O Meninão (You're Never Too Young)

 

"O Meninão": Uma Comédia Clássica da Dupla Martin e Lewis que Nunca Envelhece

Se tem um tipo de filme que sempre me pega de surpresa, são aquelas comédias antigas que, mesmo com o passar do tempo, continuam entregando o que prometem: boas risadas. E "O Meninão", com a lendária dupla Dean Martin e Jerry Lewis, é um desses casos. É um filme de 1955, mas a confusão e a química deles são atemporais.

Pra quem não ligou o nome ao título original, estamos falando de “You're Never Too Young”. É o tipo de produção que marcou a década de 50 e consolidou a parceria Martin e Lewis. Não é só sobre humor; tem um toque musical e até um suspense policial, tudo misturado na medida certa.



Os Fatos: Data, Direção e Elenco de Peso

A gente sabe que em um bom filme, a base tem que ser sólida. E aqui, a equipe não era brincadeira.

  • Data de Lançamento: O filme chegou aos cinemas americanos em 25 de agosto de 1955. Um baita ano para o cinema de comédia!

  • Direção: Quem comandou a bagunça foi Norman Taurog, um veterano que já tinha uma boa experiência dirigindo a dupla Martin e Lewis. Ele sabia exatamente como extrair o melhor da dinâmica deles.

  • Elenco Principal: Claro, temos Jerry Lewis como o hilário Wilbur Hoolick, o barbeiro aprendiz que se mete em uma encrenca. Ao seu lado, Dean Martin é o charme e a voz, como Bob Miles. O time ainda conta com a presença de Diana Lynn (Nancy Collins), Nina Foch (Gretchen Brendan) e, vejam só, Raymond Burr (o futuro Perry Mason) como o vilão Noonan.

  • Nota do IMDb: A aceitação do público na época foi boa, e hoje o filme mantém uma nota razoável de 5.7/10 no IMDb, o que para um clássico de comédia com mais de 70 anos, mostra que ele ainda tem seus fãs.

A Trama e as Complicações

A história central é simples, mas o jeito que o roteiro do lendário Sidney Sheldon a desenvolve é o que prende. Pense na seguinte situação: um diamante valioso é roubado e, por um azar do destino, acaba parando no bolso do nosso protagonista, Wilbur.

Para fugir de um bandido que está na cola dele (o Noonan, interpretado pelo Raymond Burr), Wilbur não tem outra opção senão embarcar em um trem e se disfarçar. O detalhe? Ele se faz passar por uma criança de 12 anos. O que era para ser uma fuga vira uma sucessão de situações embaraçosas quando ele se esconde em uma escola só para moças, sob os cuidados de uma professora (Diana Lynn).

A confusão que Jerry Lewis faz, com seu jeito de "moleque grande", é o ponto alto. O charme de Dean Martin, tentando ajudar o amigo enquanto lida com as coeds da escola, completa a receita. É um enredo cheio de trocas de identidade e mal-entendidos, sem precisar de dramalhão. Apenas pura comédia de situação.

Cenários e Curiosidades de Bastidores

Como todo filme da era de ouro de Hollywood, "O Meninão" tem seus detalhes de produção que valem a menção.

  • Trilha Sonora: A música é parte integrante do filme, sendo um semi-musical. A trilha sonora original foi composta por Walter Scharf. E claro, com Dean Martin no elenco, você pode esperar algumas canções de época que grudam na cabeça. É a voz inconfundível dele que dá o tom romântico em meio à correria.

  • Locações de Filmagem: As filmagens, realizadas no final de 1954, rolaram nos Estados Unidos, no icônico sistema Vistavision da Paramount, o que garantia uma imagem de alta qualidade para a época, em Technicolor. Boa parte das cenas internas foram gravadas em estúdio, mas a ambientação do trem e da escola de moças tem aquele sabor clássico dos filmes americanos.

  • Curiosidade de Cinema: Sabia que "O Meninão" é, na verdade, uma refilmagem? A base do roteiro vem do filme "A Incrível Suzana" (The Major and the Minor), de 1942, que foi o primeiro filme americano dirigido por Billy Wilder. A atriz Diana Lynn participou de ambas as versões, interpretando a irmã na versão de 1942 e a professora na versão de 1955. É um detalhe bacana que liga o filme a duas gerações de comédia.

Por Que "O Meninão" Ainda Vale a Pena?

Se você está procurando uma comédia que não apela para o humor de baixo calão e se sustenta na performance e no roteiro, esse é o filme. É a marca registrada da dupla Martin e Lewis: uma parceria onde o charme e a confusão andam lado a lado.

