O Dublê (The Fall Guy)

 

O Dublê: Ação raiz e homenagem aos estragos da profissão

Fui conferir "O Dublê" (The Fall Guy), um filme que prometia trazer de volta a ação prática e menos dependente de tela verde. Como alguém que cresceu assistindo aos clássicos de ação dos anos 80 e 90, a proposta me interessou. O filme não tenta reinventar a roda, mas faz um trabalho sólido em entregar entretenimento direto, com uma pegada técnica que merece respeito.

A narrativa aqui é conduzida por Colt Seavers (Ryan Gosling), um dublê veterano que já viu dias melhores. A história é simples: o cara sai de cena após um acidente e precisa voltar para salvar a produção de um filme e, de quebra, tentar resolver uma antiga pendência amorosa. O tom é leve, mas a execução das cenas de perigo é coisa séria.

Abaixo, detalho o que você precisa saber sobre a produção, desde a ficha técnica até as curiosidades de bastidores, sem entregar o final.

Ficha técnica de peso: Direção e Elenco

Para entender a qualidade das cenas de ação, é preciso olhar para quem está sentado na cadeira de diretor. O filme é comandado por David Leitch. Se você não liga o nome à pessoa, ele é um ex-dublê que virou diretor e esteve envolvido em John Wick e Atômica. O cara sabe como bater e como filmar quem bate.

O elenco segura bem a onda:

  • Ryan Gosling como Colt Seavers.

  • Emily Blunt como Jody Moreno (a diretora do filme dentro do filme).

  • Aaron Taylor-Johnson como o astro Tom Ryder.

  • Hannah Waddingham como a produtora Gail Meyer.

O filme chegou aos cinemas do Brasil em maio de 2024. A química entre Gosling e Blunt funciona de forma mecânica e eficiente, entregando o humor necessário sem deixar o filme virar um drama meloso.

O Enredo e a Trilha Sonora que dita o ritmo

A trama é baseada em uma série de TV homônima dos anos 80 (conhecida no Brasil como Duro na Queda). No entanto, o roteiro atualiza a pegada para os dias de hoje. O foco é a metalinguagem: é um filme sobre fazer filmes. Vemos os perrengues do set, os egos inflados dos atores principais e o trabalho sujo que sobra para a equipe de dublês.

trilha sonora é um ponto alto para quem curte rock clássico e pop bem posicionado. O destaque vai para o uso recorrente de "I Was Made for Lovin' You" do KISS, que dita o ritmo das sequências de perseguição e luta. Tem também referências a Taylor Swift que servem como alívio cômico em cenas mais "duras". A música não está ali só de enfeite, ela marca as transições de humor do protagonista.

Locações e Curiosidades de Bastidores

Se você achou os cenários urbanos e costeiros impressionantes, saiba que a produção rodou a maior parte do filme na Austrália, especificamente em Sydney. As ruas da cidade serviram de palco para perseguições de lancha e caminhões de lixo voadores.

Aqui entram as curiosidades que validam o ingresso:

  1. Recorde Mundial: O filme entrou para o Guinness World Records. O dublê Logan Holladay realizou 8,5 capotamentos (o famoso cannon roll) dentro de um carro, superando o recorde anterior que pertencia ao filme Cassino Royale.

  2. Sem CGI excessivo: David Leitch priorizou efeitos práticos. Quando você vê alguém caindo de uma altura de 40 metros ou sendo incendiado, provavelmente é um dublê real fazendo o trabalho, não um boneco digital.

  3. Homenagem: O filme é, declaradamente, uma carta de amor à comunidade de dublês (stuntmen), que raramente ganha reconhecimento nas grandes premiações.

Veredito: Nota IMDb e Premiações

Sendo prático: o filme entrega o que vende. Não é um roteiro complexo que vai mudar sua visão de mundo, mas é tecnicamente impecável.

No IMDb, o filme oscila com uma nota sólida em torno de 6.9 a 7.1, o que é uma pontuação respeitável para o gênero de ação/comédia. Sobre premiações, embora ainda seja cedo para falar de Oscar nas categorias principais, o filme já garantiu seu lugar na história com o recorde do Guinness e é um forte candidato em categorias técnicas e de sindicatos de dublês.

Em resumo, "O Dublê" é um filme honesto. Se você gosta de ver carros capotando de verdade e brigas bem coreografadas, vale o tempo investido. É cinema pipoca feito por quem entende da engenharia da ação.

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