A Astronauta (The Astronaut)

 

Se você curte uma ficção científica com uma pegada mais suspense psicológico, A Astronauta (2025) provavelmente apareceu nas suas recomendações ultimamente. Eu tirei um tempo para assistir e, olha, o filme tenta sair do lugar comum das viagens espaciais para focar no que acontece quando a missão "termina", mas o problema volta com você.

O filme, cujo título original é simplesmente The Astronaut, chegou com uma proposta de misturar o isolamento de Ex Machina com o desconforto de um thriller alienígena. Vou te contar o que achei e os detalhes técnicos que importam, sem entregar o final para não estragar a sua experiência.

Trama e Atmosfera: O que esperar de A Astronauta

A história gira em torno de Sam Walker, vivida pela Kate Mara. Ela é uma astronauta que acaba de retornar de sua primeira missão solo. O problema é que a cápsula dela é encontrada toda danificada no mar e, teoricamente, ela não deveria ter sobrevivido aos ferimentos.

A narrativa não foca no espaço em si, mas na volta para casa. Sam é colocada em uma quarentena rigorosa em uma casa isolada e ultramoderna, sob a supervisão do General William Harris (interpretado pelo Laurence Fishburne). O clima é pesado; você sente que tem algo errado o tempo todo. Ela começa a ter alucinações — ou serão memórias? — e a sensação de que não voltou sozinha da órbita. É um filme mais contido, que usa o silêncio e o cenário para construir a tensão.

Elenco e Direção: Nomes de peso na ficção científica

A escolha do elenco foi um dos pontos que me chamou a atenção. Ter o Laurence Fishburne em um projeto de ficção científica sempre traz uma autoridade natural para a tela, e aqui ele faz esse papel de mentor/figura autoritária que esconde mais do que revela.

  • Direção e Roteiro: Jess Varley (fazendo sua estreia solo na direção de longas).

  • Elenco Principal: Kate Mara, Laurence Fishburne, Gabriel Luna e Macy Gray.

A atuação da Kate Mara é bem direta. Ela entrega uma personagem exausta e paranoica, o que combina com o tom menos emotivo do filme. O roteiro não perde tempo com dramas exagerados; ele foca na dúvida pragmática: o que aconteceu lá em cima?

Trilha Sonora, Locações e Curiosidades de Bastidores

Tecnicamente, o filme é bem polido. A trilha sonora foi composta por Jacques Brautbar e ela faz um trabalho honesto em manter a pulsação do suspense sem ser intrusiva demais. Sobre as locações de filmagem, embora a história se passe teoricamente nos EUA (Virgínia), a produção foi rodada na verdade na Irlanda, o que explica aquele visual de isolamento e as paisagens mais frias que vemos ao redor da casa de quarentena.

Algumas curiosidades que valem o registro:

  • Troca de protagonista: Originalmente, a Emma Roberts seria a estrela do filme, mas acabou sendo substituída pela Kate Mara antes do início das gravações em 2023.

  • Estreia: O filme teve sua primeira exibição em festivais renomados como o SXSW antes de chegar ao grande público.

  • Produção: O filme conta com a produção de Brad Fuller, o mesmo cara por trás de Um Lugar Silencioso, o que explica a atenção redobrada ao design de som.

Veredito: Notas, Prêmios e Minha Opinião

Sendo bem direto com você: A Astronauta dividiu opiniões. No IMDb, a nota tem flutuado na casa dos 5.2, o que reflete um público que esperava mais ação e recebeu um suspense psicológico de ritmo lento (o famoso "slow burn").

Até o momento, o filme não levou grandes estatuetas dos circuitos principais, mas tem circulado bem em festivais de gênero e foi elogiado pela performance técnica de som e fotografia. Não é o melhor filme de alienígenas da década, mas é uma opção sólida para quem gosta de teorias de conspiração e uma narrativa que não mastiga tudo para o espectador.

Ficha Técnica Resumida:

  • Título Original: The Astronaut

  • Lançamento: 17 de outubro de 2025 (EUA)

  • Direção: Jess Varley

  • Duração: 90 minutos

  • Gênero: Ficção Científica / Thriller

Se você gosta de filmes que focam mais no "pós-trauma" do que na viagem espacial propriamente dita, vale o play. Seria legal se você assistisse e depois me contasse se conseguiu sacar o plot twist antes da hora.




