Triângulo da Tristeza (Triangle of Sadness)

 

Sabe aquele tipo de filme que te deixa desconfortável, mas você não consegue parar de olhar? É exatamente o que senti assistindo Triângulo da Tristeza (ou Triangle of Sadness, no título original). Eu não sou de me emocionar fácil com cinema, prefiro algo que me faça pensar ou que escancare o ridículo da sociedade, e o diretor Ruben Östlund acertou em cheio nessa dose de acidez.

O filme foi lançado oficialmente em 2022 e, desde então, virou um tópico obrigatório em qualquer roda de conversa sobre cinema que se preze. Se você busca uma experiência que foge do óbvio, senta aí que vou te contar por que esse longa merece sua atenção, sem entregar o que acontece na trama.

Do que se trata Triângulo da Tristeza?

A história começa focada no mundo da moda, acompanhando o casal de modelos Carl (Harris Dickinson) e Yaya (Charlbi Dean). O título, inclusive, vem de um termo desse meio: a ruga de expressão que fica entre as sobrancelhas, que muita gente tenta esconder com botox. Logo de cara, o filme já mostra que o foco é a futilidade e como a aparência dita as regras do jogo.

A coisa muda de figura quando eles vão parar em um cruzeiro de luxo. É ali que o diretor coloca no mesmo barco ricaços excêntricos e uma tripulação treinada para dizer "sim" para qualquer absurdo. O clima de tensão vai crescendo de um jeito que você sabe que algo vai dar errado, mas não imagina o tamanho da confusão. É uma sátira social direta, sem firulas, que coloca o dinheiro e a beleza em xeque.

O elenco e a visão de Ruben Östlund

Para fazer uma crítica desse nível, o elenco precisava ser afiado. Harris Dickinson entrega um Carl inseguro e humano, enquanto a falecida Charlbi Dean brilha como uma influenciadora que sabe exatamente o poder que tem. Mas, para mim, quem rouba a cena é o Woody Harrelson. Ele faz o capitão do navio, um cara que prefere ficar trancado na cabine bebendo do que lidar com os passageiros.

A direção do sueco Ruben Östlund é cirúrgica. Ele já tinha feito barulho com The Square, mas aqui ele parece mais livre para chutar o balde. Não é à toa que o filme conquistou a Palma de Ouro em Cannes, o prêmio máximo do festival, e ainda beliscou indicações ao Oscar de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Original. Atualmente, o longa segura uma nota 7.3 no IMDb, o que é um reflexo bem justo da recepção do público.

Curiosidades e os bastidores das filmagens

Uma das coisas que mais me chamou a atenção foram as locações. Grande parte do filme foi rodada na Grécia, especificamente na praia de Chiliadou, e no iate "Christina O", que curiosamente já pertenceu a Aristóteles Onassis. Esse toque de realismo no luxo ajuda muito a mergulhar na história.

Além disso, a trilha sonora é um capítulo à parte. Ela mistura música clássica com sons mais pesados, como a faixa "New Noise" da banda Refused, que toca em um momento crucial. É aquele tipo de som que dita o ritmo do caos.

Algumas curiosidades rápidas que pesquisei depois de ver:

  • O diretor se inspirou em histórias reais contadas por sua esposa, que é fotógrafa de moda.

  • A cena do jantar, que é uma das mais famosas, demorou dias para ser gravada e exigiu muito fisicamente dos atores.

  • O filme é dividido em três atos bem distintos, o que faz a experiência parecer uma jornada completa.

Vale a pena investir seu tempo?

Se você curte um humor ácido e não tem estômago fraco, a resposta é um sim absoluto. Triângulo da Tristeza não tenta ser bonitinho ou dar lição de moral barata. Ele apenas joga as peças no tabuleiro e observa como os seres humanos se comportam quando perdem o controle ou o status.

É um filme sobre poder, sobrevivência e, acima de tudo, sobre o quão ridículo podemos ser. É o tipo de obra que, quando sobem os créditos, você fica uns minutos encarando a tela preta processando tudo o que viu. Se estiver procurando algo no streaming para o próximo final de semana, pode ir sem medo.


