Que Mal Eu Fiz a Deus? (Qu'est-ce qu'on a fait au Bon Dieu?)

 

Olha, vou te falar: se você gosta de uma boa comédia que brinca com o politicamente correto sem perder a mão, precisa conhecer Que Mal Eu Fiz a Deus?. Eu parei para assistir esse filme sem grandes expectativas e acabei surpreendido por uma história que, apesar de leve, cutuca feridas sociais de um jeito muito inteligente.

O título original é Qu'est-ce qu'on a fait au Bon Dieu? e a premissa é aquela clássica receita de caos familiar que a gente adora acompanhar de longe.

O choque cultural que move a história

A trama gira em torno de Claude e Marie Verneuil, um casal francês bem tradicional, católico e de classe alta. Eles têm quatro filhas e o "drama" do pai começa quando as três primeiras decidem se casar com homens de origens e religiões completamente diferentes: um muçulmano, um judeu e um chinês.

Eu achei interessante como o roteiro coloca o Claude, interpretado pelo excelente Christian Clavier, em uma posição de constante desconforto. Ele tenta ser polido, mas o preconceito velado dele cria situações absurdas. A esperança dele para "salvar" a tradição da família recai sobre a quarta filha, que anuncia o noivado com um católico. O problema? Bem, eu não vou dar spoiler, mas o choque cultural só aumenta a partir daí.

Os nomes por trás das câmeras e das risadas

Quem comanda essa bagunça é o diretor Philippe de Chauveron, que soube equilibrar muito bem o timing das piadas. No elenco, além do Clavier, temos a Chantal Lauby fazendo a mãe que tenta manter a paz (e a sanidade).

Os genros são um show à parte: Ary AbittanMedi Sadoun e Frédéric Chau entregam uma dinâmica de "rivalidade entre cunhados" que é muito pé no chão. O filme foi lançado originalmente em 16 de abril de 2014 e, na época, virou um fenômeno de bilheteria na França, o que prova que rir dos nossos próprios absurdos ainda é um ótimo negócio.

Bastidores e onde o filme ganha vida

Uma coisa que me chamou a atenção foram as locações. Grande parte da história se passa em Chinon, uma região belíssima na França, além de cenas em Paris e na Normandia. Aquelas casas senhoriais francesas dão um tom de elegância que contrasta com as discussões acaloradas no jantar.

Sobre a trilha sonora, o trabalho ficou nas mãos de Marc Chouarain. É uma música que não tenta aparecer mais que a cena; ela serve para pontuar o humor e os momentos de tensão familiar de forma bem orgânica.

Aqui vão algumas curiosidades que pesquisei depois de assistir:

  • O filme foi tão bem que gerou continuações (uma trilogia, para ser exato).

  • Apesar de lidar com temas sensíveis como racismo e religião, ele foi elogiado por humanizar todos os lados, mostrando que, no fundo, todo mundo tem suas manias e preconceitos bobos.

Vale a pena o play? Notas e premiações

Se você é do time que olha os números antes de dar o play, o filme sustenta uma nota 7.0 no IMDb, o que é um índice bem respeitável para uma comédia rasgada. Em termos de premiações, ele não é exatamente um "papa-Oscar", mas levou o Lumières Award de Melhor Roteiro em 2015 e foi um dos filmes de maior sucesso comercial da história do cinema francês.

No fim das contas, Que Mal Eu Fiz a Deus? é um filme sobre tolerância, mas sem aquele tom de lição de moral chata. É sobre como a convivência forçada pode derrubar barreiras que a gente levanta por pura ignorância. Se você quer algo para relaxar no fim de semana e ainda dar umas risadas genuínas, esse é o filme.


Os 13 Pecados (13 Sins)

 

Se você gosta de um suspense que te deixa desconfortável e te faz questionar o que você faria por dinheiro, senta aí. Vou te contar sobre Os 13 Pecados (13 Sins), um filme de 2014 que passou meio fora do radar de muita gente, mas que entrega uma narrativa bem direta ao ponto.

Dirigido por Daniel Stamm, o filme é aquele tipo de thriller psicológico que não perde tempo com firulas. A ideia é simples: um cara comum, atolado em dívidas e prestes a casar, recebe uma ligação anônima oferecendo uma fortuna para completar 13 tarefas. O problema? Cada tarefa é mais bizarra e degradante que a anterior.

O que você precisa saber sobre Os 13 Pecados

O título original é 13 Sins e o filme chegou aos cinemas (lá fora) em abril de 2014. No elenco, temos o Mark Webber fazendo o papel do protagonista Elliot, um cara que você consegue visualizar sendo seu vizinho. Também tem a Rutina Wesley e o veterano Ron Perlman, que sempre traz um peso extra para qualquer produção.

A pegada aqui é ver até onde o caráter de um homem aguenta a pressão financeira. Não é um filme de terror apelativo, mas sim um estudo de caso sobre desespero. Se você curte a vibe de Jogos Mortais, mas prefere algo mais focado no psicológico e no caos social, esse aqui é o seu número.

Ficha técnica e nota no IMDb

Para quem gosta de números e detalhes mais técnicos, aqui está o resumo do que o filme entrega. No IMDb, ele mantém uma nota sólida de 6.3, o que para o gênero de suspense/thriller é uma avaliação bem honesta.

  • Diretor: Daniel Stamm.

  • Data de lançamento: 18 de abril de 2014 (EUA).

  • Locações de filmagem: O filme foi rodado em Nova Orleans, Louisiana, o que ajuda a dar aquele ar levemente decadente e úmido para as cenas.

  • Trilha Sonora: A música fica por conta de Michael Wandmacher, que consegue criar uma tensão constante sem precisar de barulhos repentinos.

  • Premiações: O filme teve destaque no festival SXSW, onde foi indicado ao prêmio do público, consolidando seu status como uma obra cult.

Curiosidades e os bastidores do jogo

Uma coisa que muita gente não sabe é que Os 13 Pecados é, na verdade, um remake de um filme tailandês de 2006 chamado 13 Beloved. O Daniel Stamm conseguiu adaptar bem a história para o contexto ocidental sem perder a essência da "descida ao inferno" do protagonista.

Outro ponto interessante é o uso das locações. Nova Orleans não foi escolhida por acaso; os incentivos fiscais ajudaram, mas a arquitetura da cidade contribui para o sentimento de isolamento do Elliot, mesmo estando cercado de gente. Além disso, a maquiagem e os efeitos práticos foram priorizados para manter o realismo das tarefas, o que faz tudo parecer bem mais "possível" — e por isso, mais assustador.

Vale a pena assistir hoje?

Se você está procurando algo para ver no fim de semana que te faça pensar "eu faria isso?", a resposta é sim. O roteiro é fluido, não tem barriga e os 93 minutos de duração passam voando. O filme não tenta ser maior do que é; ele sabe que é um suspense de baixo orçamento com uma ideia excelente e executa isso com competência.

O ponto forte é ver a transformação do Mark Webber. Ele começa o filme como um coitado e termina de um jeito que você nem reconhece mais. É um lembrete meio seco de que todo mundo tem um preço, só depende do tamanho da conta para pagar no fim do mês.