O Vencedor (The Fighter)

 

Sempre que penso em filmes de esporte, muita gente espera aquela fórmula batida do herói que apanha até o último round e vence por milagre. Mas com O Vencedor (The Fighter), a pegada é outra. Lançado em 2010, esse filme não é só sobre boxe; é sobre a dinâmica complicada de uma família que respira o ringue, mas se perde nas próprias falhas.

Fui rever esses dias e o impacto continua o mesmo. O diretor David O. Russell conseguiu tirar o brilho artificial de Hollywood e entregar algo sujo, real e muito bem amarrado. Se você está procurando um drama que não tenta te fazer chorar à força, mas te prende pela tensão, esse é o título certo.

Quem está no ringue: Direção e elenco de peso

O que segura esse filme, além do roteiro sólido, são as atuações. Mark Wahlberg faz o papel de Micky Ward, um lutador que tenta sair da sombra do irmão mais velho. Wahlberg está bem, focado, mas quem rouba a cena de um jeito absurdo é o Christian Bale.

O cara simplesmente se transformou para viver Dicky Eklund. Bale interpreta o irmão que teve seu momento de glória no passado, mas que agora luta contra o vício. Não à toa, ele levou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. Além dele, temos Amy Adams e Melissa Leo (que também ganhou o Oscar de Coadjuvante), entregando performances que mostram que, naquela casa, as mulheres são tão duras quanto os lutadores.

Números e a recepção da crítica

Se você é do tipo que olha as métricas antes de dar o play, saiba que O Vencedor tem uma base bem respeitada. No IMDb, ele ostenta uma nota 7.8, o que é bem alto para um drama biográfico. O filme não apenas foi bem de público, mas limpou o chão nas premiações daquele ano, garantindo sete indicações ao Oscar e vencendo em duas categorias cruciais de atuação.

A narrativa flui sem pressa, mas sem barrigas. Você entende o peso de morar em Lowell, Massachusetts, que foi onde o filme foi gravado. O uso das locações reais em Lowell dá uma autenticidade que estúdio nenhum conseguiria replicar. Você sente o clima da cidade operária em cada frame.

A trilha sonora e o ritmo das lutas

Um ponto que sempre me chama a atenção é a trilha sonora. O filme usa clássicos do rock e músicas que dão o tom certo de urgência. Tem faixas de bandas como Led ZeppelinRed Hot Chili Peppers e The Rolling Stones. A música não está lá só para preencher o vazio; ela entra como um soco nos momentos de treinamento e nas transições de cena, mantendo o ritmo lá em cima.

As cenas de luta também merecem um comentário. Elas foram filmadas como se fossem transmissões de TV da época (os anos 90), o que traz uma nostalgia visual e um realismo que te faz sentir cada golpe sem precisar de efeitos especiais exagerados.

Curiosidades que você provavelmente não sabia

Para quem gosta de saber o que rolou nos bastidores, separei alguns pontos interessantes sobre a produção:

  • Transformação extrema: Christian Bale perdeu muito peso para viver Dicky. Ele ficou tão magro que o pessoal no set ficou preocupado com a saúde dele, mas ele insistiu que era necessário para a veracidade do personagem.

  • Treinamento real: Mark Wahlberg treinou por quase quatro anos para esse papel. Ele queria que seus movimentos no ringue fossem naturais, sem precisar de dublês na maioria das vezes.

  • A família real: Os verdadeiros Micky Ward e Dicky Eklund estiveram presentes durante as filmagens para garantir que a essência da história não se perdesse.

  • Direção rápida: Apesar da pré-produção longa, as filmagens principais duraram apenas 33 dias.

O Vencedor é um filme direto, sem firulas. É sobre lealdade, superação e o esforço necessário para sair de um ciclo que parece te puxar para baixo o tempo todo. Se ainda não viu, vale cada minuto.


Zumbilândia: Atire Duas Vezes (Zombieland: Double Tap)

 

Dez anos é muito tempo para esperar por uma continuação, mas Zumbilândia: Atire Duas Vezes (ou Zombieland: Double Tap, no original) finalmente saiu em 2019. Eu assisti sem esperar que fosse mudar minha vida, e a verdade é que o filme entrega exatamente o que promete: mais regras, mais mortes criativas e aquele humor ácido que a gente já conhece.

Se você curtiu o primeiro, esse aqui é um reencontro com velhos amigos. O diretor Ruben Fleischer conseguiu reunir o quarteto original, o que hoje em dia é um milagre, considerando que todo mundo ali virou estrela de primeiro escalão em Hollywood.

O time de peso e a direção de Ruben Fleischer

O que segura esse filme é a química. Você tem o Woody Harrelson (Tallahassee), o Jesse Eisenberg (Columbus), a Emma Stone (Wichita) e a Abigail Breslin (Little Rock). Ver esses quatro juntos de novo parece natural, sem aquela forçação de barra de sequências que só buscam dinheiro.

O roteiro foca na dinâmica familiar deles, que agora está meio desgastada depois de tanto tempo vivendo em um mundo pós-apocalíptico. Além dos rostos conhecidos, temos a adição da Zoey Deutch, que interpreta a Madison. Ela rouba praticamente todas as cenas em que aparece. Rosario Dawson e Luke Wilson também dão as caras, expandindo um pouco mais esse universo.

Bastidores: trilha sonora, locações e a nota no IMDb

Tecnicamente, o filme mantém o padrão alto. Ele foi rodado principalmente no estado da Geórgia, nos EUA, passando por lugares como Atlanta e Macon. Se você prestar atenção, as locações ajudam a passar aquela ideia de um Estados Unidos abandonado, mas não necessariamente depressivo.

Sobre a recepção e a parte técnica:

  • Data de lançamento: Outubro de 2019.

  • Nota IMDb: O filme segura um 6.7/10, o que é uma nota bem honesta para uma comédia de ação.

  • Trilha Sonora: A curadoria é excelente, misturando o peso de Metallica (Master of Puppets) com o clássico Burning Love, do Elvis Presley. David Sardy assina a composição original.

  • Premiações: Não é um filme de Oscar, claro. Ele circulou mais em premiações de voto popular e técnico, como o People's Choice Awards.

Por que demorou tanto? Curiosidades do filme

Muita gente se pergunta por que levaram uma década para lançar a sequência. O motivo é simples: o roteiro precisava ser bom o suficiente para o elenco aceitar voltar. Eles não queriam manchar o legado do primeiro filme.

Uma das curiosidades mais legais é a introdução dos "T-800", uma nova linhagem de zumbis que são mais rápidos, fortes e difíceis de matar. É uma referência direta ao Exterminador do Futuro. Além disso, fique de olho nos créditos; há uma participação especial que serve como um "prequel" de um dos momentos mais icônicos do primeiro filme, e vale cada segundo da sua atenção.

Vale a pena ver Zumbilândia: Atire Duas Vezes?

Se você quer algo profundo ou uma reflexão sobre a humanidade, procure outro lugar. Agora, se você quer ver o Tallahassee sendo o Tallahassee, piadas sobre as regras de sobrevivência e uma boa dose de sangue cenográfico, esse é o seu filme. Ele não tenta ser maior do que é, e isso é a sua maior qualidade.

O filme é direto, tem um ritmo fluido e resolve bem os arcos dos personagens sem precisar de ganchos mirabolantes para uma continuação forçada. É entretenimento puro para um sábado à noite.