Falar de cinema e não passar pelo mestre Charles Chaplin é praticamente impossível. Mas hoje quero trocar uma ideia sobre um filme específico que, para mim, é uma das maiores provas de que o talento puro sobrevive a qualquer tecnologia: O Circo (ou The Circus), lançado lá em 1928.
Eu revisitei essa obra recentemente e é impressionante como ela ainda funciona. Sabe aquele tipo de filme que você começa a ver meio despretensioso e, quando percebe, está rindo alto sozinho na sala? Pois é. No auge do cinema mudo, Chaplin conseguiu criar algo que mistura uma comédia física absurda com aquela melancolia que só o personagem do "Vagabundo" sabe passar.
Como surgiu a história de O Circo?
A trama é clássica e direta, sem enrolação. O Vagabundo (o eterno Carlitos) é confundido com um batedor de carteiras e, na tentativa de fugir da polícia, acaba entrando no meio de uma apresentação de circo. O detalhe é que ele faz tudo errado, mas o público acha que faz parte do show e morre de rir.
O dono do circo, um cara bem carrasco, percebe que tem uma mina de ouro nas mãos e contrata o sujeito. Só que tem um problema: o Carlitos só é engraçado quando não está tentando ser. Se ele tenta seguir o roteiro, perde a graça. No meio disso tudo, ainda tem uma pitada de romance com a enteada do dono do circo, o que dá aquele peso emocional que a gente já espera do diretor.
Quem faz parte do time e onde foi gravado?
O filme é escrito, dirigido, produzido e estrelado por Charles Chaplin. O cara era um exército de um homem só. No elenco, temos nomes que brilharam na era silenciosa, como Merna Kennedy, que faz o interesse amoroso, e Al Ernest Garcia, no papel do dono brutal do circo.
As gravações rolaram principalmente nos estúdios da United Artists, na Califórnia. O curioso aqui é que, apesar de parecer um ambiente leve, o set foi palco de um caos total nos bastidores. O título original é apenas The Circus, e a obra mantém uma respeitável nota 8.1 no IMDb, o que mostra que, mesmo quase um século depois, o filme continua sendo uma referência absoluta de qualidade.
Por que a produção foi tão complicada na época?
Se você acha que seu trabalho é estressante, precisa saber o que Chaplin passou para entregar esse filme. O Circo é conhecido por ter tido uma das produções mais amaldiçoadas da história de Hollywood. Houve um incêndio no set que destruiu grande parte dos cenários, o laboratório estragou as filmagens de várias semanas e, para completar, Chaplin estava passando por um divórcio público e turbulento.
Mesmo com toda essa pressão e os problemas técnicos da época, o resultado final é de uma leveza incrível. Uma curiosidade animal é que a cena em que o Carlitos fica preso em uma jaula com um leão real foi filmada de verdade. Foram necessários cerca de 200 takes para chegar no resultado que vemos na tela. É coragem (ou loucura) que não se vê mais hoje em dia.
Vale a pena assistir O Circo hoje em dia?
Sem dúvida nenhuma. A minha crítica é direta: se você quer entender o que é "timing" de comédia, precisa ver esse filme. Chaplin não precisa de uma linha de diálogo para te fazer entender exatamente o que o personagem está sentindo. O filme é curto, vai direto ao ponto e entrega sequências que influenciam comediantes até hoje.
A cena na corda bamba, cercado por macacos, é pura genialidade visual. Mais do que apenas piadas, o filme fala sobre ser um estranho tentando se encaixar em um mundo que não te entende, algo que qualquer um de nós sente de vez em quando. É um clássico que não envelhece e que todo homem que aprecia uma boa história deveria conferir.
Ficha Técnica Resumida:
Título Original: The Circus
Ano de Lançamento: 1928
Diretor: Charles Chaplin
Elenco Principal: Charles Chaplin, Merna Kennedy, Al Ernest Garcia
Nota IMDb: 8.1/10
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