Retroceder Nunca... Render-se Jamais! (No Retreat, No Surrender)

 

Cara, se você cresceu nos anos 80 ou 90, ou simplesmente é fã daquela era de ouro dos filmes de fita cassete, sabe que existia uma fórmula mágica no cinema: o jovem subestimado, o mestre sábio (e às vezes fantasmagórico) e uma trilha sonora que dá vontade de chutar uma parede de tanta empolgação. É exatamente aí que entra um clássico absoluto do Cinema em Casa e da Superestreia: Retroceder Nunca... Render-se Jamais!.

Lembro perfeitamente da primeira vez que assisti a essa obra-prima do cinema de ação "B". A gente não queria saber de roteiro complexo ou crise existencial; a gente queria ver o herói apanhar, treinar até a exaustão e dar a volta por cima. E, claro, queríamos ver aquele vilão russo com cara de poucos amigos levar o que merecia. Vamos bater um papo sobre esse filme que moldou o caráter de muita gente por aí.

Do que se trata Retroceder Nunca... Render-se Jamais!?

A história acompanha Jason Stillwell, um garoto fanático por Bruce Lee que pratica caratê no dojô do pai em Los Angeles. As coisas azedam quando uma organização criminosa tenta dominar o local. O pai de Jason se recusa a ceder, tem a perna quebrada por um capanga brutal e a família decide se mudar para Seattle para recomeçar a vida.

Lá, Jason sofre para se adaptar, vira alvo dos valentões locais e, quando parece que tudo está perdido, algo surreal acontece: o "fantasma" do próprio Bruce Lee aparece para treiná-lo. A partir daí, o filme vira uma sequência insana de flexões, chutes na cara e superação, culminando em um torneio de artes marciais onde o destino de todo mundo é colocado em jogo.

Quem está por trás e na frente das câmeras?

O título original dessa pérola é No Retreat, No Surrender. Lançado no ano de 1986, o longa foi dirigido pelo mestre de Hong Kong, Corey Yuen, um cara que entende de coreografia de luta como poucos na história do cinema.

No elenco principal, temos Kurt McKinney interpretando o jovem Jason. Mas sejamos honestos: o filme é amplamente lembrado por ser um dos primeiros grandes papéis de ninguém menos que Jean-Claude Van Damme. Ele interpreta Ivan Kraschinsky, o temível lutador soviético. Completando o time, temos J.W. Fails como RJ, o amigo dançarino de break de Jason, e Kim Tai-chung fazendo o papel do espírito de Bruce Lee.

Onde o filme foi gravado e quais as maiores curiosidades?

A maior parte das locações principais fica em Seattle, Washington, nos EUA. Aquelas cenas clássicas de treino ao ar livre e o clima cinzento da cidade dão um charme todo especial à narrativa, contrastando com o início ensolarado na Califórnia.

Sobre os bastidores, existem algumas curiosidades que todo fã precisa saber:

·         Van Damme sem freio: Jean-Claude Van Damme levou o papel tão a sério que, nas cenas de luta, ele realmente acertava os dublês e os outros atores. Diz a lenda que o pessoal do set ficou bem irritado com a falta de controle dos golpes do "Grande Dragão Branco".

·         O verdadeiro clone de Bruce Lee: Kim Tai-chung, que interpreta o fantasma de Bruce Lee, já tinha experiência no assunto. Ele foi o dublê de Bruce no filme incompleto Jogo da Morte.

·         Trilha sonora marcante: A música tema "Hold On To The Vision", cantada por Kevin Chalfant, é o puro suco dos anos 80. É impossível ouvir e não querer fazer três séries de flexões imediatamente.

No IMDb, o filme ostenta uma nota de 5.6. Pode parecer baixa para quem olha de fora, mas para os iniciados no cinema de artes marciais raiz, essa nota é o equivalente a um Oscar de entretenimento puro.

Por que esse filme ainda vale a pena hoje em dia?

Olha, sendo bem sincero e sem nostalgia cega: a atuação geral é meio canastrona e o roteiro tem buracos do tamanho de um dojô. Mas a verdade é que Retroceder Nunca... Render-se Jamais! entrega exatamente o que promete. A direção de Corey Yuen nas lutas finais é espetacular e a edição tem um ritmo que não te deixa desgrudar os olhos da tela.

O clímax final, com a luta entre Jason e o personagem de Van Damme, é uma das melhores coreografias daquela década. O magnetismo de Van Damme na tela já era evidente ali, mesmo fazendo o papel de um vilão quase mudo. É um filme sobre honra, sobre não abaixar a cabeça quando os problemas parecem maiores que você e, acima de tudo, sobre a pura diversão de ver um bom combate. Se você quer desligar o cérebro no fim de semana e resgatar aquela energia de moleque, esse filme é um prato cheio.



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