Madagascar

 

Se você cresceu nos anos 2000, com certeza passou alguma tarde de domingo colado na tela assistindo a quatro animais mimados de um zoológico de Nova York tentando sobreviver na selva de verdade. Estou falando de Madagascar, uma das animações mais nostálgicas e divertidas da DreamWorks. Lançado originalmente em 2005, esse filme marcou uma geração e ditou o ritmo de como fazer comédia de animação com um ritmo frenético e piadas que funcionam tanto para as crianças quanto para nós, marmanjos.

Pegue o seu café e vem comigo relembrar essa jornada, porque hoje vou analisar o filme sob uma perspectiva de quem aprecia uma boa história de parceria, crise de identidade e, claro, muita confusão.

Qual é o contexto inicial e a história de Madagascar?

A trama começa no Zoológico do Central Park, onde quatro amigos vivem na mais pura mordomia: Alex, o leão e a grande estrela do local; Marty, uma zebra cheia de crises existenciais que sonha em conhecer o mundo além das grades; Melman, uma girafa hipocondríaca que vive cheia de paranoias; e Gloria, uma hipopótamo cheia de atitude que mantém o grupo unido.

Tudo muda no aniversário de 10 anos de Marty. Ele decide fugir para a estação de trem com a ajuda de uns pinguins psicopatas (que roubam a cena, convenhamos). Os amigos vão atrás para resgatá-lo, a polícia cerca o grupo e, após um apagão geral causado por tranquilizantes, eles acordam dentro de caixas em um navio cargueiro. Após um motim dos pinguins, as caixas caem no mar e o grupo vai parar na ilha selvagem de Madagascar. É aí que o bicho pega: o instinto predador de Alex começa a despertar, e a amizade deles é colocada à prova no meio da cadeia alimentar real.

Quem está por trás e na frente das câmeras de Madagascar?

Com o título original de Madagascar, o longa foi dirigido pela dupla Eric Darnell e Tom McGrath, caras que souberam dosar perfeitamente a comédia física com diálogos rápidos. No elenco original de dublagem, os caras escalaram um time de peso que trouxe muita personalidade aos personagens. Ben Stiller dá vida ao orgulhoso Alex, enquanto Chris Rock injeta uma energia absurda no ritmo de Marty. David Schwimmer (o eterno Ross de Friends) faz o papel do neurótico Melman e Jada Pinkett Smith brilha como Gloria.

A locação da história se divide em dois extremos visuais incríveis: a selva de pedra cinzenta e simétrica de Nova York e o visual caótico, verdejante e exuberante da ilha africana de Madagascar. Atualmente, o filme sustenta uma nota IMDB de 6.9, uma avaliação sólida para um filme que foca prioritariamente no humor e no entretenimento puro, sem tentar ser um drama profundo.

Quais são as melhores curiosidades sobre os bastidores do filme?

Como todo bom fã de cinema, eu adoro caçar o que acontece por trás das cortinas. Separei algumas curiosidades que mostram como esse filme foi construído:

·         Aparência geométrica: Os designers do filme se inspiraram nas ilustrações clássicas dos anos 50 e nos desenhos da Warner Bros. Se você reparar bem, cada personagem é baseado em formas geométricas claras — Alex é um triângulo invertido com aquela juba enorme, e Marty é uma caixinha de listras.

·         O hino das baladas: A música "I Like to Move It", cantada pelo Rei Julien (dublado brilhantemente por Sacha Baron Cohen no original), não foi feita para o filme. Ela é um sucesso de 1993 do grupo Reel 2 Real, mas o filme ressuscitou a faixa de um jeito que hoje é impossível ouvi-la e não lembrar dos lêmures dançando.

·         Mudança de planos: Originalmente, os pinguins não deveriam ter tanto destaque. Eles faziam parte de outro projeto de curta-metragem de Tom McGrath que acabou sendo cancelado. Ele os colocou em Madagascar e o sucesso foi tão bizarro que eles ganharam série de TV e filme próprio depois.

Qual é a minha crítica sincera sobre a obra?

Olhando para trás, Madagascar envelheceu muito bem. Não é um filme que tenta te fazer chorar como as produções da Pixar da mesma época; a pegada aqui é ritmo, comédia de situação e a clássica dinâmica de "peixe fora d'água".

O ponto alto para mim é o arco do Alex. É muito interessante ver como o filme aborda o conflito interno dele: o cara descobre que, no fundo, é um predador e que seu melhor amigo parece um bife ambulante. Isso traz uma tensão real para o meio do filme, resolvida de um jeito bem humorado e focado na lealdade. As piadas visuais são afiadas, o ritmo não te deixa entediado em nenhum minuto e os personagens secundários sustentam o filme quando a trama principal desacelera. É um clássico moderno da animação que entrega exatamente o que promete: diversão despretensiosa e de alta qualidade.

 

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