Se você cresceu nos anos 80 ou simplesmente é um apaixonado por fantasia
clássica, sabe que existem algumas obras que moldaram o nosso imaginário. Hoje
vou falar de um dos filmes que mais me marcou e que, até hoje, revisito quando
quero aquela dose pura de nostalgia e criatividade sem limites: Labirinto - A Magia do Tempo.
Lembro perfeitamente da sensação de assistir a isso pela primeira vez.
Aquela atmosfera misteriosa, as criaturas que pareciam vivas de verdade e,
claro, a trilha sonora magnética. Vamos mergulhar nos bastidores e na história
desse clássico absoluto da cultura pop.
O que é Labirinto - A Magia do Tempo
e qual seu contexto?
Lançado em 1986, o filme — cujo título
original é Labyrinth — nos apresenta a Sarah, uma adolescente que,
num momento de frustração por ter que cuidar do irmãozinho bebê, deseja que os
duendes o levem embora. O problema é que o Rei dos Duendes, Jareth, realmente
aparece e leva a criança para o seu castelo, que fica no centro de um labirinto
gigantesco. Ela tem apenas 13 horas para resolver o enigma do lugar e salvar o
irmão.
A direção ficou por conta do mestre Jim Henson, o
criador dos Muppets. Com um orçamento robusto para a época e o peso da produção
executiva de ninguém menos que George Lucas (sim, o
pai de Star Wars), o longa trouxe um nível de efeitos práticos e marionetes que
mudou o patamar do cinema de fantasia. No IMDb, o filme
ostenta uma respeitável nota 7,3, refletindo o
carinho duradouro de fãs no mundo todo.
Quem faz parte do elenco e onde o
filme foi gravado?
O elenco é uma daquelas combinações raras que dão muito certo. No papel
de Jareth, o Rei dos Duendes, temos o camaleão do rock, David Bowie. O cara não apenas atuou com uma presença
de palco absurda, como também compôs e cantou as músicas marcantes da trilha
sonora. Dividindo a tela com ele, a jovem Jennifer Connelly,
então com uns 14 para 15 anos, entrega uma atuação sólida como Sarah,
equilibrando a teimosia da juventude com a coragem de enfrentar o desconhecido.
A maior parte das "locações" foi, na verdade, construída nos
lendários Elstree Studios, na Inglaterra. Toda a estrutura do
labirinto, os pântanos falsos e as paredes de pedra foram criados fisicamente
em sets massivos. Algumas cenas externas iniciais foram rodadas no Hampstead Heath, em Londres, e no Gwynedd, no País de Gales, mas a magia acontece mesmo
dentro daquele estúdio britânico, onde a equipe de Henson deu vida ao
impossível.
Quais são as maiores curiosidades dos
bastidores?
Uma das coisas que mais curto nesse filme é o trabalho artesanal. Hoje
em dia, tudo seria resolvido com tela verde e computação gráfica (CGI), mas em
1986 as coisas eram na raça. Por exemplo, aquela cena clássica em que o Bowie
manipula esferas de cristal com as mãos? Não era ele fazendo os truques. O
ilusionista Michael Moschen ficava literalmente escondido atrás das costas de
Bowie, esticando os braços por baixo das axilas do cantor para fazer os
malabarismos às cegas.
Outro detalhe animal é o tamanho da equipe de titereiros. Para
movimentar alguns dos personagens maiores, como o gigante gentil Ludo, eram
necessários vários operadores trabalhando em perfeita sincronia por rádio e
cabos. E para os fãs de Star Wars, uma curiosidade extra: a voz do cachorrinho
guerreiro Sir Didymus foi feita por David Shaughnessy, mas o boneco em si era
operado por Kevin Clash, o mesmo homem que deu vida ao Elmo da Vila Sésamo.
Vale a pena assistir a Labirinto nos
dias de hoje?
Sendo muito direto: vale cada minuto. Olhando com os olhos de hoje, o
filme é um testemunho de uma era onde o cinema era tátil. O design de produção é
impecável. O labirinto em si funciona como uma grande metáfora sobre o
amadurecimento e sobre como a vida não é uma linha reta — ela tem armadilhas,
atalhos falsos e portas que mudam de lugar.
A dinâmica entre a determinação de Sarah e o charme ameaçador do Jareth
de David Bowie segura o ritmo do início ao fim. É um filme com visual sombrio,
mas com um coração enorme. Se você curte uma boa jornada de herói, criaturas
bizarras que parecem saídas de um sonho (ou pesadelo) e aquela pegada
oitentista clássica, esse filme precisa estar na sua lista de assistidos ou
revistos urgentemente.
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