Almas Perdidas (Anima Persa)

 

Cara, se você curte garimpar cinema alternativo, provavelmente já esbarrou no nome Almas Perdidas (ou Anima Persa), um clássico de 1977 que carrega aquela aura de mistério europeu do final dos anos 70. O filme é um daqueles achados que misturam drama, suspense e uma pitada de sobrenatural sem precisar de efeitos especiais mirabolantes.

Vou te contar o que faz esse filme ser relevante até hoje e por que ele merece um espaço na sua lista de "preciso assistir".

O que é Almas Perdidas (Anima Persa) de 1977?

Lançado originalmente em 26 de março de 1977, o filme é uma obra do diretor Dino Risi, um cara que sabia muito bem como transitar entre a comédia italiana e o drama psicológico. O título original é Anima Persa, e a trama gira em torno de um jovem que vai morar com os tios em Veneza para estudar pintura, mas acaba descobrindo que a casa esconde segredos bem pesados no sótão.

O elenco é de peso. Temos Vittorio Gassman entregando uma atuação contida e intimidadora como o tio Fabio, e a icônica Catherine Deneuve como Elisa. A dinâmica entre eles é o que segura a tensão o tempo todo. No IMDb, o filme costuma flutuar com uma nota na casa dos 6.7, o que é bem honesto para uma obra cult dessa época.

A atmosfera de Veneza e a trilha sonora

Se tem uma coisa que esse filme acerta em cheio são as locações de filmagem. Ele foi rodado em Veneza, na Itália, mas esqueça aquela cidade romântica dos cartões-postais. Risi mostra uma Veneza fria, cinzenta e decadente, que combina perfeitamente com o clima de isolamento da história.

trilha sonora é outro ponto alto. Composta por Francis Lai, a música ajuda a criar aquele desconforto constante. Não é uma trilha que tenta te dar sustos, mas sim uma melodia que te deixa com a sensação de que algo está errado o tempo todo. É o tipo de som que você reconhece na hora se ouvir de novo.

Reconhecimento e curiosidades dos bastidores

Mesmo sendo um filme mais de "nicho", ele não passou batido nas premiações da época. O diretor Dino Risi foi indicado ao Prêmio David di Donatello (o "Oscar" italiano) de Melhor Diretor, o que mostra que a crítica respeitava a execução técnica da obra.

Algumas curiosidades interessantes sobre a produção:

  • Base literária: O roteiro é baseado no romance de Giovanni Arpino, o mesmo autor de Perfume de Mulher.

  • Estilo Visual: O filme é frequentemente comparado a um "Giallo" (suspense italiano), mas ele é muito mais um estudo de personagem e sanidade do que um filme de crime propriamente dito.

  • Catherine Deneuve: Na época, ela já era uma estrela mundial, e sua presença trouxe um ar de sofisticação francesa que contrastava com a intensidade italiana de Gassman.

Por que você deveria assistir a esse clássico?

Para mim, o grande mérito de Almas Perdidas é como ele constrói o suspense sem entregar o jogo rápido demais. Ele não te subestima. Você acompanha o protagonista tentando entender a estrutura familiar bizarra daqueles tios e, quando percebe, já está imerso na paranoia da casa.

É um cinema direto, sem firulas modernas, focado em diálogos e na interpretação dos atores. Se você gosta de histórias que exploram os esqueletos que cada família guarda no armário (ou, nesse caso, no sótão), vale cada minuto.


O Feitiço de Áquila (Ladyhawke)

 

Cara, se você cresceu nos anos 80 ou 90, as chances de ter parado na frente da TV para assistir O Feitiço de Áquila são gigantescas. Eu revi o filme recentemente e, olha, ele envelheceu como um bom vinho, mas sem aquela frescura de clássico intocável. É um filme de fantasia pé no chão, com uma pegada medieval que faz muita produção atual parecer videogame.

Vou te contar por que esse filme ainda vale o seu tempo e o que faz dele um marco do gênero.

O que é o Feitiço de Áquila? (Ladyhawke)

O título original é Ladyhawke. Lançado em 1985, o filme foi dirigido por Richard Donner — o mesmo cara que entregou Superman e Os Goonies. Só por aí você já sente que a execução é de alto nível.

A história gira em torno de um capitão da guarda, um bispo corrupto e uma maldição que impede um casal de se encontrar. Basicamente: durante o dia ela é um falcão, durante a noite ele é um lobo. Eles estão sempre juntos, mas nunca se tocam na forma humana. É uma ideia simples, mas executada com uma sobriedade que me agrada. Não tem dragão cuspindo fogo a cada cinco minutos; o foco é a jornada e a sobrevivência.

Elenco de peso e o fator IMDB

O trio principal é o que segura o piano. Temos Matthew Broderick como o rato de esgoto Gaston, que serve como o alívio cômico e nossos olhos naquela história. Michelle Pfeiffer está no auge, entregando uma Isabeau que é forte e misteriosa ao mesmo tempo. E, claro, Rutger Hauer como Etienne Navarre. O cara tinha uma presença bruta, o tipo de cavaleiro que você realmente acredita que conseguiria derrubar um exército sozinho.

Atualmente, o filme sustenta uma nota 6.9 no IMDB. Para um filme de fantasia daquela década, é uma nota sólida, refletindo que ele não é apenas nostalgia, mas um filme tecnicamente bem resolvido.

Trilha sonora e o visual épico na Itália

Aqui entra um ponto que divide opiniões, mas eu curto: a trilha sonora. Composta por Andrew Powell e produzida por Alan Parsons (sim, o do Alan Parsons Project), ela mistura orquestra com sintetizadores progressivos dos anos 80. Para alguns, soa datado; para mim, dá uma energia única para as cenas de cavalgada.

As locações também são um show à parte. O filme foi rodado quase inteiramente na Itália. Lugares como:

  • Castello di Torrechiara

  • Rocca Calascio (aquela ruína incrível no topo da montanha)

  • Dolomitas

Isso faz toda a diferença. Você sente o frio, a pedra real e a sujeira da Idade Média. Não tem aquele aspecto de estúdio fechado.

Premiações e curiosidades de bastidores

Embora não tenha sido um "papa-Oscars", o filme foi indicado a duas estatuetas em 1986: Melhor Som e Melhor Edição de Som. Faz sentido, já que a ambientação sonora é um dos pontos altos da imersão.

Algumas curiosidades que talvez você não saiba:

  1. O cavalo de Navarre: Rutger Hauer usou seu próprio cavalo em várias cenas, um Friesian negro enorme que combinava perfeitamente com a armadura dele.

  2. Troca de papéis: Originalmente, Sean Penn foi considerado para o papel de Gaston e Dustin Hoffman para Navarre. Sinceramente? Acho que o elenco final funcionou muito melhor.

  3. Animais reais: Quase não há efeitos ópticos nos animais. Eram falcões e lobos treinados de verdade, o que traz um peso visual que o CGI moderno custa a replicar.

Por que você deveria assistir hoje

O Feitiço de Áquila é um filme direto. Ele não tenta reinventar a roda, mas entrega uma narrativa de aventura e fantasia com uma dignidade difícil de achar. Se você gosta de histórias de honra, espadas e uma fotografia que valoriza paisagens reais, dê o play. É cinema feito por quem entendia de escala e ritmo, sem precisar de explosões a cada frame.