É um filme que te transporta para uma época de inocência no cinema, mas com uma história que não te deixa entediado. A fuga do ladrão, o disfarce de criança e o romance que surge no meio disso tudo... é a fórmula perfeita para desligar e dar umas boas risadas. A gente sabe que, no final das contas, o Wilbur tem que se resolver, e a gente fica na torcida para que ele consiga sair dessa enrascada sem que seu "disfarce" caia por terra.


As Minas do Rei Salomão (King Solomon's Mines)

 

As Minas do Rei Salomão

Se existe um clássico que todo mundo já ouviu falar, mas que gera uma baita discussão entre os fãs de aventura, esse filme é As Minas do Rei Salomão. Eu lembro que, quando decidi rever essa obra, fui com o espírito pronto para aquela nostalgia de exploração, chapéus de aba larga e tesouros perdidos. Mas a pergunta que não quer calar — e que muita gente faz logo de cara — é se ele não passa de uma "cópia" de Indiana Jones.

Lançado em 1985, com o título original King Solomon's Mines, o filme nos apresenta Allan Quatermain, um caçador de tesouros que aceita ajudar uma mulher a encontrar seu pai desaparecido nas profundezas da África. É o tipo de história que a gente conhece bem: selvas perigosas, tribos misteriosas e, claro, a promessa de uma riqueza inimaginável. Mas será que ele consegue ter identidade própria?

Qual é o contexto dessa aventura nos anos 80?

Para entender o filme, a gente precisa olhar para o cenário da época. Em 1985, o mundo estava fissurado por heróis de ação que resolviam tudo no soco e na astúcia. A direção ficou nas mãos de J. Lee Thompson, que tentou imprimir um ritmo de "corrida contra o tempo". No elenco, temos o carismático Richard Chamberlain como Quatermain e uma jovem Sharon Stone, que traz o contraponto necessário à trama.

Embora a história seja baseada no livro de H. Rider Haggard (publicado originalmente lá em 1885, muito antes do cinema existir), a versão cinematográfica de 85 abraçou o estilo "trash" consciente. As filmagens rolaram no Zimbábue, o que deu ao filme cenários naturais incríveis, mas a produção foi marcada por um tom muito mais cômico e exagerado do que o material original sugeria.

Por que comparam tanto com Indiana Jones?

Aqui é onde o bicho pega. Se formos sinceros, é impossível não notar as semelhanças visuais. O figurino do Quatermain, as armadilhas nas cavernas e até o ritmo das perseguições parecem ter sido "emprestados" da fórmula de George Lucas e Steven Spielberg. Na época, a produtora Cannon Group era famosa por tentar capitalizar em cima dos sucessos de bilheteria com orçamentos menores.

Então, respondendo à dúvida: sim, o filme foi uma tentativa clara de nadar na onda de Indiana Jones. Ele não tenta esconder isso. No entanto, em vez de ser um suspense arqueológico sério, ele descamba para uma aventura quase cartunesca. Ele não tem o polimento de Os Caçadores da Arca Perdida, mas tem um charme de "Sessão da Tarde" que é difícil de ignorar se você desativar o senso crítico por alguns minutos.

Qual é a nota no IMDB e o que ela diz?

Atualmente, o filme tem uma nota de 5.4 no IMDB. Para quem busca uma obra-prima do cinema, essa pontuação pode parecer baixa, mas para quem entende a proposta de um filme de entretenimento puro e sem vergonha de ser brega, ela faz todo sentido.

A crítica da época não pegou leve, justamente pelas comparações inevitáveis e pelos efeitos especiais que, mesmo para 1985, às vezes deixavam a desejar. Mas o público que gosta de uma aventura descompromissada acabou transformando o filme em um clássico cult. É o tipo de produção que a gente assiste sabendo que é "galhofa", mas se diverte com o absurdo das situações.

Existem curiosidades de bastidores que valem a pena saber?

Uma das coisas mais engraçadas é que a Sharon Stone, anos depois, comentou sobre as dificuldades das filmagens na África e como o clima era caótico. Outro detalhe curioso é que o personagem Allan Quatermain é, tecnicamente, o "pai" de todos esses exploradores modernos. Sem o livro original de 1885, talvez nem o Indiana Jones existisse como o conhecemos hoje. É uma ironia do destino que a adaptação cinematográfica tenha acabado parecendo a cópia da sua própria "cria".

Minha crítica final: Se você encarar As Minas do Rei Salomão como um filme que se leva a sério, vai se decepcionar. Agora, se você olhar para ele como uma aventura exagerada, com vilões caricatos e um herói que parece estar sempre à beira do desastre, a diversão é garantida. Ele é datado, é meio maluco e nitidamente tentou pegar carona no sucesso do vizinho, mas ainda assim entrega uma jornada honesta para quem só quer relaxar e ver uma boa caça ao tesouro.