No Limite do Mundo (Edge of the World)

 

Sempre tive uma queda por histórias de sujeitos que decidem abandonar o conforto da civilização para testar os próprios limites em lugares onde a lei é ditada pela natureza. Recentemente, assisti a No Limite do Mundo e, se você curte esse tipo de narrativa crua, sem o brilho exagerado de Hollywood, vale a pena entender o que esse filme entrega.

Não espere uma jornada de herói convencional. O tom aqui é mais seco, focado na realidade brutal de tentar estabelecer algum tipo de ordem no caos.

O que você vai encontrar na história

O filme, cujo título original é Edge of the World, conta a trajetória de Sir James Brooke. Para quem não conhece a história real, Brooke era um ex-soldado britânico que, em 1839, pegou um navio e foi parar em Bornéu. O cara não queria apenas explorar; ele acabou se tornando o "Rajah Branco" de Sarawak.

O roteiro foca nesse choque cultural e na obsessão de um homem em fugir da rigidez da sociedade vitoriana, mergulhando em uma selva que não está nem aí para os títulos dele. É um filme de ritmo compassado, que prefere mostrar a degradação física e mental dos personagens do que investir em explosões a cada cinco minutos.

Direção, elenco e a recepção no IMDb

Quem comanda a produção é o diretor Michael Haussman. Ele tem uma mão boa para criar imagens que parecem pinturas, o que ajuda muito a entrar no clima da época. No papel principal, temos Jonathan Rhys Meyers. O cara entrega um James Brooke introspectivo e, às vezes, à beira da loucura, o que combina com o estilo dele.

Ao lado dele, figuram nomes conhecidos como Dominic Monaghan (sim, o Charlie de Lost) e Hannah New. No IMDb, o filme sustenta uma nota de 5.2. É uma avaliação honesta: não é uma obra-prima unânime, mas para quem gosta de dramas históricos de sobrevivência e política colonial, ele cumpre bem o papel.

Trilha sonora e as locações em Bornéu

Um dos pontos que mais me chamou a atenção foi a ambientação. O filme não foi gravado em um estúdio qualquer com tela verde. As filmagens aconteceram em Sarawak, na Malásia, exatamente onde os eventos reais se desenrolaram. Você sente a umidade e o perigo da selva só de olhar para a tela.

trilha sonora, assinada por Ben Frost, colabora muito com essa imersão. Não é aquela música orquestral épica e barulhenta; é algo mais experimental e atmosférico, que parece brotar do próprio cenário. É o tipo de som que te deixa meio desconfortável, o que faz todo o sentido para a proposta.

Premiações e curiosidades de bastidores

Embora não tenha sido um fenômeno de bilheteria, o filme teve seu reconhecimento em circuitos menores. O diretor Michael Haussman, por exemplo, levou o prêmio de Melhor Diretor no Hollywood Film Festival de 2021.

Algumas curiosidades rápidas para você chegar na conversa com propriedade:

  • Lançamento: O filme saiu oficialmente em 21 de junho de 2021.

  • Inspiração literária: A vida de James Brooke foi uma das principais inspirações para Rudyard Kipling escrever O Homem que Queria Ser Rei.

  • Realismo: Os atores realmente enfrentaram as condições da selva de Bornéu, o que dá um peso maior para o cansaço que eles demonstram em cena.

Se você está procurando algo para assistir no fim de semana que fuja do óbvio e tenha uma pegada mais pé no chão, No Limite do Mundo é uma escolha sólida. É um relato sobre ambição e as consequências de se tentar domar o indomável.


Joe Bell: Você Nunca Andará Sozinho (Joe Bell)

 

Cara, se você está procurando um filme que bota o pé na estrada e te faz pensar sobre a vida sem firulas, precisa conhecer Joe Bell: Você Nunca Andará Sozinho. Eu assisti recentemente e a história me pegou pelo jeito direto de lidar com arrependimento e superação. Não é aquele tipo de drama que tenta te fazer chorar a todo custo, mas sim um relato seco e honesto sobre um pai tentando consertar as coisas.

