O Sobrevivente (The Running Man)

 

Se você é fã de uma boa distopia com adrenalina pura, provavelmente já ouviu falar do barulho que tomou conta dos cinemas recentemente. Eu sempre fui fissurado por histórias que mostram o colapso da sociedade de um jeito cru e visceral, sem firulas. Quando soube que um clássico absoluto ganharia uma roupagem totalmente nova, confesso que balancei a cabeça com aquela velha desconfiança. Mas, depois de sentar na poltrona e assistir ao resultado, vi que a pegada aqui é outra.

Estou falando do peso-pesado lançado no final do ano passado: O Sobrevivente, que resgata a essência de um dos contos mais brutais da literatura de ficção científica. Esqueça aquela imagem espalhafatosa dos anos 80. O foco aqui é a sobrevivência levada ao limite físico e psicológico, onde um homem comum precisa se transformar em uma máquina de resistência para salvar o que mais importa.

Do que se trata a história de O Sobrevivente?

A trama nos joga direto em um futuro terrivelmente próximo e decadente. Acompanhamos a jornada de Ben Richards, um trabalhador comum e injustiçado que se vê encurralado pela pobreza extrema e por uma crise familiar devastadora. Desesperado para conseguir dinheiro para o tratamento médico de sua filha pequena, ele toma a decisão mais perigosa da sua vida: aceitar o convite forçado de um produtor inescrupuloso para participar do maior fenômeno de audiência do planeta, o reality show chamado The Running Man.

O conceito do programa é simples e cruel. O participante é solto no mundo real e caçado por assassinos profissionais de elite, os "caçadores". Cada dia que ele permanece vivo acumula uma fortuna em dinheiro. O problema? A população inteira assiste ao vivo, apoia os caçadores e o mundo se torna o seu próprio tabuleiro de execução. Diferente da versão antiga que parecia um videogame colorido, a dinâmica aqui se assemelha a um thriller de perseguição urbana tenso, focado no instinto de sobrevivência e no puro suco de desespero de um pai de família lutando contra o sistema.

Quem está por trás e na frente das câmeras neste projeto?

O grande trunfo dessa nova versão foi o comando criativo. O filme foi dirigido pelo aclamado Edgar Wright, conhecido por seu estilo visual rápido e montagem rítmica impecável. Em vez de fazer um remake do filme antigo, Wright decidiu chutar o balde e entregar uma adaptação muito mais fiel ao livro original escrito por Stephen King (sob o pseudônimo de Richard Bachman) em 1982. O roteiro, assinado por Wright ao lado de Michael Bacall, trouxe uma atmosfera pesada e um ritmo frenético de tirar o fôlego.

No elenco, a responsabilidade de carregar o filme nas costas ficou com Glen Powell, interpretando o protagonista Ben Richards. Powell deixa de lado o carisma clássico de galã para assumir uma postura de puro estresse e revolta — o próprio diretor apelidou o personagem nos bastidores de "Bad Mood Glen" (o Glen de mau humor). Dividindo a tela com ele, temos o excelente Josh Brolin na pele do vilão implacável Dan Killian, o produtor do jogo, além de Colman Domingo como o carismático e cínico apresentador do show. Outros nomes de peso como Lee Pace (o líder dos caçadores), Michael Cera, William H. Macy e Emilia Jones completam um time que entrega atuações sólidas e dão peso dramático à correria.

Onde o filme foi rodado e como foi a produção?

Para construir aquela atmosfera urbana cinzenta, claustrofóbica e opressiva que uma boa distopia exige, a produção viajou bastante. O ano de lançamento oficial nos cinemas mundiais foi 2025 (especificamente em novembro), mas os trabalhos pesados aconteceram nos meses anteriores em diversas locações marcantes.

