Toy Story 2

 

Se você cresceu nos anos 90 ou simplesmente curte uma boa história de cinema, sabe que poucas coisas batem a nostalgia de rever os clássicos da nossa infância. E quando o assunto é animação que transcende gerações, Toy Story 2 sempre entra na conversa. Lembro perfeitamente de quando parei para assistir a essa sequência pela primeira vez. Havia aquele medo clássico de que o segundo filme estragasse o impacto do primeiro, mas a Pixar deu uma aula de como expandir um universo sem perder a alma.

Prepare o café e vem comigo resgatar essa obra-prima que redefiniu o que uma animação pode ser.

Qual é a história por trás de Toy Story 2?

Lançado nos cinemas em 1999, o longa originalmente se chama Toy Story 2 também no mercado internacional e carrega a assinatura do diretor John Lasseter, o cara que praticamente moldou a era de ouro da computação gráfica.

O pano de fundo do filme expande muito o horizonte do quarto do Andy. A trama principal engrena quando o Woody tenta salvar um brinquedo quebrado de uma venda de garagem no quintal da casa do Andy — uma típica locação suburbana americana que traz aquele calor de lar — e acaba sendo sequestrado por Al, um colecionador ganancioso e dono de uma mega loja de brinquedos.

A partir daí, descobrimos que o Woody não é só um caubói qualquer; ele é um item raríssimo de uma coleção dos anos 50. Enquanto o Woody descobre suas origens no apartamento do Al, o Buzz Lightyear lidera uma missão de resgate insana pelas ruas da cidade, enfrentando o trânsito pesado e os corredores infinitos de uma gigantesca loja de brinquedos para trazer o amigo de volta antes que o Andy volte do acampamento de férias.

Quem faz parte do elenco e das vozes marcantes?

O grande trunfo desse filme é como o elenco de dublagem consegue injetar peso e humanidade em bonecos de plástico e pano. No áudio original em inglês, a química entre Tom Hanks (Woody) e Tim Allen (Buzz Lightyear) é o motor que move a narrativa. Eles soam como aqueles dois amigos de longa data que se xingam, mas dão a vida um pelo outro.

O time ganha um reforço brutal com Joan Cusack dando voz à Jessie, a caubói cheia de energia, mas profundamente traumatizada pelo abandono, e Kelsey Grammer como o Mineiro, um sujeito amargurado que passou a vida trancado em uma caixa. Na versão brasileira, a dublagem é um patrimônio nacional à parte: Alexandre Lippiani (e mais tarde Marco Ribeiro) como Woody e Guilherme Briggs entregando um Buzz icônico que faz parte do nosso vocabulário até hoje.

Quais são as melhores curiosidades dos bastidores?

Uma das coisas que mais respeito nessa produção é o caos que foi o seu desenvolvimento. O que pouca gente sabe é que Toy Story 2 quase foi direto para o mercado de home vídeo (as saudosas fitas VHS). A Disney queria algo mais simples e barato, mas a Pixar bateu o pé dizendo que a história merecia as telas grandes.

O preço disso? O filme foi praticamente reescrito e reanimado do zero em impressionantes nove meses. A equipe trabalhou sob uma pressão absurda, enfrentando noites em claro para entregar o nível de perfeição que a gente vê na tela.

Outro detalhe de bastidores que quase causou um infarto coletivo na empresa: um funcionário digitou um comando errado nos servidores e deletou cerca de 90% dos arquivos do filme durante a produção. A sorte grande é que a diretora técnica Galyn Susman tinha uma cópia de segurança em casa porque estava trabalhando remotamente para cuidar do filho recém-nascido. Ela literalmente salvou o filme levando o disco rígido para o estúdio no banco de trás do carro.

Vale a pena assistir a Toy Story 2 hoje em dia?

Para fechar o veredito, basta olhar friamente para os números e para o impacto cultural. O filme ostenta uma nota 7.9 no IMDb, uma média altíssima para sequências, e mantém uma aprovação raríssima de 100% dos críticos no Rotten Tomatoes. Mas, deixando os dados de lado, o que realmente importa é como a obra envelheceu bem.

A minha crítica sincera é que Toy Story 2 é superior ao primeiro em quase tudo. O ritmo é mais ágil, o humor funciona tanto para um garoto de 8 anos quanto para um marmanjo de 30, e as cenas de ação são milimetricamente bem decupadas.

Mais do que uma aventura divertida, o roteiro toca em feridas reais: a passagem do tempo, o medo do esquecimento, a obsolescência e a dor da rejeição (a sequência ao som de When She Loved Me que mostra o passado da Jessie é de quebrar qualquer um por dentro). No fim das contas, a mensagem que fica é sobre lealdade e aceitar a nossa mortalidade, escolhendo viver intensamente as conexões que temos hoje, mesmo sabendo que o futuro é incerto. É um cinema feito com coragem, testosterona emocional no lugar certo e uma narrativa impecável que merece ser revista sempre.

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