Affair) é o primeiro que me vem à cabeça. Não é aquele tipo de filme com explosões por todos os lados ou perseguições genéricas. É um jogo intelectual. Eu gosto de como ele trata o crime como uma forma de arte e o tédio de um bilionário como o motor de tudo.

Lançado em 6 de agosto de 1999, o filme é um remake de um clássico de 1968, mas, honestamente, Pierce Brosnan e Rene Russo entregam uma química que o original rala para acompanhar. Se você procura sofisticação e um roteiro que não te trata como idiota, esse é o plano perfeito para o sofá hoje à noite.

O bilionário que decidiu roubar por esporte

A trama gira em torno de Thomas Crown, interpretado por Pierce Brosnan. O cara tem tudo: dinheiro, influência e sucesso. O problema? Ele está entediado. Para se sentir vivo, ele planeja e executa o roubo de um quadro de Monet em pleno Museu Metropolitano de Arte de Nova York. Sem armas, sem violência, apenas pura inteligência.

É aí que entra Catherine Banning (Rene Russo), uma investigadora de seguros que é tão sagaz quanto ele. O filme vira uma caça de gato e rato onde você nunca sabe quem está seduzindo quem. O diretor John McTiernan — o mesmo de Duro de Matar — trocou a ação bruta por uma tensão elegante que funciona muito bem. No IMDb, o filme mantém uma nota respeitável de 6.8, o que eu acho até baixo para a qualidade técnica que ele entrega.

Bastidores, trilha sonora e o visual impecável

Um dos pontos altos para mim é a trilha sonora. A música "Sinnerman", da Nina Simone, é usada de um jeito magistral na cena do museu. Dá um ritmo hipnotizante para a sequência. Além dela, o compositor Bill Conti criou uma atmosfera que mistura o clássico com o moderno de um jeito muito fluido.

Visualmente, o filme é um deleite. As locações de filmagem ajudam muito:

  • Nova York: A energia urbana e o glamour dos escritórios de Manhattan.

  • Martinica: As cenas na ilha trazem um contraste solar e luxuoso que dão respiro à trama.

Embora não tenha sido um "papa-Oscars", o filme levou o prêmio de Melhor Trilha Sonora no Satellite Awards e teve várias indicações em premiações de entretenimento da época, consolidando-se como um sucesso de público e crítica.

Curiosidades que fazem a diferença

Sempre gosto de observar os detalhes que passam batido. Por exemplo, a atriz Faye Dunaway, que foi a protagonista na versão original de 1968, aparece aqui fazendo o papel da psiquiatra de Crown. É uma passagem de bastão bem elegante.

Outra coisa bacana é a referência ao quadro "O Filho do Homem", de René Magritte. Aquela imagem do homem de chapéu-coco com a maçã no rosto é usada de uma forma brilhante no clímax do filme. Ah, e se você gosta de barcos e adrenalina, as cenas com o catamarã foram filmadas com o próprio Brosnan em boa parte do tempo, sem dublês em alguns trechos de navegação.

Por que você deveria assistir hoje

No fim das contas, Thomas Crown: A Arte do Crime é sobre estilo. É um filme que envelheceu muito bem porque não depende de tecnologia de ponta, mas de inteligência e carisma. Pierce Brosnan talvez nunca tenha estado tão confortável em um papel quanto aqui, e Rene Russo entrega uma personagem feminina forte, decidida e que não fica à sombra de ninguém.

Se você quer ver um assalto impecável, diálogos rápidos e uma estética que transborda luxo sem ser cafona, esse filme é a escolha certa. É o tipo de cinema que te faz querer tomar um bom vinho e planejar algo audacioso — mesmo que seja só mudar a decoração da sala.



O Demolidor (Demolition Man)

 

Sempre que penso em filmes de ação dos anos 90 que realmente envelheceram como um bom vinho (ou pelo menos como uma previsão bizarra do futuro), O Demolidor (Demolition Man), de 1993, encabeça a lista. É aquele tipo de filme que entrega o que promete: porrada, explosão e uma sátira social que hoje faz mais sentido do que na época em que foi lançado.

Vou te contar por que esse clássico do Sylvester Stallone ainda merece um espaço na sua tela, sem entregar nenhuma surpresa da trama.

O que você precisa saber sobre O Demolidor

Para começar o papo, o título original é Demolition Man. O filme chegou aos cinemas em outubro de 1993, sob a direção de Marco Brambilla. Se você gosta de ação de verdade, o elenco aqui é pesado: Sylvester Stallone faz o policial durão John Spartan, e Wesley Snipes dá vida ao vilão Simon Phoenix.

Na época, o filme também apresentou ao grande público a Sandra Bullock, que interpreta a Tenente Lenina Huxley. Ela traz um equilíbrio legal para a testosterona da dupla principal. No IMDb, o filme segura uma nota respeitável de 6.7, o que é bem alto para um gênero que muita gente rotula apenas como "filme de explosão".

Uma visão peculiar de 2032

A história começa no caos de Los Angeles em 1996, mas logo salta para o ano de 2032. O contraste é o que faz o filme ser único. Saímos de uma cidade destruída pela violência para entrar em San Angeles, uma utopia onde o crime praticamente não existe, as pessoas são extremamente polidas e... bom, digamos que as interações sociais mudaram bastante.

O roteiro coloca um policial "raiz" e um criminoso psicopata em um futuro onde ninguém sabe lidar com agressividade. É aí que a narrativa flui bem. Não é só pancadaria; existe uma crítica bem direta sobre o politicamente correto levado ao extremo e a perda de certas liberdades individuais em nome da segurança total.

Trilha sonora, locações e bastidores

Se você liga para a parte técnica, a trilha sonora tem um peso extra. A música tema, também chamada "Demolition Man", é do Sting (uma regravação da época do The Police). Já a trilha incidental ficou nas mãos de Elliot Goldenthal, que sabe criar aquele clima de tensão e futurismo.

Sobre as locações de filmagem, o filme usou muito bem a arquitetura de Los Angeles e arredores para criar San Angeles. Lugares como o Los Angeles Convention Center e áreas modernas de San Diego serviram de base para aquele visual limpo e tecnológico que vemos na tela.

Em termos de premiações, o filme não foi feito para ganhar o Oscar de Melhor Filme, mas recebeu indicações em prêmios de gênero, como o Saturn Award, focando em efeitos especiais e design de produção. O trabalho visual aqui realmente se destaca.

Curiosidades que você talvez não saiba

Todo bom filme de ação tem seus segredos, e O Demolidor é cheio deles:

  • As três conchas: Talvez o maior mistério da cultura pop. No futuro, não existe papel higiênico, apenas três conchas no banheiro. O filme nunca explica como usar, e isso virou motivo de debate até hoje.

  • Arnold Schwarzenegger: No filme, mencionam que Arnold se tornou presidente dos Estados Unidos (através de uma mudança na lei). Na época era piada, mas anos depois ele realmente virou governador da Califórnia.

  • O restaurante vencedor: Na versão americana, a única rede de restaurantes que sobrou foi a Taco Bell. Em algumas versões internacionais, eles trocaram digitalmente para Pizza Hut porque a marca era mais famosa fora dos EUA.

O Demolidor é um filme direto, honesto e que diverte sem precisar de muito esforço. Se você quer ver o Stallone sendo o Stallone e o Wesley Snipes em um dos seus melhores papéis como vilão, vale o play.