Horas de Desespero (Desperate Hours)

 

Se você é fã de um bom suspense de invasão domiciliar, provavelmente já ouviu falar de Horas de Desespero (1990). Recentemente resolvi rever esse filme para entender como ele envelheceu e, olha, a experiência é interessante. Ele é um remake do clássico de 1955, mas com aquela pegada visceral do final dos anos 80 e início dos 90.

Aqui vou te contar o que faz esse filme valer o play, sem estragar as surpresas da trama.

O que esperar de Horas de Desespero (1990)

O título original é Desperate Hours e a premissa é direta ao ponto, sem enrolação. Um criminoso perigoso foge da custódia e, junto com seus comparsas, decide invadir a casa de uma família comum para se esconder enquanto espera por sua advogada (e amante).

O filme foca muito no jogo psicológico entre o invasor e o pai de família. Não espere uma correria de ação desenfreada; o que temos aqui é uma tensão crescente, aquele clima de "panela de pressão" onde você sabe que algo vai dar errado a qualquer momento. É um suspense seco, bem pé no chão, que explora até onde um homem comum vai para proteger quem ama.

O elenco de peso e a direção de Cimino

Lançado oficialmente em 5 de outubro de 1990, o longa tem a assinatura de Michael Cimino. Se você conhece a história do cinema, sabe que o Cimino era um diretor perfeccionista e ambicioso (o cara por trás de O Franco Atirador). Aqui ele traz uma estética muito bem cuidada, típica do seu estilo.

O elenco é o que realmente segura a barra:

  • Mickey Rourke: No auge do seu estilo "bad boy", ele interpreta o líder dos bandidos, Michael Bosworth.

  • Anthony Hopkins: Faz o papel de Tim Cornell, o pai de família que precisa manter a calma sob pressão. É curioso ver o Hopkins aqui, um ano antes de ele explodir mundialmente como Hannibal Lecter.

  • Mimi Rogers, Kelly Lynch e Elias Koteas: Fecham o grupo principal com atuações bem sólidas.

No IMDb, o filme mantém uma nota média de 5.5. É uma pontuação que reflete bem a divisão da crítica na época: muita gente achou o filme pesado demais ou não curtiu o ritmo, mas para quem gosta de suspense psicológico, ele entrega o que promete.

Detalhes técnicos, trilha e os cenários de Utah

Um dos pontos altos para mim são as locações de filmagem. Grande parte do filme foi rodada em Utah, nos Estados Unidos, incluindo áreas próximas a Salt Lake City e o imponente Zion National Park. O contraste entre a beleza natural e vasta do lado de fora com o confinamento sufocante dentro da casa é um toque visual muito inteligente do Cimino.

trilha sonora ficou por conta de David Mansfield. Ela é funcional, não tenta roubar a cena, mas ajuda a manter aquele incômodo constante no fundo do ouvido. Sobre premiações, o filme não foi exatamente um queridinho do Oscar. Na verdade, ele acabou recebendo uma indicação ao Framboesa de Ouro para o Mickey Rourke como Pior Ator, o que eu acho um pouco injusto, já que ele entrega o cinismo que o personagem pedia.

Curiosidades e por que assistir hoje

Se você gosta de saber os bastidores, aqui vão alguns pontos curiosos sobre a produção:

  1. Conflitos no set: Michael Cimino era conhecido por ser difícil, e as filmagens foram marcadas por tensões entre ele e a produção.

  2. O remake: Como eu disse, ele é baseado no filme de 1955 estrelado por Humphrey Bogart. O clima aqui é bem mais sombrio que o original.

  3. Fidelidade: O roteiro foi adaptado por Joseph Hayes, que é o autor do livro original que deu origem às duas versões cinematográficas.

No fim das contas, Horas de Desespero é um filme sobre escolhas sob pressão extrema. É um suspense honesto, com ótimos atores e uma direção que sabe usar o espaço da casa para criar agonia. Se você quer um filme para ver à noite e ficar grudado no sofá, vale dar uma chance.