Se
você é fã de uma boa fita de ação dos anos 90, com certeza já se pegou preso na
frente da TV assistindo a dois gigantes se quebrando no soco. Hoje eu quero
resgatar um clássico absoluto do cinema de ação raiz que moldou o início
daquela década e que, até hoje, deixa muito filme de herói moderno comendo
poeira. Vamos falar de ciborgues, experimentos científicos secretos e muita
pancadaria da boa.
Qual é a história por trás de Soldado Universal?
Para entender o impacto do filme, a gente precisa voltar
um pouco no tempo. Eu lembro perfeitamente da vibe daquela época: o cinema
estava fascinado por robôs, futurismo e heróis musculosos. O título original da
obra é Universal Soldier, e
ela chegou aos cinemas no ano de lançamento de 1992, surfando
na onda de blockbusters de ficção científica militar.
A trama começa pesada, lá na Guerra do Vietnã em 1969.
Dois soldados americanos, Luc Deveraux e o sargento psicopata Andrew Scott,
acabam se matando em um confronto brutal após Scott enlouquecer e começar a
decapitar civis. Décadas depois, os corpos deles aparecem congelados e
reanimados em um projeto secreto do governo dos EUA. Eles viraram supersoldados
cibernéticos, sem memórias, sem dor e programados apenas para obedecer. O
problema é que o passado insiste em voltar, e os flashes de memória dos dois
começam a falhar, reativando aquele ódio mortal do Vietnã em pleno deserto
americano.
Quem são as mentes e os astros por trás do filme?
O grande trunfo desse projeto foi juntar os dois maiores
astros de ação em ascensão daquele momento. No papel do herói trágico Deveraux,
temos o mestre dos espacates Jean-Claude Van Damme, no auge da
sua forma física. Do outro lado, interpretando o vilão completamente insano e
carismático Andrew Scott, está o gigante sueco Dolph Lundgren. A
química de rivalidade entre os dois na tela é absurda; você realmente acredita
que aqueles caras querem se destruir.
Atrás das câmeras, o comando ficou por conta do diretor Roland Emmerich.
Se esse nome te soa familiar, é porque ele mais tarde ficou conhecido como o
"mestre da destruição", dirigindo gigantes como Independence Day e O Dia Depois de Amanhã.
Em Soldado Universal,
ele ainda estava refinando seu estilo, mas já dava para ver a sua assinatura
nas explosões grandiosas e no ritmo que não te deixa desgrudar os olhos da
tela. No elenco de apoio, a atriz Ally Walker faz a jornalista enxereta que
acaba ajudando Deveraux a fugir, dando uma dinâmica de "estrada" bem
legal para o meio do filme.
Onde o filme foi gravado e quais são suas curiosidades?
Toda aquela estética de poeira, estradas vazias e
instalações militares isoladas não foi por acaso. A locação principal do
filme rolou no estado do Arizona, nos Estados Unidos. Lugares como as cidades
de Kingman, Sedona e a imponente Represa Hoover serviram de cenário para as
perseguições de caminhão e os tiroteios, o que deu ao filme um visual árido e
isolado que combina perfeitamente com o clima de caçada humana.
Nos bastidores, existem algumas curiosidades
sensacionais que mostram como o marketing da época era agressivo:
·
Briga
fake em Cannes: Para promover o filme no
prestigiado Festival de Cinema de Cannes em 1992, Van Damme e Dolph Lundgren
fingiram uma discussão feia e quase saíram na porrada no tapete vermelho. Todo
mundo acreditou que o clima tinha azedado, mas era puro show business para
estampar as capas dos jornais.
·
O
colar de orelhas: O colar de orelhas
humanas que o personagem de Lundgren usa virou uma marca icônica de vilão na
cultura pop. Diz a lenda que o adereço era tão realista que dava um nó no
estômago do pessoal no set de filmagens.
·
Aparatos
reais: O visor tecnológico que os
soldados usam no olho esquerdo acabou virando um símbolo visual do filme, sendo
copiado em vários jogos de videogame e outras mídias nos anos seguintes.
Vale a pena assistir a Soldado Universal hoje em dia?
Chegando à nossa crítica da obra, o
veredito é direto: o filme envelheceu muito bem como um entretenimento purista
de ação. Claro, se você olhar com os olhos de hoje, os efeitos práticos, as
explosões de verdade (sem aquele excesso de computação gráfica de shopping
atual) dão um charme absurdo para a produção. É um filme honesto. Ele entrega
exatamente o que promete: coreografias de luta viscerais, tiroteios pesados e
uma premissa de ficção científica que, embora simples, sustenta a tensão do
início ao fim.
O arco do soldado que tenta recuperar sua humanidade
enquanto foge de um monstro imparável funciona muito bem. Atualmente, o filme
ostenta uma nota IMDB de 6,2/10.
Pode parecer uma nota mediana para os padrões atuais de críticos cheios de
dedos, mas para a comunidade de fãs de ação e para a época, o filme é
considerado um clássico cult inquestionável. É o tipo de cinema que não se faz
mais hoje em dia: focado na presença física dos atores e na brutalidade dos
dublês. Se você quer desligar a cabeça depois de um dia longo de trabalho e
curtir uma boa porradaria nostálgica, dar o play em Soldado Universal
ainda é uma das melhores decisões que você pode tomar no seu fim de semana.
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