Uma Cidade Sem Lei (Bunraku)

 

Cara, se você curte aquele visual meio HQ misturado com o submundo dos samurais e um toque de videogame, precisa parar um pouco para olhar Uma Cidade Sem Lei (Bunraku). Eu assisti esse filme outro dia e a estética dele é algo que não sai da cabeça. Não é o tipo de obra que tenta ser realista; pelo contrário, ele abraça o artificial de um jeito muito foda.

Vou te contar por que esse filme merece sua atenção, sem frescura e direto ao ponto.

O que é o projeto Bunraku e quem está no comando

Lançado oficialmente em setembro de 2011 (após rodar alguns festivais em 2010), o filme tem a assinatura do diretor Guy Moshe. O cara decidiu criar um mundo onde armas de fogo foram banidas depois de guerras nucleares. Então, o que sobra? Luta de espadas, punhos e muita coreografia.

O título original, Bunraku, vem de uma forma de teatro de bonecos japonesa, e você percebe isso no cenário. Tudo parece feito de papel dobrado, pop-ups de livros infantis e uma iluminação pesada. É um filme estiloso, focado em quem gosta de artes marciais com uma embalagem de "Graphic Novel".

Um elenco que você não esperava ver junto

Uma das coisas que mais me chamou a atenção foi o peso dos nomes envolvidos. O protagonista é o Josh Hartnett (o Vagabundo), que faz aquela linha durão e silencioso. Do lado dele, temos o Gackt, um astro do J-Rock que interpreta o samurai Yoshi.

Mas o time de coadjuvantes é o que realmente segura a onda:

  • Woody Harrelson: O bartender que serve como mentor.

  • Demi Moore: Em um papel mais melancólico.

  • Ron Perlman: O grande vilão, Nicola, o "Carcereiro".

No IMDb, o filme mantém uma nota na casa dos 6.1. É o típico "clássico cult": a crítica não morreu de amores, mas quem gosta do gênero acaba revisitando sempre pela originalidade visual.

Bastidores, trilha sonora e as locações na Romênia

Mesmo com toda essa cara de metrópole futurista sem nome, a maior parte das filmagens aconteceu em Bucareste, na Romênia. É curioso pensar nisso, já que quase tudo o que você vê na tela foi construído em estúdio para manter aquele aspecto de mundo de papelão e sombras.

A trilha sonora, composta por Terence Blanchard, mistura jazz com elementos eletrônicos e batidas que casam certinho com o ritmo das lutas. Não é uma música que tenta te emocionar de graça, ela está ali para dar cadência aos golpes.

Quanto a premiações, o filme não foi um ímã de Oscars, mas foi indicado em festivais de cinema fantástico e de ação, justamente pelo seu design de produção inovador.

Curiosidades que fazem a diferença

Se você gosta de detalhes técnicos, aqui vão alguns pontos interessantes:

  • Zero CGI barato: O diretor evitou ao máximo usar efeitos digitais genéricos, preferindo efeitos práticos e cenários físicos que parecem dobraduras.

  • Treinamento pesado: O ator Gackt levou o papel muito a sério, fazendo quase todas as suas cenas de luta e trazendo a disciplina marcial japonesa para o set.

  • Sem armas de fogo: O conceito central é respeitado do início ao fim; a ausência de revólveres muda completamente a dinâmica de poder dos vilões.

Uma Cidade Sem Lei é uma experiência visual. Se você quer ver algo que foge do padrão de Hollywood e entrega uma estética de "teatro de bonecos para adultos", vale o play.


Os Camponeses (Chłopi)

 

Assisti a Os Camponeses (The Peasants) recentemente e, olha, o filme é um soco no estômago visual. Se você gostou de Com Amor, Van Gogh, já sabe metade do que te espera, mas a pegada aqui é bem mais visceral e menos "romântica". É uma obra que exige atenção, não só pela história, mas pelo esforço monumental de produção.

Preparei um resumo do que você precisa saber sobre esse filme sem entregar nenhuma surpresa da trama.

O que é o filme Os Camponeses?

O título original é Chłopi e o filme foi lançado oficialmente no final de 2023 (chegando com força aos cinemas e streamings em 2024). A direção é da dupla DK Welchman e Hugh Welchman, os mesmos que revolucionaram a animação com a técnica de pintura sobre óleo.

A história é baseada no livro de Władysław Reymont, que ganhou o Nobel de Literatura. A trama foca em Jagna, uma jovem que vive em uma aldeia polonesa no final do século XIX. O clima é pesado: fofocas, inveja, disputa por terras e um patriarcado que não dá descanso. É um retrato cru de como a sociedade pode ser cruel com quem não se encaixa nos moldes dela.

Elenco, nota e reconhecimento internacional

Mesmo sendo uma animação pintada, o filme usou atores reais para captar cada expressão antes de passar para os pincéis. No elenco, temos nomes como Kamila Urzędowska (que entrega uma Jagna impressionante), Robert Gulaczyk e Mirosław Baka.

Sobre a recepção:

  • Nota IMDb: Atualmente sustenta um sólidos 7.6/10, o que é bem alto para um drama de época estrangeiro.

  • Premiações: O filme foi o representante da Polônia no Oscar e passou por festivais gigantes como o de Toronto (TIFF). Levou vários prêmios de público e crítica em festivais europeus, principalmente pela parte técnica e trilha sonora.

A trilha sonora e as locações que ditam o ritmo

A música desse filme merece um capítulo à parte. Composta por L.U.C. (Łukasz Rostkowski), a trilha mistura folclore polonês com uma energia moderna que dita o ritmo das estações do ano. É ela que faz você sentir a tensão das festas da aldeia e a melancolia do inverno.

As "locações" de filmagem, na verdade, foram estúdios na Polônia, Sérvia, Lituânia e Ucrânia. Os atores filmaram tudo em sets reais e, depois, uma equipe de mais de 100 pintores transformou cada frame em uma tela a óleo. O resultado é uma profundidade de campo que o CGI dificilmente consegue replicar com tanta alma.

Curiosidades sobre a produção de Chłopi

O que mais me impressionou foram os números por trás das câmeras. Se você acha que editar um vídeo dá trabalho, imagina isso aqui:

  • Pintura manual: Foram necessárias mais de 40.000 pinturas a óleo para concluir o filme.

  • Tempo de trabalho: A produção levou anos. Cada segundo de filme exigia dias de trabalho dos artistas plásticos.

  • Estilo artístico: Enquanto Van Gogh seguia o estilo de um único artista, Os Camponeses se inspira no movimento da "Jovem Polônia", com cores mais vibrantes e uma iluminação que lembra quadros de mestres do realismo.

Se você busca um filme que foge do óbvio e quer ver algo que é, literalmente, uma obra de arte em movimento, Os Camponeses é a escolha certa. É denso, bonito de ver e te faz pensar bastante sobre comportamento humano.