Aliados (Allied)

 

Se você gosta de uma boa história de espionagem que não se resume a explosões gratuitas, Aliados (Allied) é um filme que merece sua atenção. Assisti ao longa recentemente e a sensação é de estar diante de um suspense clássico, daqueles que prendem pelo que não é dito. O diretor Robert Zemeckis, o mesmo de Forrest Gump, entrega aqui uma obra tecnicamente impecável e com um clima de desconfiança que dita o ritmo do início ao fim.

O que você precisa saber sobre a produção de Aliados

O filme, lançado mundialmente no final de 2016, traz Brad Pitt como Max Vatan, um oficial da inteligência canadense, e Marion Cotillard no papel de Marianne Beauséjour, uma combatente da Resistência Francesa. A trama começa em 1942, no norte da África, onde os dois precisam fingir que são um casal para cumprir uma missão de alto risco.

O problema — ou o ponto central da história — é que a ficção vira realidade e eles acabam se casando de verdade em Londres. O conflito ganha força quando Max recebe uma notícia que coloca a lealdade de sua esposa em xeque. Com uma nota 7,1 no IMDb, o filme se sustenta muito bem nesse equilíbrio entre o romance e a paranoia da guerra.

A ambientação e os bastidores de tirar o fôlego

Um dos pontos que mais me chamou a atenção foi o visual. Zemeckis não economizou na estética dos anos 40. As locações de filmagem ajudam muito a criar essa atmosfera: as cenas de deserto foram rodadas nas Ilhas Canárias (Espanha), que serviram perfeitamente para simular a Casablanca da época. Já a segunda metade do filme se passa em uma Londres cinzenta e sob bombardeio, o que contrasta bem com o calor do início.

A parte técnica também brilha na trilha sonora, assinada por Alan Silvestri. Ele é um colaborador de longa data do diretor e soube criar um som que acompanha a tensão sem ser invasivo. É o tipo de música que você não percebe que está lá, mas que constrói todo o nervosismo da cena.

Premiações e o reconhecimento da crítica

Embora não tenha sido um fenômeno absoluto de bilheteria, Aliados foi reconhecido pela sua precisão histórica e elegância. O filme recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Figurino, o que faz todo sentido quando você observa o caimento impecável dos ternos do Brad Pitt e os vestidos da Marion Cotillard. É um filme bonito de se ver, com uma fotografia limpa que valoriza cada detalhe da produção.

Para quem busca um roteiro direto, o texto de Steven Knight (criador de Peaky Blinders) faz um bom trabalho. Ele foca no aspecto psicológico: como você lida com a dúvida sobre a pessoa que dorme ao seu lado? Não espere um filme de ação frenética, mas sim um jogo de xadrez emocional.

Curiosidades que fazem a diferença no filme

Sempre gosto de saber o que rolou por trás das câmeras, e esse filme tem alguns pontos interessantes:

  • Treinamento de sotaque: Brad Pitt precisou ralar para conseguir um sotaque francês convincente, já que sua personagem precisava se passar por um nativo em partes da missão.

  • Boatos: Na época das gravações, surgiram muitos rumores sobre um possível romance entre os protagonistas, o que acabou gerando um barulho extra para o marketing do filme, embora nada tenha sido confirmado.

  • Influência clássica: Zemeckis admitiu que se inspirou fortemente no clima de Casablanca (1942), tentando resgatar aquela aura do cinema de ouro de Hollywood.

No fim das contas, Aliados é uma escolha sólida para uma noite de cinema. É um filme maduro, tecnicamente superior à média e que entrega uma história fechada, sem pontas soltas. Se você curte o gênero de guerra com uma pegada mais intimista, vale o play.


Jolt: Fúria Fatal

 

Se você curte filmes de ação que não perdem tempo com firulas, Jolt: Fúria Fatal (ou apenas Jolt, no título original) é uma pedida interessante. Eu assisti recentemente no Prime Video e a premissa é, no mínimo, curiosa. A história foca na Lindy, uma mulher que sofre de um transtorno explosivo intermitente. Basicamente, ela quer moer qualquer um que seja minimamente mal-educado na frente dela. Para não virar uma criminosa, ela usa um colete de eletrodos que dá um choque no próprio corpo toda vez que a raiva sobe. É um "botão de reset" biológico.

O que esperar da história e do elenco

O filme foi lançado em 23 de julho de 2021 e traz a Kate Beckinsale de volta ao gênero que ela domina. Esqueça aquela vibe gótica de Anjos da Noite. Aqui ela está mais "puro ódio controlado". A direção ficou nas mãos da Tanya Wexler, que optou por uma estética bem colorida e acelerada.

O elenco de apoio é pesado. Tem o Stanley Tucci fazendo o papel do psiquiatra da Lindy, o que sempre traz uma qualidade extra para qualquer cena. Além dele, figuram nomes como Bobby CannavaleLaverne Cox e o Jai Courtney. É um time que entrega o que se espera de um longa de ação urbana. No IMDb, a nota está na casa dos 5.6. Não é uma obra-prima do cinema cult, mas cumpre o papel de entretenimento honesto para uma noite de folga.

Bastidores, trilha sonora e locações

A produção não economizou no visual. Embora a trama se passe em uma metrópole genérica, boa parte das filmagens aconteceu em Londres e em Sofia, na Bulgária. Essa mistura de locações dá um ar europeu moderno para as perseguições e lutas.

A trilha sonora, assinada por Dominic Lewis, é carregada no sintetizador e batidas eletrônicas. Combina bem com o ritmo frenético e com a própria eletricidade que o colete da protagonista carrega. Quanto a premiações, o filme passou batido pelos grandes festivais, o que é comum para produções de ação feitas direto para o streaming que focam mais no público geral do que na crítica especializada.

Curiosidades sobre Jolt: Fúria Fatal

Existem alguns detalhes que tornam a experiência de assistir mais rica se você souber o que rolou por trás das câmeras:

  • A Kate Beckinsale fez boa parte das suas cenas de luta, mantendo o preparo físico que ela já exibia em outras franquias de ação.

  • O conceito do colete de choques não é puramente ficção científica, ele explora de forma exagerada algumas terapias de aversão que existem no mundo real.

  • O filme tem um tom de humor ácido que lembra um pouco o estilo de "Adrenalina" (Crank), mas com uma pegada levemente mais estilizada.

Vale a pena dar o play?

Se você busca um filme curto, direto ao ponto e com boas coreografias de porradaria, a resposta é sim. Jolt: Fúria Fatal não tenta reinventar a roda. Ele entrega uma narrativa de vingança com uma protagonista que tem um "defeito" interessante. É o tipo de filme que você assiste para relaxar e ver o circo pegar fogo.

A dinâmica entre a Lindy e o Dr. Munchin (Tucci) é um dos pontos altos, trazendo um pouco de humanidade para uma personagem que passa 90% do tempo querendo quebrar os dentes de alguém. Se você gosta de ver a justiça sendo feita com as próprias mãos (e alguns volts de eletricidade), esse filme é para você.