Sonhos de Trem (Train Dreams)

 

Olha, eu não sou muito de me estender em papo furado sobre cinema, mas se você está procurando algo que realmente te prenda pela atmosfera e não por explosões, precisa dar uma chance para Sonhos de Trem (Train Dreams). Assisti hoje graças a indicação da Noni (minha  prima), e o filme ainda está martelando na minha cabeça.

Prepare o café, porque vou te contar por que esse longa é um dos pontos altos da temporada, sem entregar o ouro da história.

O que me levou a assistir "Sonhos de Trem"

Eu geralmente fujo de dramas que parecem forçados demais para ganhar prêmio, mas a indicação ao Oscar de Melhor Direção de Fotografia para um brasileiro, o Adolpho Veloso, me atiçou a curiosidade. O filme é baseado na novela do Denis Johnson e entrega exatamente o que promete: a vida bruta de um homem chamado Robert Grainier no início do século XX.

O que me pegou logo de cara foi a narração. A voz é do Will Patton e ela tem um peso, uma textura que parece que o cara está sentado do seu lado contando a história de uma vida inteira. Não é um filme de ritmo acelerado; ele tem o tempo das coisas de antigamente, do trabalho manual e do silêncio das florestas.

A jornada silenciosa de Robert Grainier

No meio do filme, você percebe que a história não é sobre grandes reviravoltas, mas sobre sobrevivência e perdas. O Joel Edgerton faz o Robert Grainier, um lenhador que trabalha na expansão das ferrovias nos EUA. Ele é aquele tipo de sujeito direto, de poucas palavras, que a gente respeita.

A trama mostra ele lidando com a modernização do mundo — os trilhos chegando onde antes só existia mato — e como ele tenta manter a sanidade após tragédias que o isolam. A Felicity Jones aparece como Gladys, a esposa dele, e a química entre os dois é bem pé no chão, nada de romance meloso de Hollywood. É a vida como ela é: dura, mas com momentos de beleza que o Veloso captura com uma luz naturalista absurda.

Bastidores: O olhar brasileiro e a trilha sonora

Se você gosta de prestar atenção na parte técnica, vai notar que a fotografia não é só bonita; ela conta a história. O fato de um brasileiro ter sido o primeiro indicado nessa categoria por um filme assim é um baita orgulho. E a trilha sonora? O Bryce Dessner mandou muito bem. É uma música melancólica que combina com o som do vento e dos trens.

Inclusive, tem uma curiosidade legal: o Nick Cave gravou uma música especificamente para o filme chamada também "Train Dreams", que foi adicionada nas versões de lançamento comercial após o Festival de Sundance. É o tipo de som que te deixa no clima reflexivo até os créditos acabarem.

Ficha Técnica e Dados de "Sonhos de Trem"

Para facilitar sua vida, juntei aqui as informações principais que você encontraria no IMDB:

  • Título Original: Train Dreams

  • Data de Lançamento: 21 de novembro de 2025 (Brasil/Netflix)

  • Diretor: Clint Bentley

  • Elenco Principal: Joel Edgerton, Felicity Jones, Kerry Condon, William H. Macy, Clifton Collins Jr.

  • Nota IMDb: 7.6 / 10

  • Premiações: Indicado ao Oscar 2026 (Melhor Direção de Fotografia, Melhor Roteiro Adaptado); Indicação ao Globo de Ouro para Joel Edgerton.

  • Trilha Sonora: Bryce Dessner (com participação de Nick Cave).

  • Locações de Filmagem: Washington, EUA (Tekoa, Snoqualmie e Spokane).

Curiosidades que dão um toque a mais

Uma coisa que eu achei fantástica é que o narrador, o Will Patton, já era o cara que narrava o audiolivro original do Denis Johnson. Ou seja, ele já conhecia a alma do personagem há anos. Outro ponto é que o Joel Edgerton e a Felicity Jones já tinham trabalhado juntos antes em The Brutalist, então a sintonia ali é de velhos conhecidos.

As filmagens aconteceram em locações reais no estado de Washington, o que dá um realismo que o CGI nunca conseguiria entregar. Você sente o frio das montanhas e o cheiro da madeira cortada.

