Se você é fã de grandes produções históricas, daquelas que não se fazem
mais hoje em dia, senta aí e pega um café. Vamos conversar sobre um colosso do
cinema que sempre me impressionou pela escala e pela coragem: Exodus (título original), lançado em 1960.
Dirigido pelo lendário Otto Preminger, o
filme é uma verdadeira maratona de quase quatro horas que reconta o nascimento
turbulento do Estado de Israel. É o tipo de cinema ambicioso, com milhares de
figurantes e um peso dramático que te prende na cadeira. Para mim, olhar para
essa obra hoje é entender como o cinema clássico moldou nossa forma de ver
grandes épicos políticos e militares.
Do que se trata a história de Exodus?
A trama começa logo após o fim da Segunda Guerra Mundial. Acompanhamos a
jornada de centenas de judeus sobreviventes do Holocausto que tentam zarpar de
Chipre em um navio chamado Exodus rumo à
Palestina, que na época estava sob forte controle do mandato britânico.
No centro de tudo está Ari Ben Canaan, interpretado por ninguém menos
que Paul Newman no auge do seu charme e imposição em tela.
Ele é um líder rebelde da Haganá (uma organização paramilitar judaica) que
arquiteta um plano audacioso para driblar o bloqueio britânico. O elenco ainda
traz nomes de peso como Eva Marie Saint,
vivendo uma enfermeira americana viúva que se envolve na causa, além de Ralph Richardson e Sal Mineo, que
entrega uma atuação brutal e emocionante.
A narrativa se divide claramente: a primeira metade é uma tensa batalha
de nervos e estratégia a bordo do navio, com uma greve de fome que desafia o
império britânico. A segunda metade desembarca em terra firme, mostrando o
caldeirão de conflitos e a contagem regressiva para a partilha da região pela
ONU.
Onde o filme foi gravado e qual sua
nota no IMDB?
Preminger não quis saber de estúdios fechados em Hollywood para rodar
essa história. Ele levou toda a produção para as locações reais, filmando em Chipre e em vários pontos de Israel,
como Jerusalém, Haifa e Acre. Essa decisão traz uma crueza e uma autenticidade
absurdas para as cenas. Você sente o calor, a poeira e o peso daqueles cenários
históricos de verdade.
No agregador de críticas mais famoso da internet, o IMDb, o filme sustenta uma nota 6.8. Sendo bem sincero,
acho uma pontuação um pouco injusta para a grandiosidade técnica do projeto,
mas ela reflete o ritmo arrastado que algumas pessoas sentem ao encarar uma
produção tão longa hoje em dia.
Quais são as maiores curiosidades dos
bastidores?
O que aconteceu por trás das câmeras de Exodus é quase tão
fascinante quanto o próprio filme. A principal curiosidade envolve o roteirista
Dalton Trumbo. Ele era um dos profissionais mais
brilhantes de Hollywood, mas estava na "Lista Negra" do Macarthismo,
banido de assinar seus trabalhos por visões políticas. Otto Preminger, conhecido
pelo temperamento difícil e pela coragem, peitou o sistema e colocou o nome de
Trumbo com destaque nos créditos. Esse ato ajudou a quebrar de vez a censura da
época na indústria cinematográfica.
Outro ponto icônico é a trilha sonora. O tema de abertura, composto por
Ernest Gold, tornou-se um clássico absoluto da história do cinema, daquelas
melodias que você reconhece nos primeiros segundos e que dão um tom heroico e
imponente para a jornada. O filme inclusive levou o Oscar de Melhor Trilha
Sonora por isso.
Vale a pena assistir a esse clássico
hoje?
Olhando com os olhos de hoje, minha crítica a Exodus
é de profundo respeito, embora com algumas ressalvas. O filme tem uma pegada
firme, focada em tática, diplomacia e na resiliência de homens e mulheres em
situações extremas. Paul Newman carrega o filme com uma presença magnética; ele
é o cara pragmático, durão quando precisa, mas guiado por um idealismo genuíno.
Por outro lado, o ritmo de 1960 é diferente do nosso. O romance entre o
personagem de Newman e a enfermeira interpretada por Eva Marie Saint às vezes
desacelera demais o ritmo do filme. Além disso, a abordagem política é
claramente favorável a um dos lados, o que era comum no cinema de época, mas
que pede um olhar mais atento e crítico de quem assiste hoje.
Ainda assim, o saldo é extremamente positivo. Ver a escala das batalhas,
a cinematografia em cenários reais e a coragem de discutir feridas tão recentes
da história humana logo após a Segunda Guerra faz de Exodus
um marco. Se você curte geopolítica, história militar e grandes atuações do
cinema clássico, é uma obra essencial para a sua lista.
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