Quando
sentei no cinema para assistir a Star Wars: Os Últimos Jedi,
confesso que a expectativa estava batendo no teto. Depois do clima de nostalgia
pura de O Despertar da Força,
eu queria ver para onde a nova trilogia nos levaria. O resultado? Um dos filmes
mais corajosos, divisivos e visualmente impressionantes de toda a saga
espacial.
Se você é fã de uma boa ópera espacial ou simplesmente
quer entender por que esse capítulo ainda divide tantas rodas de conversa entre
amigos, veio ao lugar certo. Vou destrinchar os bastidores, os detalhes
técnicos e o impacto dessa obra.
Qual é o contexto inicial e a ficha técnica de Star Wars:
Os Últimos Jedi?
Lançado em 2017, o longa chegou com a pesada
missão de dar sequência à história de Rey, Finn e Kylo Ren, além de trazer de
volta o lendário Luke Skywalker de forma ativa. Com o título original de Star Wars: The Last Jedi,
a produção expandiu o universo de George Lucas de um jeito que ninguém
esperava.
No comando da direção e do roteiro, tivemos Rian Johnson, que
assumiu o projeto trazendo uma assinatura bem autoral. Atualmente, o filme
ostenta uma nota IMDb de 6.9, um
reflexo claro da eterna batalha entre a crítica especializada (que ovacionou o
filme) e uma parte do público que torceu o nariz para as mudanças na mitologia.
O elenco principal manteve a força dos novos rostos e o
peso dos veteranos:
·
Daisy
Ridley (Rey)
·
Mark
Hamill (Luke Skywalker)
·
Adam
Driver (Kylo Ren)
·
John
Boyega (Finn)
·
Oscar
Isaac (Poe Dameron)
·
Carrie
Fisher (General Leia Organa - em sua
última e emocionante atuação na saga)
Onde foi gravado o filme e quais foram as principais
locações?
Visualmente, o filme é um soco no estômago de tão bonito.
A fotografia utiliza cenários reais que dão uma textura crua e grandiosa para a
galáxia. A locação mais marcante, sem dúvidas, foi a ilha de Skellig Michael, na Irlanda.
Aquele lugar rochoso, cercado pelo oceano Atlântico e coberto por névoa, serviu
de cenário perfeito para o planeta Ahch-To, o refúgio isolado onde Luke
Skywalker decidiu se esconder do resto do universo.
Outro ponto alto foi o planeta de sal, Crait, palco da
batalha final. Aquelas planícies brancas que revelam um solo vermelho vivo
conforme os speeders passam foram gravadas no Salar de Uyuni, na Bolívia.
A escolha não poderia ser melhor: o contraste visual daquele deserto de sal com
o vermelho "sangue" entregou um dos terceiros atos mais plásticos e
memoráveis do cinema de ficção científica.
Quais são as melhores curiosidades dos bastidores de Os
Últimos Jedi?
Um filme desse tamanho sempre carrega histórias
fantásticas de bastidores. Separei as três que eu mais curto e que mostram a energia
das gravações:
·
O
drama dos Porgs: Aquelas criaturinhas
fofas que habitam a ilha de Ahch-To não foram criadas apenas para vender
brinquedos. A ilha real de Skellig Michael é um santuário natural de aves
chamadas papagaios-do-mar. Como havia milhares delas voando pelas filmagens e
era impossível retirá-las digitalmente uma a uma, Rian Johnson decidiu criar os
Porgs para colocar por cima das aves reais. Uma solução genial para um problema
prático.
·
O
retorno do mestre: Para a icônica cena
de Yoda, a produção decidiu ignorar a computação gráfica moderna. Eles
resgataram os moldes originais de O Império Contra-Ataca
e chamaram o mestre Frank Oz para operar o boneco
exatamente como faziam nos anos 80. A nostalgia no set foi absurda.
·
Príncipes
disfarçados: Os príncipes britânicos
William e Harry visitaram o set de filmagens e gravaram uma participação
especial vestidos como Stormtroopers. Infelizmente, a cena acabou cortada na
edição final por conta da altura deles, mas a história de bastidores permanece
viva.
Vale a pena assistir? Confira a nossa crítica da obra
Se você me perguntar direto ao ponto: o filme é bom? A
resposta é sim, e muito. Entendo perfeitamente o cara que saiu do cinema bravo
porque o Luke Skywalker não era mais aquele herói imbatível dos livros e games
do selo Legends. Mas,
olhando friamente para a narrativa, desconstruir o mito do herói foi a decisão
mais madura que a franquia tomou em décadas.
A dinâmica entre Rey e Kylo Ren é o coração do filme. As
conversas por meio da Força criam uma tensão palpável, e a cena da sala do
Trono de Snoke — onde os dois lutam lado a lado contra os guardas pretorianos —
é, facilmente, uma das melhores sequências de ação de toda a marca Star Wars. A
coreografia é pesada, violenta e precisa.
Por outro lado, o filme não é perfeito. O arco do cassino
em Canto Bight, onde Finn e Rose buscam um mestre arrombador, desacelera demais
o ritmo e parece um desvio desnecessário para uma trama que já estava correndo
contra o tempo.
Ainda assim, o saldo é extremamente positivo. Os Últimos Jedi ousa
desafiar a zona de conforto do espectador. Ele nos lembra que o passado deve
ser respeitado, mas não pode nos escravizar. É um filme feito para homens e
mulheres que curtem uma boa história de ficção científica que não tem medo de
arriscar, entregando um espetáculo visual digno da tela grande. Se você faz
tempo que não assiste, vale a pena dar uma nova chance com a mente aberta.
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