Grande parte das filmagens principais aconteceu no Reino Unido, utilizando áreas industriais e urbanas de Londres. Um dos grandes destaques de bastidores foi a utilização do icônico Estádio de Wembley para rodar uma sequência de ação monumental que exigiu muito preparo físico da equipe. Além disso, a produção se deslocou para a Escócia, usando cenários arquitetônicos imponentes em Glasgow (como o SEC Armadillo e o Anderston Centre) para dar vida aos setores abandonados e futuristas da cidade fictícia, finalizando ainda algumas sequências cruciais de perseguição na Bulgária.

Quais são as melhores curiosidades sobre os bastidores?

Produções desse tamanho sempre rendem boas histórias de bastidores. Se você gosta de entender os detalhes por trás da tela, separei alguns pontos bem interessantes que mostram o nível de dedicação envolvido no projeto:

·         A bênção do mestre: Antes de aceitar o papel principal, Glen Powell fez questão de ligar para ninguém menos que Arnold Schwarzenegger (o Ben Richards de 1987) para pedir conselhos. Schwarzenegger deu o seu total apoio e "bênção" para a nova versão.

·         Consultoria com o especialista: Powell também passou mais de duas horas ao telefone com seu amigo e mentor Tom Cruise, anotando dicas valiosas sobre como se posicionar em cenas de ação física intensa e como garantir que o público sinta o perigo real na tela.

·         Fidelidade ao livro: O livro original de Stephen King se passa exatamente no ano de 2025. O fato de o filme ter sido lançado no mesmo ano trouxe um charme de metalinguagem fantástico para os fãs da obra literária.

·         Direção de fotografia de peso: A identidade visual crua e de cores marcantes foi moldada pelo diretor de fotografia Chung-hoon Chung, o mesmo homem por trás do visual perturbador do clássico sul-coreano Oldboy.

Qual é a crítica definitiva sobre a obra?

Analisando a obra friamente, o saldo é interessante, embora tenha dividido opiniões. No agregador de críticas IMDb, a nota se estabilizou em 6.2/10, o que reflete perfeitamente a reação do público e da mídia especializada: um filme de ação competente, robusto, mas que carrega o peso de dividir as atenções com um clássico do passado e expectativas gigantescas.

O grande mérito do longa-metragem é a coragem de assumir uma identidade séria e focada na crítica social, mostrando como a mídia e o entretenimento de massa podem anestesiar a empatia humana. O ritmo imposto pela direção faz as duas horas de filme passarem voando, prendendo o espectador na tensão da caçada humana. As cenas de combate e fuga são secas, violentas e visualmente impactantes.

Por outro lado, o calcanhar de Aquiles da produção reside em seu terço final. O roteiro acelera os acontecimentos de uma forma um tanto abrupta para amarrar todas as pontas da rebelião contra o sistema de televisão, fazendo com que a conclusão perca um pouco do impacto emocional construído ao longo da jornada desesperada de Richards. Ainda assim, para quem busca um filme de ação direto, com excelente design de som, ótimas atuações de Powell e Brolin e uma atmosfera de perseguição implacável, o título cumpre muito bem o seu papel de entretenimento de qualidade. Vale o ingresso e a pipoca.




 

Bravura Indômita (True Grit)

 

Se você curte um bom faroeste, daqueles que te prendem na cadeira do primeiro ao último minuto, senta aí que a gente precisa conversar sobre um baita filme. Estou falando de Bravura Indômita, uma obra-prima que resgata a essência do Velho Oeste de um jeito totalmente cru e realista.

Eu lembro exatamente da sensação quando assisti a esse filme pela primeira vez. Ele não tenta te vender aquela imagem romantizada dos cowboys perfeitos; pelo contrário, mostra a poeira, o sangue e a vingança em sua forma mais pura.

O que torna Bravura Indômita um filme tão marcante?

Para entender o impacto do filme, a gente precisa olhar para quem está por trás das câmeras. Lançado no ano de 2010, o longa traz o título original de True Grit. Ele é, na verdade, uma nova adaptação do livro de Charles Portis, que já tinha sido levado aos cinemas em 1969 com o lendário John Wayne.