O título original é apenas Joe Bell, e ele conta a jornada real de um cara que decide atravessar os Estados Unidos a pé. O objetivo? Chamar a atenção para os perigos do bullying, depois que o filho dele, Jadin, passou por situações bem pesadas na escola. É um filme de estrada, mas o asfalto aqui serve de cenário para um acerto de contas interno do protagonista.

O elenco e a mão firme na direção

Quem carrega o piano aqui é o Mark Wahlberg. Eu confesso que estou acostumado a ver ele em filmes de ação ou comédia, mas aqui o cara entregou uma atuação bem contida e madura. Ele interpreta o Joe Bell, um pai de família do Oregon que não é perfeito e sabe disso. Ao lado dele, temos o jovem Reid Miller, que faz o Jadin Bell, e a Connie Britton, que interpreta a esposa, Lola Bell. Até o Gary Sinise aparece em uma participação que dá um peso extra para a trama.

A direção ficou por conta do Reinaldo Marcus Green, o mesmo cara que dirigiu King Richard: Criando Campeãs. Dá para notar que ele gosta de focar no lado humano dessas figuras reais. O filme foi lançado oficialmente em julho de 2021, depois de dar as caras em festivais de cinema ainda em 2020. No IMDb, a nota da galera costuma ficar na casa dos 6.3, o que eu acho justo. É um filme sólido, sem querer inventar a roda.

Onde o filme acontece e o que toca no rádio

Uma das coisas que mais me chamou a atenção foram as locações de filmagem. Como é uma história de travessia, as paisagens são fundamentais. Eles rodaram muita coisa no estado de Utah, passando por lugares como Salt Lake City e Morgan. Aquelas estradas vazias e as montanhas ao fundo dão uma sensação de isolamento que combina muito com o estado mental do Joe durante a caminhada.

A trilha sonora também ajuda a ditar o ritmo da caminhada. Quem assina a composição é o brasileiro Antonio Pinto, um cara que já é gigante lá fora e sabe criar atmosferas densas. Além do som instrumental, o filme traz músicas que fazem sentido para a história, incluindo faixas de artistas como Lady Gaga e Dixie Chicks, que têm tudo a ver com o contexto do que o filho do Joe estava passando.

Premiações e o que rolou nos bastidores

Embora não tenha sido um papa-prêmios no Oscar, o filme teve sua relevância no circuito de festivais, sendo exibido no prestigiado Festival de Toronto (TIFF). O foco aqui nunca foi ser um blockbuster de bilheteria, mas sim passar uma mensagem que precisava ser ouvida.

Sobre as curiosidades, muita gente não sabe que o roteiro foi escrito pela dupla Diana Ossana e Larry McMurtry. Se esses nomes parecem familiares, é porque são os mesmos que escreveram O Segredo de Brokeback Mountain. Eles sabem como ninguém escrever sobre a masculinidade em ambientes mais conservadores e as dificuldades de comunicação entre pais e filhos. Outro detalhe é que o Mark Wahlberg se envolveu muito com a família real do Joe Bell para tentar ser o mais fiel possível ao que aconteceu.

Por que vale a pena dar o play

No fim das contas, Joe Bell é um filme sobre movimento. O cara está andando para tentar fugir da culpa, mas percebe que, não importa quantos quilômetros ele percorra, o que ele carrega por dentro vai junto. É uma narrativa fluida, sem grandes reviravoltas mirabolantes, mas que te mantém ali, querendo saber se ele vai conseguir chegar ao destino final e, principalmente, se vai encontrar a paz que procura.

Se você curte histórias baseadas em fatos reais que não tentam te dar lição de moral, mas mostram a realidade como ela é, vale o seu tempo. É um retrato de como a gente lida com as nossas falhas enquanto tenta ser alguém melhor para quem a gente ama.