Se
você curte aquele tipo de filme que te pega pelo pescoço e não solta mais,
precisa conhecer — ou rever — O Óleo de Lorenzo. Lembro
perfeitamente da primeira vez que assisti a esse drama; a sensação foi de levar
um soco direto no estômago, mas da melhor forma possível que o cinema pode
proporcionar. É uma história brutal sobre persistência, daquelas que fazem a
gente repensar o que realmente importa na vida.
Lançado lá atrás, em 1992, o longa atende
pelo título original de Lorenzo's Oil. Com uma nota de 7.3 no IMDb,
o filme não é apenas um entretenimento passageiro. Ele se baseia na história
real e devastadora de Augusto e Michaela Odone, um casal comum que se vê em uma
corrida desesperada contra o relógio para salvar o filho de uma doença
degenerativa rara. É o tipo de obra que mexe com o nosso instinto mais
primitivo de proteção.
Qual é a verdadeira história por trás do filme?
A trama nos joga na vida de Lorenzo, um garoto
inteligente e saudável que, do nada, começa a apresentar graves problemas de
comportamento e coordenação. O diagnóstico médico vem como uma sentença de
morte: ele tem ALD (Adrenoleucodistrofia), uma doença genética rara que destrói
o sistema nervoso. Os médicos dão poucos anos de vida ao menino e dizem que não
há cura.
É aí que o bicho pega. Em vez de aceitarem o destino e
chorarem pelos cantos, os pais partem para o combate. Sem nenhuma formação
científica, o casal começa a estudar biologia e química por conta própria,
batendo de frente com a comunidade médica e com a burocracia dos testes
clínicos. Eles decidem que não vão ver o filho morrer de braços cruzados. É uma
jornada de foco absoluto, onde a inteligência e a pura força de vontade se
transformam em armas contra uma biologia implacável.
Quem são as mentes por trás desse clássico do cinema?
A direção ficou nas mãos de George Miller. Se
esse nome te soa familiar, é porque ele é o mesmo gênio por trás de toda a
franquia Mad Max. Pode
parecer um salto gigante sair de um deserto pós-apocalíptico para um drama de
hospital, mas Miller injeta em O Óleo de Lorenzo a mesma
intensidade e urgência das suas fitas de ação. A câmera dele não é estática;
ela transmite a angústia e a correria dos pais a cada segundo.
No elenco, temos dois gigantes entregando atuações
absurdas. Nick Nolte
interpreta Augusto Odone, trazendo aquele peso bruto, a voz rouca e a
determinação cega de um pai que se recusa a perder. Ao lado dele, Susan Sarandon vive
Michaela com uma entrega visceral que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de
Melhor Atriz. A química entre os dois funciona muito bem porque eles não
parecem um casal de comercial de margarina, mas sim dois aliados em uma
trincheira de guerra. O filme foi rodado em grande parte na cidade de Pittsburgh, na Pensilvânia,
o que ajuda a dar aquele clima cinzento, urbano e realista que a narrativa
pede.
Quais são as maiores curiosidades da produção?
O que pouca gente sabe é que o verdadeiro Lorenzo Odone
contrariou todas as previsões médicas da época. Enquanto os especialistas
diziam que ele não passaria dos 8 anos, o rapaz viveu até os 30 anos, falecendo
em 2008. Isso mostra o impacto real da descoberta de seus pais.
Outro ponto fascinante é o rigor científico que o diretor
George Miller, que por acaso é médico de formação, trouxe para o set. Ele
insistiu que os termos médicos fossem precisos, o que faz com que o espectador
aprenda sobre a doença junto com os personagens. Além disso, o "óleo"
que dá nome ao filme — uma mistura de trioleato de glicerol e trierucato de
glicerol — passou a ser usado de verdade na medicina para retardar o avanço da
ALD em garotos assintomáticos, salvando milhares de vidas ao redor do mundo.
Vale a pena assistir a O Óleo de Lorenzo hoje em dia?
Sendo muito direto: vale cada minuto. Minha crítica sobre
a obra é que ela envelheceu como um bom vinho. Enquanto muitos dramas dos anos
90 apostavam no sentimentalismo barato para arrancar lágrimas do público,
George Miller opta pelo realismo. O filme é tenso, por vezes difícil de
assistir devido à deterioração física do menino, mas evita o coitadismo.
O foco aqui é o confronto. É o homem versus a natureza, o indivíduo contra o sistema. Ver a transformação de Augusto e Michaela de cidadãos comuns a pesquisadores que desafiam os maiores Ph.Ds do mundo é inspirador. O longa nos lembra de uma verdade incômoda, mas necessária: às vezes, as respostas que precisamos não vão vir de mão beijada por autoridades; somos nós que temos que correr atrás e resolver o problema. É um baita filme de cabeceira sobre resiliência, sacrifício e o peso da responsabilidade familiar. Se você busca uma história que teste seus limites emocionais e te deixe pensando por dias, faça um favor a si mesmo e assista.
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