Mas a versão de 2010 ganhou uma alma completamente nova graças aos diretores Joel e Ethan Coen (os famosos Irmãos Coen). Esses caras sabem como ninguém construir uma atmosfera tensa, misturando violência com tiradas de humor ácido. O resultado dessa receita foi um sucesso estrondoso de crítica e público, ostentando hoje uma respeitável nota de 7,6 no IMDb.

A história acompanha Mattie Ross, uma garota de 14 anos que busca justiça (ou melhor, vingança) após o assassinato do pai. Para caçar o assassino, ela contrata Rooster Cogburn, um xerife caolho, beberrão e de gatilho fácil.

Quem faz parte do elenco de Bravura Indômita?

O grande trunfo desse filme está na química de um elenco que entregou tudo em cena. O trio de protagonistas é um espetáculo à parte:

·         Jeff Bridges assume o papel de Rooster Cogburn. O cara conseguiu a proeza de pegar um personagem que deu o único Oscar da carreira de John Wayne e recriá-lo do zero, entregando um velho durão, rabugento e visceral.

·         Hailee Steinfeld, que na época tinha apenas 13 anos, interpreta Mattie Ross. Ela bate de frente com os veteranos com uma imponência absurda. É ela quem carrega o filme nas costas com uma determinação implacável.

·         Matt Damon dá vida a LaBoeuf, um Texas Ranger orgulhoso e falastrão que entra na caçada. A dinâmica de provocações entre ele e o personagem de Bridges é sensacional.

·         Josh Brolin aparece mais para o final como Tom Chaney, o homem caçado, entregando a dose certa de covardia e perigo que o papel pedia.

Onde o filme foi gravado e quais são suas curiosidades?

Se você reparar bem na fotografia do filme, vai perceber que os cenários são praticamente personagens da história. A locação principal se dividiu entre as paisagens áridas e frias do Novo México e de Austin, no Texas. Os Irmãos Coen fizeram questão de fugir daquele visual ensolarado de estúdio para filmar em cenários reais, o que trouxe um tom cinzento, melancólico e muito mais realista para a jornada.

Nos bastidores, existem algumas curiosidades bem legais sobre a produção:

·         A busca pela protagonista: Para achar a atriz ideal para Mattie Ross, a produção fez testes com mais de 15 mil garotas até escolherem Hailee Steinfeld. Foi um tiro certeiro.

·         Chuva de indicações: O filme foi um fenômeno tão grande que recebeu 10 indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Ator para Jeff Bridges.

·         Fidelidade ao livro: Ao contrário do filme de 1969, a versão de 2010 é muito mais fiel ao livro original, focando a narrativa sob a perspectiva da jovem Mattie, e não do xerife.

Qual é a minha crítica real sobre a obra?

Na minha opinião, Bravura Indômita é um dos melhores faroestes modernos já feitos. O que mais me agrada no filme é a forma como ele aborda a honra e a obstinação. Não há espaço para fraqueza ali. A jornada molda os personagens, e a relação que nasce entre o velho lobo do deserto e a garota obstinada é construída sem sentimentalismo barato. É o respeito mútuo conquistado na base do chumbo e da sobrevivência.

A fotografia de Roger Deakins é impecável, transformando cada plano em uma pintura melancólica do Oeste americano. Se você busca um filme com diálogos afiados, ritmo certeiro e atuações brutas que grudam na mente, esse longa é parada obrigatória. É o tipo de cinema feito para quem gosta de histórias de alto nível, sem firulas.




Um Drink no Inferno 3: A Filha do Carrasco (From Dusk Till Dawn 3: The Hangman's Daughter)

 

Um Drink no Inferno 3: A Filha do Carrasco (From Dusk Till Dawn 3: The Hangman's Daughter) - Minha Opinião Sem Frescura

E aí, beleza? Se você é como eu, que curte um filme de vampiro com uma pegada mais trash e ação desenfreada, já deve ter ouvido falar da franquia Um Drink no Inferno. Não estou falando dos dois primeiros, que são mais famosos, mas sim do terceiro, o "A Filha do Carrasco". Fiquei curioso pra ver como essa história começou e, sinceramente, não me decepcionei. O filme é um prequel que te joga direto no México selvagem do início do século XX.

