Cara, se tem um filme que mexeu com as estruturas ultimamente e botou o cinema brasileiro de volta no mapa da Academia com força, esse filme é Ainda Estou Aqui. Eu confesso que, quando sentei para assistir, esperava um drama histórico competente, mas o que recebi foi uma pancada emocional que poucas vezes vi em produções nacionais. Não é à toa que a obra não apenas garantiu 3 indicações ao Oscar, incluindo uma histórica para Fernanda Torres em Melhor Atriz, como saiu com a estatueta de Melhor Filme Internacional.
Eu me peguei pensando nele por dias. Não é só sobre a história em si, mas sobre como ela é contada. O filme mergulha numa época sombria do nosso país, mas foca nas pessoas, no silêncio, no que resta quando tudo é tirado. E é sobre isso que quero falar com você hoje.
O que sabemos sobre o lançamento de Ainda Estou Aqui?
O filme, intitulado originalmente Ainda Estou Aqui, é uma produção de 2024 que tomou o mundo de assalto logo na sua estreia no Festival de Veneza, onde já levou o prêmio de Melhor Roteiro. Com a nota no IMDb batendo impressionantes 8.3, ele é, sem dúvida, o filme brasileiro mais aclamado da década.
A direção ficou nas mãos do mestre Walter Salles, o mesmo cara que nos deu Central do Brasil e Diários de Motocicleta. Ele tem um jeito único de filmar a intimidade e o passar do tempo, e aqui ele atinge o ápice. O elenco é encabeçado por dois gigantes:
Fernanda Torres, em uma atuação que já entrou para a história como Eunice Paiva.
Selton Mello, brilhante como Rubens Paiva.
E uma participação emocionante de Fernanda Montenegro como a Eunice Paiva mais velha.
As filmagens aconteceram no Rio de Janeiro, principalmente em locais que recriam os anos 70, o que ajuda a criar aquela atmosfera claustrofóbica do regime.
Quais são as curiosidades dos bastidores?
Uma das coisas mais legais — e emocionantes — desse filme é a conexão pessoal do diretor. Walter Salles era amigo da família Paiva e frequentava a casa deles no Rio de Janeiro nos anos 70, antes de Rubens Paiva ser levado. Isso traz uma camada de autenticidade absurda para a obra. O figurino e o design de produção foram baseados em fotos reais da família, garantindo que cada detalhe fosse fiel.
Outro ponto que me chamou a atenção foi a escolha de Fernanda Torres para o papel principal. O desempenho dela é tão poderoso que ela se tornou a primeira atriz brasileira a ser indicada ao Oscar de Melhor Atriz por um filme em língua não-inglesa desde a sua própria mãe, Fernanda Montenegro, por Central do Brasil em 1999. É quase um roteiro de filme por si só.
Qual é a minha crítica sobre a obra?
Sendo bem honesto com você: o filme é difícil de assistir, mas indispensável. O viés masculino aqui é o de Rubens Paiva, o pai, o provedor, o deputado que é arrancado de sua família sem aviso prévio. Mas o filme é, acima de tudo, sobre a força silenciosa e implacável de Eunice.
O que eu acho mais incrível é que ele não é um filme de herói, de grandes discursos ou explosões. É um filme sobre resistência no dia a dia. Como uma mulher, de repente sozinha com cinco filhos, mantém a dignidade e a esperança em um ambiente onde o medo é a lei? O roteiro é enxuto, direto e doloroso. Salles não poupa o espectador, mas também não se entrega ao sensacionalismo. A minha única "crítica" é que ele te deixa com uma sensação de impotência que pode ser incômoda, mas essa é exatamente a intenção.
Como o filme se encaixa na história do cinema brasileiro?
A vitória de Ainda Estou Aqui no Oscar de Melhor Filme Internacional é um divisor de águas. Ela valida a nossa capacidade de contar histórias locais que ressoam globalmente. O filme não é apenas uma denúncia política; é um retrato universal sobre família, perda e memória.
Ele se junta a clássicos como Central do Brasil e Cidade de Deus, mas com uma voz própria, mais madura e pessoal. Se você curte cinema que te faz pensar, que te confronta com questões éticas e históricas, esse filme é obrigatório.
Prepara o lenço — sério, eu sou durão, mas não aguentei — e assiste. Depois a gente conversa sobre como ele te tocou.
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