No fim das contas, Sonhos de Trem é um filme para quem gosta de pensar no tempo e em como a gente lida com o que a vida nos tira. Se você quer um cinema de qualidade, sem frescura e com uma estética impecável, esse é o filme.




Jogo Perigoso (Most Dangerous Game)

 

Jogo Perigoso

Se você curte aquele tipo de história que te deixa grudado na cadeira, com o coração acelerado, precisa conhecer Most Dangerous Game (título original). Eu assisti recentemente e vou direto ao ponto: o filme, lançado em 6 de abril de 2020, entrega exatamente o que promete sem muita enrolação. É uma narrativa de sobrevivência pura, inspirada naquele clássico conto de 1924 do Richard Connell, mas com uma pegada urbana bem moderna.

A trama gira em torno do Dodge Tynes, um cara que está no limite. Ele tem uma doença terminal, uma dívida gigante e uma esposa grávida. É aí que surge uma proposta bizarra de um figurão misterioso: participar de uma caçada humana de 24 horas. Se ele sobreviver, ganha uma fortuna. O problema? Ele é a presa.

O elenco de peso e a direção firme

Um dos grandes acertos aqui foi a escolha do elenco. O protagonista é o Liam Hemsworth, que entrega bem aquela agonia de quem está correndo pela própria vida. Mas, para mim, quem rouba a cena mesmo é o Christoph Waltz. O cara tem um talento natural para ser polido e ameaçador ao mesmo tempo. Ele interpreta o Miles Sellers, o organizador da caçada.

A direção ficou por conta do Phil Abraham, um cara que já tem bagagem de sobra em séries pesadas como Mad Men e Daredevil. Ele consegue imprimir um ritmo de urgência que faz as quase duas horas passarem voando. Não tem muitos momentos de respiro, e é isso que mantém a tensão lá em cima.

Onde a caçada acontece: locações e trilha sonora

Embora a história se passe em Detroit, a maior parte das locações de filmagem foi em Toronto, no Canadá. Eles conseguiram usar a arquitetura industrial e os becos da cidade de um jeito que passa aquela sensação de isolamento, mesmo estando no meio de uma metrópole. É aquele tipo de ambiente que parece estar fechando o cerco contra o protagonista.

Outro ponto que ajuda a ditar o tom é a trilha sonora, composta pelo Toddrick Spalding. A música não tenta ser maior que a cena; ela é tensa, percussiva e serve basicamente para marcar o tempo que está acabando para o Dodge. É o tipo de som que te deixa em estado de alerta.

Notas, premiações e o que a galera achou

Se você é do tipo que olha o IMDb antes de dar o play, o filme (que originalmente saiu como uma série de episódios curtos no extinto Quibi) ostenta uma nota razoável de 6.7. Para uma obra de ação e suspense desse estilo, é uma avaliação bem honesta.

Sobre premiações, o projeto não passou batido. Ele chegou a receber duas indicações ao Primetime Emmy em 2020: uma para Melhor Série de Curta Duração e outra para o próprio Christoph Waltz como Melhor Ator em série curta. Isso já dá uma ideia de que a qualidade técnica e de atuação está acima da média dessas produções de ação genéricas.

Curiosidades que você talvez não saiba

Para fechar o papo, separei alguns pontos interessantes sobre os bastidores:

  • O formato original: Como eu mencionei, ele foi feito para o Quibi. Isso significa que os "capítulos" tinham cerca de 10 minutos. Depois, foi editado como um longa-metragem para plataformas como o Prime Video e o Roku.

  • Adaptação: Essa não é a primeira (e nem será a última) versão dessa história. O conto original já foi adaptado dezenas de vezes para o cinema e TV, mas essa versão de 2020 é uma das que melhor usa o cenário urbano.

  • Sem dublês? O Liam Hemsworth fez boa parte das cenas de corrida e ação, o que traz uma veracidade maior para o cansaço físico do personagem.

Se você está procurando um filme direto, sem firulas e que respeita o seu tempo, Most Dangerous Game é uma ótima escolha para o próximo fim de semana. É o tipo de thriller que faz você se perguntar: "O que eu faria no lugar dele?".