Lançamento, Direção e Elenco de Respeito

Lembro bem de quando peguei para assistir. O filme é de 1999, e a vibe da época tá toda lá. O diretor é o P. J. Pesce, que soube pegar a essência gore e cheia de referências que o Robert Rodriguez (que dirigiu o original e produziu este) criou.

O elenco, talvez não tenha os nomes bombásticos dos primeiros filmes, mas entrega o que promete. O protagonista, que faz o gângster (o Johnny Madrid), é o Marco Leonardi, um cara com uma presença de tela que funciona. Mas a estrela aqui, pra mim, é a Ara Celi como a Esmeralda (a tal Filha do Carrasco). Ela tem aquele ar misterioso e perigoso que a personagem pedia. Outros nomes que aparecem são o Michael Parks (fazendo o Ambrose Bierce) e a Sônia Braga, que dá o ar da graça como a vampira líder, a Quixtla. A química da galera, especialmente no meio do caos, é o ponto alto.

Locações, Trilha Sonora e a Nota Sincera no IMDb

Uma coisa que me prendeu no filme foi a ambientação. A história se passa no México de 1913, e as locações de filmagem foram todas feitas lá, em Cidade do México e arredores. Isso dá uma autenticidade visual que faz toda a diferença para um filme de faroeste com vampiros. É poeira, tequila e sangue. Não tem erro.

A trilha sonora segue a linha que a franquia estabeleceu: um mix de rock de garagem com aquele toque de música latina e mariachi, que casa perfeitamente com a ação. A banda do bar, a famosa Titty Twister, já aparece de forma diferente, mas a música ainda dita o ritmo da carnificina.

E a nota, você me pergunta? No IMDb, ele segura uma média de 5.4/10. Ok, não é um 10, mas pra um filme straight-to-video (que foi o caso dele aqui no Brasil), é uma nota honesta. Quem assiste, sabe o que está buscando: diversão sem compromisso, com uma boa dose de violência estilizada.

Curiosidades da Produção e O Começo da Lenda

O que achei mais legal nesse prequel é como ele amarra algumas pontas soltas da mitologia da franquia. Ele conta a história de como a Santánico Pandemonium (a personagem da Salma Hayek no primeiro filme) chegou ao poder. É um easter egg gigante para os fãs.

Uma curiosidade bacana é que o Michael Parks, que interpreta o Ambrose Bierce, foi o único ator a aparecer nos três filmes (embora o papel fosse diferente em cada um). É um ator de peso que empresta credibilidade até para a cena mais bizarra.

Outro ponto é a conexão com o faroeste. O roteiro usa elementos da Revolução Mexicana e lendas locais, o que deixa o filme mais interessante do que só mais um conto de vampiros. A forma como os vampiros são apresentados, vindo de uma linhagem antiga ligada aos deuses astecas, é uma sacada genial para explicar a origem do bar Titty Twister.

O Desfecho: Vale a Pena Dar Um Gole?

No fim das contas, se você já assistiu aos outros e curtiu a vibe, Um Drink no Inferno 3: A Filha do Carrasco é um prato cheio. É um filme que não se leva a sério e entrega tudo o que promete: ação, vampiros sedentos e um visual de faroeste. A narrativa fecha o círculo e nos mostra o primeiro massacre que deu origem à lenda. É o tipo de filme que você assiste com a galera, sem esperar uma obra-prima, mas sabendo que vai ter entretenimento de qualidade pulp.

Não é o melhor da série, mas cumpre seu papel de prequel com uma boa dose de rock and roll e sangue. Recomendado para quem quer ver onde tudo começou.