O Homem Nas Trevas 2 (Don't Breathe 2)

  

Se você curte um suspense que não perde tempo com enrolação, provavelmente já ouviu falar de O Homem Nas Trevas 2. Eu assisti ao primeiro filme lá em 2016 e, confesso, o impacto daquele veterano cego defendendo a casa foi algo fora do comum. Quando a sequência foi anunciada, muita gente ficou na dúvida se conseguiriam manter o nível de tensão sem repetir a mesma fórmula.

A real é que a continuação mudou um pouco a perspectiva, mas manteve aquele clima pesado que a gente espera da franquia. Vamos dar uma olhada no que esse filme entrega, sem entregar o jogo com spoilers.

A trama e o que mudou na sequência

Em O Homem Nas Trevas 2 (título original: Don’t Breathe 2), a história dá um salto de oito anos. O veterano Norman Nordstrom, interpretado novamente pelo monstro do Stephen Lang, agora vive de forma isolada com uma menina que ele resgatou de um incêndio. Ele a cria com um rigor militar, preparando a garota para qualquer perigo.

O problema começa quando um grupo de criminosos decide invadir a casa deles e sequestrar a menina. É aí que o bicho pega. O diretor dessa vez é o Rodo Sayagues, que já era o roteirista do primeiro filme junto com o Fede Álvarez. Ele manteve a estética sombria, mas trouxe um foco maior na ação e na brutalidade física.

Ficha técnica: Elenco, nota e produção

Se você é do tipo que gosta de analisar os números antes de dar o play, aqui estão os dados principais. O filme não tenta ser um "blockbuster" de herói, ele é um suspense de nicho, muito bem executado tecnicamente.

InformaçãoDetalhes
Data de Lançamento13 de agosto de 2021
DiretorRodo Sayagues
ProtagonistaStephen Lang (Norman Nordstrom)
Elenco de ApoioMadelyn Grace (Phoenix), Brendan Sexton III
Nota IMDb6.0/10
Trilha SonoraRoque Baños

Um detalhe interessante: embora a história se passe em Detroit, as locações de filmagem foram quase todas em Belgrado, na Sérvia. Eles conseguiram recriar aquele clima de cidade industrial abandonada de um jeito bem convincente. Sobre premiações, o filme circulou bem em festivais de gênero, como o Saturn Awards, focando sempre na performance técnica e na maquiagem.

Curiosidades que você precisa saber

O que eu achei mais curioso nessa produção foi a preparação do Stephen Lang. O cara já passou dos 70 anos e mantém um físico que coloca muito marmanjo no chinelo. Para viver o cego Norman, ele usou lentes de contato que realmente reduziam sua visão, para que a desorientação em cena fosse mais natural.

Outro ponto que gerou discussão foi a mudança de tom. No primeiro filme, ele era claramente o vilão da história. Aqui, o roteiro tenta transformá-lo em uma espécie de anti-herói. É uma escolha ousada que divide opiniões, mas que com certeza dá uma cara nova para o personagem. Além disso, a trilha de Roque Baños é fundamental; ela usa sons de objetos metálicos e ruídos ambientes para aumentar a agonia de quem está assistindo.

O veredito: O filme entrega o que promete?

Se você busca um filme de suspense direto, com coreografias de luta viscerais e um protagonista que impõe respeito só com a presença, O Homem Nas Trevas 2 vale o seu tempo. Ele não tenta ser mais inteligente do que precisa, foca no que faz de melhor: o jogo de gato e rato em ambientes fechados.

A narrativa é fluida e, mesmo que você não concorde com todas as decisões do roteiro sobre a moralidade do protagonista, é impossível não ficar preso na cadeira esperando o próximo movimento do "Homem Cego". É um entretenimento honesto para quem gosta de adrenalina.


Viveiro (Vivarium)

 

Sabe quando você assiste a um filme e ele fica martelando na sua cabeça por dias, não pelo susto, mas pela estranheza? Foi exatamente isso que senti com Viveiro (título original: Vivarium). Eu estava buscando algo que fugisse do óbvio no suspense e acabei encontrando essa obra que é, no mínimo, intrigante. É o tipo de história que te prende pelo desconforto e pela curiosidade de entender até onde aquele cenário absurdo vai chegar.

Se você gosta de ficção científica que mexe com o psicológico e apresenta uma crítica social ácida, vale a pena entender o que está por trás dessa produção de 2019.

O labirinto de Lorcan Finnegan e a trama de Vivarium

O filme é dirigido por Lorcan Finnegan, que traz uma estética bem particular para a tela. A história gira em torno de um jovem casal, Gemma e Tom, que está à procura da casa ideal. Eles acabam seguindo um corretor de imóveis bem esquisito até um condomínio chamado Yonder. O lugar é um mar de casas idênticas, pintadas em um tom de verde menta, sob um céu que parece de mentira.

O problema começa quando eles tentam sair de lá e percebem que todos os caminhos levam de volta para a casa número 9. Lançado mundialmente em maio de 2019 no Festival de Cannes, o longa consegue criar uma atmosfera de claustrofobia em um espaço aberto, o que é um mérito enorme da direção. Não há monstros pulando da tela, o medo aqui é existencial.

O peso do elenco com Jesse Eisenberg e Imogen Poots

Para sustentar um filme que se passa quase inteiramente em um único cenário, você precisa de atores que segurem o tranco. Jesse Eisenberg (o Tom) e Imogen Poots (a Gemma) entregam atuações bem sólidas. O Eisenberg, com aquele jeito mais contido e pragmático, contrasta bem com a carga emocional que a Poots carrega ao longo da trama.

A dinâmica deles é o que nos mantém conectados à realidade enquanto tudo ao redor se torna surreal. Eles conseguem transmitir o cansaço e a frustração de estarem presos em uma rotina que eles não escolheram, algo que ressoa bastante com as pressões da vida adulta moderna.

Detalhes técnicos, notas e curiosidades de bastidores

Se você é do tipo que olha os números antes de dar o play, o filme mantém uma nota de 5.8 no IMDb. Pode parecer uma nota mediana, mas em filmes de nicho e com propostas tão experimentais quanto esta, é uma pontuação comum, já que ele divide opiniões. No circuito de festivais, ele foi melhor recebido, chegando a ganhar o prêmio Gan Foundation Support for Distribution em Cannes.

Alguns pontos técnicos que ajudam na imersão:

  • Trilha Sonora: A música é assinada por Kristian Eidnes Andersen, que sabe como usar sons ambientes para aumentar a tensão.

  • Locações de Filmagem: Por incrível que pareça, aquele bairro inteiro não existe de verdade. Grande parte das filmagens aconteceu em estúdios na Bélgica, com algumas cenas externas gravadas na Irlanda.

  • Curiosidade visual: As nuvens no filme foram desenhadas para parecerem "perfeitas demais", como se fossem de um desenho animado, justamente para reforçar a ideia de que o casal está preso em uma simulação ou em algo artificial.

Por que assistir Viveiro

O que mais me chamou a atenção em Viveiro foi a metáfora sobre a vida suburbana. O título original, Vivarium, refere-se a um lugar fechado para criar animais ou plantas para observação. Isso já dá uma pista do que está acontecendo ali sem entregar o final. É um filme seco, direto e que não perde tempo tentando explicar cada detalhe científico, o que eu pessoalmente prefiro.

A narrativa flui bem e o mistério sobre o "pacote" que eles recebem na porta de casa é o que dita o ritmo do meio para o fim. Se você quer algo que fuja dos clichês de Hollywood e te deixe pensando sobre as escolhas que fazemos na vida, esse filme é uma escolha certeira.