Feito Na América (American Made)

 

Se você curte histórias de caras que vivem no limite, Feito na América (título original: American Made) é um prato cheio. Eu assisti recentemente e o que mais chama a atenção é como a realidade consegue ser muito mais bizarra que a ficção. Não é um filme de ação comum; é um relato visceral sobre Barry Seal, um piloto que conseguiu a proeza de trabalhar para a CIA e para o Cartel de Medellín ao mesmo tempo nos anos 80.

O esquema absurdo de Barry Seal

Eu gosto de como o roteiro coloca a gente dentro da cabine do avião com o Barry, interpretado pelo Tom Cruise. O cara era um piloto da TWA que, por tédio ou ganância (provavelmente os dois), começou a contrabandear charutos e acabou recrutado pela CIA para tirar fotos de acampamentos de guerrilheiros na América Central.

O problema — ou a oportunidade, dependendo de como você olha — é que o Cartel de Medellín viu o potencial do cara. A partir daí, a vida dele vira um caos logístico de transportar armas para um lado e cocaína para o outro, acumulando tanto dinheiro que ele literalmente não tinha onde guardar. O filme foi lançado em 2017 e consegue manter um ritmo acelerado que não te deixa desgrudar da tela.

Direção e o peso do elenco

Quem assina a direção é o Doug Liman, o mesmo de A Identidade Bourne. Ele e o Tom Cruise já tinham trabalhado juntos em No Limite do Amanhã, e essa sintonia aparece aqui. O Cruise entrega um Barry Seal carismático, mas que você sabe que está cavando a própria cova.

Além dele, o elenco conta com Domhnall Gleeson, fazendo o agente da CIA que coloca o Barry no jogo, e Sarah Wright, que interpreta a esposa que tenta entender de onde vem tanto dinheiro. É uma narrativa direta, sem frescura e com aquela pegada de "baseado em fatos reais" que te faz pesquisar no Google logo depois que os créditos sobem.

Bastidores, trilha sonora e locações

Se você liga para números e detalhes técnicos, o filme segura bem a onda. No IMDb, a nota gira em torno de 7.2, o que eu considero justo para um filme que equilibra tão bem comédia ácida e drama policial. Em termos de premiações, ele não foi um "papa-Oscar", mas foi muito elogiado pela crítica pela montagem e pela atuação do Cruise.

trilha sonora é um capítulo à parte. Ela mergulha fundo no rock e no pop do final dos anos 70 e início dos 80, com faixas de artistas como Fleetwood Mac, Walter Murphy e Townes Van Zandt, que ajudam a ditar o clima de urgência das missões.

Sobre as locações de filmagem, a produção rodou bastante:

  • Geórgia, EUA: A pequena cidade de Ball Ground serviu de base para as cenas de Mena, no Arkansas.

  • Colômbia: Algumas cenas foram gravadas em Santa Marta e Medellín para dar aquele ar de autenticidade que o estúdio não conseguiria replicar.

Curiosidades que valem o registro

Para quem gosta de saber o que rolou por trás das câmeras, aqui vão alguns pontos que achei interessantes:

  • Sem dublês: O Tom Cruise, sendo o Tom Cruise, pilotou de verdade a maioria dos aviões que você vê no filme.

  • Tragédia real: Infelizmente, a produção foi marcada por um acidente aéreo real durante as filmagens na Colômbia, que resultou na morte de dois pilotos de dublê.

  • Mudança de título: O projeto começou com o nome Mena, em referência à cidade que se tornou o centro das operações de Seal.

No fim das contas, Feito na América é um filme sobre escolhas e as consequências de se achar mais esperto que o sistema. É uma aula de como o governo americano operava nas sombras e como um piloto do Arkansas se tornou uma peça-chave na geopolítica da época.


Terapia do Amor (Prime)

 

Estava dando uma passada na lista de filmes dos anos 2000 e parei em Terapia do Amor (2005). Se você está buscando um filme que foge daquela melação exagerada, mas que ainda entrega uma história bem amarrada sobre relacionamentos reais, esse aqui é uma boa pedida.

O título original é Prime, e ele traz uma premissa que, honestamente, poderia acontecer com qualquer um de nós — o que torna tudo mais interessante. É o tipo de filme que eu recomendaria para um amigo que quer entender um pouco mais sobre a complexidade de se envolver com alguém de um "mundo" diferente, sem precisar de lencinhos de papel a cada cinco minutos.

O que rola em Terapia do Amor (2005)

A trama gira em torno de Rafi (Uma Thurman), uma mulher de 37 anos recém-divorciada que mora em Manhattan. Ela acaba se envolvendo com Dave (Bryan Greenberg), um cara de 23 anos que é um aspirante a pintor. O conflito principal não é só a diferença de idade, mas uma coincidência que é o pesadelo de qualquer pessoa: Dave é filho da terapeuta da Rafi, a Dra. Lisa Metzger (Meryl Streep).

O filme foi lançado em outubro de 2005 e dirigido por Ben Younger. O que eu gosto aqui é que ele não tenta ser uma comédia escrachada. É mais um olhar maduro e, às vezes, um pouco cínico sobre como as expectativas da família e a nossa própria bagagem emocional pesam na hora de escolher um parceiro.

O elenco e a nota no IMDb

Vamos ser diretos: ter Meryl Streep no elenco já sobe o nível de qualquer coisa. Ela faz o papel da terapeuta que se vê em um dilema ético e maternal gigante. A dinâmica entre ela e a Uma Thurman é o ponto alto do filme. O Bryan Greenberg também entrega um trabalho honesto como o cara mais jovem que está tentando se encontrar na vida e no amor.

Se você liga para avaliações, o filme tem uma nota de 6.2 no IMDb. Para o gênero de comédia romântica dramática, é uma nota sólida. Não é uma obra-prima que mudou o cinema, mas é um filme muito bem executado que cumpre o que promete.

A vibe de Nova York e a trilha sonora

Uma coisa que me prendeu foram as locações. O filme foi inteiramente rodado em Nova York, passando por Manhattan e pelo Brooklyn. Ele consegue passar aquela atmosfera de outono na cidade, com as galerias de arte e os apartamentos típicos que a gente vê nos filmes do Woody Allen, mas com uma pegada mais moderna para a época.

trilha sonora também ajuda a ditar o ritmo. Tem muito jazz e umas faixas indie que combinam com o ambiente artístico do personagem do Dave. Você vai ouvir nomes como Ryan Adams, Duke Ellington e até um pouco de hip hop clássico nas cenas de transição. É uma seleção que faz sentido e não parece jogada ali só para preencher silêncio.

Bastidores e curiosidades que você precisa saber

Mesmo não sendo um filme de grandes premiações (ele passou meio batido nos Oscars da vida), ele tem o seu valor histórico. Aqui vão alguns pontos interessantes para você puxar assunto:

  • Troca de protagonista: Sabia que a Sandra Bullock era a primeira escolha para o papel da Rafi? Ela acabou saindo porque queria mudanças no roteiro que o diretor não topou. Sorte da Uma Thurman.

  • Experiência pessoal: O diretor Ben Younger escreveu o roteiro baseado em algumas de suas próprias experiências, o que explica por que os diálogos soam tão naturais e menos "roteirizados".

  • A visão da terapeuta: O filme é um dos poucos que mostra o lado humano e, às vezes, tendencioso de um terapeuta, saindo daquele clichê do profissional perfeito e imparcial.

No fim das contas, Terapia do Amor é sobre escolhas e sobre como o timing nem sempre está a nosso favor. É um filme direto, sem firulas, que vale o seu tempo se você curte uma narrativa urbana e inteligente.