Juntos (Together)

 

Apareceu aqui no meu Prime o filme Juntos (título original: Together), o novo terror de 2025. Já tinha visto o trailer, mas trailers de terror hoje em dia costumam entregar tudo ou enganar demais. Dessa vez, a experiência foi diferente. O filme, que mistura body horror com um humor ácido, consegue prender a atenção sem precisar de sustos baratos a cada cinco minutos.

Se você está procurando algo que saia do óbvio, vale a pena entender por que esse longa está dando o que falar.

Do que se trata Juntos (Together 2025)

A trama foca em Tim e Millie, um casal que já não está nos seus melhores dias e decide se mudar para uma casa isolada no campo para tentar salvar a relação. O que parece um clichê de recomeço vira um pesadelo quando uma força estranha começa a afetar a conexão física e mental deles.

O diretor Michael Shanks (que também assina o roteiro) foi bem direto aqui: ele usa o terror para falar de codependência. Não vou dar spoilers, mas o jeito que o filme lida com a "união" do casal é visualmente impactante e, admito, um pouco perturbador. É um filme sobre os limites do amor, levados ao extremo literal.

O time por trás das câmeras e o elenco

O grande trunfo de Juntos é ter um casal da vida real nos papéis principais. Dave Franco (Tim) e Alison Brie (Millie) entregam uma química que só quem divide a rotina há anos conseguiria passar. A Brie, inclusive, foi indicada ao Astra Film Awards pela sua performance.

Além deles, o elenco conta com:

  • Damon Herriman (sempre ótimo em papéis estranhos);

  • Mia Morrissey;

  • Karl Richmond.

A direção de Shanks é segura e ele não teve medo de arriscar no gore, o que rendeu ao filme o selo Certified Fresh no Rotten Tomatoes e uma nota respeitável de 6.2 no IMDb (o que para o gênero de terror é uma pontuação bem sólida).

Trilha sonora e locações que ditam o clima

A ambientação em áreas isoladas da Austrália ajudou a criar o isolamento necessário para a história. As filmagens aconteceram em locações rurais que transmitem uma sensação de "não há para onde correr" o tempo todo.

Já a trilha sonora, composta por Cornel Wilczek, é um capítulo à parte. Ela alterna entre momentos de tensão absoluta e faixas que parecem saídas de uma comédia romântica distorcida. Uma curiosidade interessante é o uso da música 2 Become 1, das Spice Girls, que ganha um significado completamente novo (e bizarro) dentro do contexto do filme.

Premiações e por que você deve assistir

Juntos foi uma das grandes surpresas do Festival de Sundance 2025, onde foi comprado pela Neon por uma bolada de 17 milhões de dólares. O filme também passou por festivais importantes como SXSW, Sitges e o Festival de Cinema de Sydney, acumulando diversas indicações, especialmente em categorias de roteiro e efeitos visuais.

Aqui vão algumas curiosidades rápidas para você chegar sabendo mais que seus amigos:

  • Lançamento: Estreou no Brasil em 14 de agosto de 2025.

  • Tempo recorde: O longa foi filmado em apenas 21 dias.

  • Inspiração: O roteiro tem raízes no texto clássico O Banquete, de Platão, que fala sobre a busca pela nossa "outra metade".

Se você curte filmes que misturam o estilo visual de David Cronenberg com uma narrativa mais moderna e sarcástica, Juntos é uma escolha certeira. É um filme desconfortável, direto ao ponto e que vai te fazer pensar duas vezes antes de dizer que quer "ficar grudado" em alguém.


A Grande Mentira (The Good Liar)

 

Cara, se você gosta de um suspense que não tenta te ganhar pelo barulho, mas sim pela inteligência, senta aí. Assisti a A Grande Mentira (título original: The Good Liar) e o filme é basicamente uma aula de como prender a atenção usando apenas dois atores gigantes e um roteiro bem amarrado.

Lançado no final de 2019, o longa passou por muita gente sem fazer o barulho que merecia, mas eu garanto: vale o tempo investido, especialmente se você curte aquela sensação de não saber exatamente quem está enganando quem.

O que você precisa saber sobre a ficha técnica

O filme é dirigido por Bill Condon, o mesmo cara que fez Deuses e Monstros e alguns blockbusters por aí. Mas aqui ele volta para um estilo mais contido. O elenco é o ponto alto: temos Ian McKellen fazendo o papel de Roy Courtnay, um golpista profissional, e a Helen Mirren como Betty McLeish, uma viúva rica que parece ser o alvo perfeito.

Aqui estão alguns dados rápidos para você se situar:

  • Data de lançamento: 21 de novembro de 2019 (Brasil).

  • Nota IMDb: 6.7/10 (uma nota justa, embora eu ache que a atuação mereça mais).

  • Trilha Sonora: Composta por Carter Burwell, o cara que costuma trabalhar com os irmãos Coen. A música é sóbria, sem exageros dramáticos.

  • Premiações: Não foi um "papa-Oscars", mas recebeu indicações em prêmios como o Saturn Awards e o Satellite Awards, principalmente pelas atuações.

A trama: um jogo de gato e rato em Londres

A história começa de um jeito bem atual: os dois se conhecem em um site de relacionamentos. O Roy (McKellen) é aquele tipo de sujeito que você encontraria em um clube de cavalheiros em Londres — educado, bem vestido e aparentemente inofensivo. Mas a gente descobre rápido que ele vive de aplicar golpes financeiros em gente rica.

A Betty (Mirren) surge como a próxima vítima. Ela tem uma fortuna guardada e ele quer colocar a mão nesse dinheiro. O que eu achei mais interessante na narrativa é que o filme não perde tempo tentando te fazer sentir pena de ninguém. É um jogo de estratégia. Você observa o Roy tecendo a teia dele, enquanto o neto da Betty, interpretado pelo Russell Tovey, fica ali no pé, desconfiado de cada passo do velho.

Locações e a estética do filme

Visualmente, o filme é muito bem servido. Grande parte da ação acontece em Londres e nos arredores (como em Surrey), o que traz aquela atmosfera britânica cinzenta e elegante. Mas a história também nos leva para Berlim, e essas cenas na Alemanha são cruciais para entender o passado dos personagens sem precisar de muitos diálogos explicativos.

A escolha das locações ajuda a reforçar que estamos lidando com segredos antigos. O filme tem uma "cara" de cinema clássico, sem cortes frenéticos, deixando a gente observar as expressões dos atores, o que, convenhamos, com McKellen e Mirren, é o que realmente importa.

Curiosidades que valem o registro

Mesmo que esses dois atores tenham décadas de carreira e sejam lendas do teatro e do cinema britânico, A Grande Mentira foi a primeira vez que Ian McKellen e Helen Mirren trabalharam juntos em um filme. É meio difícil de acreditar, mas é verdade.

Outro ponto interessante: o filme é baseado no livro homônimo de Nicholas Searle. Se você ler o livro, vai notar que o tom é um pouco mais sombrio, mas o filme consegue adaptar bem essa tensão de "quem é o verdadeiro mentiroso aqui?".

No fim das contas, se você quer um suspense sólido, sem explosões e com atuações de primeira prateleira, pode ir sem medo. O filme entrega um desfecho que faz as peças se encaixarem de um jeito que você provavelmente não vai prever logo de cara.