Tá Rindo de Quê? (Funny People )

 

Se você está esperando aquela comédia escrachada de sempre do Adam Sandler, melhor ajustar a expectativa. Eu assisti Tá rindo de quê? (título original: Funny People) e a pegada aqui é outra. O filme, lançado em 31 de julho de 2009, é um projeto bem pessoal do diretor Judd Apatow e mostra um lado do humor que a gente raramente vê: o que acontece quando a piada acaba e a realidade bate na porta.

Um olhar sincero sobre o filme de 2009

A história foca em George Simmons, um comediante muito famoso e rico que descobre uma doença grave. Eu achei interessante como o roteiro foge do clichê dramático barato. Em vez de choradeira, o cara resolve contratar um assistente, o jovem Ira Wright (vivido pelo Seth Rogen), para escrever piadas e ser meio que um companheiro de estrada.

O filme tem uma duração longa, quase duas horas e meia, mas a narrativa flui porque parece uma conversa de bar entre caras que estão tentando entender a vida. Não tem aquele polimento de Hollywood. É cru, é direto e, às vezes, um pouco desconfortável, o que eu considero um ponto positivo para quem gosta de cinema mais autêntico.

O peso do elenco e a direção de Judd Apatow

O elenco é um dos pontos mais fortes. Além do Sandler e do Rogen, temos a Leslie Mann (que é casada com o diretor na vida real), o Eric Bana fazendo um personagem australiano hilário, Jonah Hill e Jason Schwartzman. É quase um "quem é quem" da comédia americana daquela década.

O Judd Apatow, que já tinha feito nome com O Virgem de 40 Anos, aqui decidiu arriscar mais. Ele mistura o humor vulgar com questões existenciais pesadas. No site IMDb, a nota está na casa de 6.6, o que eu acho justo. Muita gente deu nota baixa na época porque esperava ver o Sandler levando uma bolada nas partes baixas, mas o valor desse longa está no que fica subentendido nas entrelinhas.

Trilha sonora e curiosidades dos bastidores

Uma coisa que me chamou a atenção foi a trilha sonora. O filme é recheado de nomes de peso como John Lennon, Paul McCartney, Neil Young e James Taylor. A música dita o ritmo das viagens de carro e dos momentos de solidão do protagonista.

Sobre as curiosidades, tem um detalhe muito legal: as filmagens que aparecem do George Simmons jovem fazendo trotes por telefone são reais. São vídeos do próprio Adam Sandler quando ele dividia apartamento com o Judd Apatow no começo da carreira. As locações de filmagem foram concentradas basicamente em Los Angeles e arredores, na Califórnia, o que ajuda a passar aquela vibe da indústria do entretenimento.

Premiações e por que você deveria dar uma chance

Embora não tenha sido um grande vencedor de Oscars, o filme recebeu indicações em premiações focadas em comédia e escolha do público, como o Teen Choice Awards e o People's Choice Awards. Ele é mais um "filme de culto" hoje em dia do que um blockbuster de premiação técnica.

Se você quer ver um trabalho onde o Adam Sandler realmente atua e entrega uma performance mais sóbria, esse é o caminho. É um filme sobre ego, arrependimento e a dificuldade de manter conexões reais quando você é uma marca global. Sem spoilers, mas o final não tenta te entregar uma lição de moral mastigada, o que eu respeito muito em um roteiro.


Raça e Redenção (The Best of Enemies)

 

Cara, se você curte histórias que mostram o pior e o melhor do ser humano sem firulas, Raça e Redenção (título original: The Best of Enemies) é um daqueles filmes que merecem um espaço na sua lista. Assisti faz pouco tempo e a narrativa me pegou justamente por não tentar ser um "conto de fadas" sobre o racismo, mas sim um relato seco de como interesses comuns podem forçar mudanças improváveis.

Abaixo, organizei os pontos principais pra você entender por que esse filme ainda rende boas conversas.

O que esperar da trama de Raça e Redenção

O filme se passa em 1971, em Durham, na Carolina do Norte. A premissa é simples, mas tensa: uma ativista dos direitos civis, Ann Atwater, precisa sentar na mesma mesa que C.P. Ellis, o líder local da Ku Klux Klan. O objetivo? Resolver a crise de integração nas escolas da cidade após um incêndio em uma escola para crianças negras.

O que eu achei interessante aqui é a abordagem direta. Não há uma tentativa de suavizar quem as pessoas eram. O roteiro foca no processo de "charrette" — uma série de reuniões comunitárias — onde esses dois extremos são obrigados a conviver. É um filme sobre diálogo forçado e como o pragmatismo, às vezes, vence o ódio antes mesmo da empatia aparecer.

O elenco e a direção por trás da obra

Para sustentar um embate desse nível, o peso caiu nos ombros de Taraji P. Henson e Sam Rockwell. A Taraji entrega uma Ann Atwater visceral, sem medo do confronto físico ou verbal. Já o Rockwell, que parece ter se especializado em papéis de personagens problemáticos em processos de mudança, faz um C.P. Ellis contido, o que torna a transição dele mais crível.

A direção é de Robin Bissell, que também assina o roteiro. Este foi o primeiro longa dele como diretor (ele é mais conhecido por produzir Jogos Vorazes), e ele optou por uma estética funcional, sem movimentos de câmera mirabolantes, deixando o peso para os diálogos e para as expressões dos atores.

Ficha Técnica de um olhar rápido:

  • Data de lançamento: 5 de abril de 2019 (EUA).

  • Diretor: Robin Bissell.

  • Elenco principal: Taraji P. Henson, Sam Rockwell, Babou Ceesay e Anne Heche.

  • Nota IMDb: 7.3/10.

  • Premiações: O filme foi indicado a prêmios como o National Board of Review (Top 10 Filmes Independentes) e o NAACP Image Awards.

Bastidores: locações, trilha e curiosidades

A ambientação de 1970 é bem fiel, e isso se deve muito às escolhas de filmagem. Apesar de a história real ter acontecido na Carolina do Norte, as locações de filmagem foram majoritariamente no estado da Geórgia, nas cidades de Atlanta e Macon, que ainda preservam bairros com aquela arquitetura clássica do sul dos Estados Unidos.

trilha sonora ficou por conta de Marcelo Zarvos, um compositor brasileiro radicado nos EUA. Ele seguiu uma linha mais sóbria, usando instrumentos de corda e piano para pontuar a tensão crescente das reuniões, sem tentar ditar o que o espectador deve sentir através de músicas épicas ou exageradas.

Algumas curiosidades rápidas:

  1. O filme é baseado no livro The Best of Enemies: Race and Redemption in the New South, de Osha Gray Davidson.

  2. A amizade entre a Ann e o C.P. Ellis na vida real durou décadas, até a morte dele em 2005. Eles realmente se tornaram amigos próximos.

  3. Sam Rockwell hesitou em aceitar o papel no início, pois já tinha interpretado personagens racistas antes e não queria ficar estigmatizado, mas mudou de ideia pela complexidade da redenção do personagem.

Vale a pena assistir hoje?

Se você busca uma análise técnica sobre relações humanas e contexto histórico, vale muito. Não é um filme de ação, é um filme de conversa e de micro-expressões. Ele não tenta esconder as partes feias da história e foca em como a necessidade de sobrevivência de uma comunidade pode quebrar barreiras que pareciam intransponíveis.

É um relato direto, masculino na sua crueza e sem o sentimentalismo barato que costuma acompanhar produções desse gênero. Se você gosta de ver bons atores em um "duelo" de interpretação, vai gostar desse aqui.