Goat

 

Sabe quando você vê um trailer e pensa: "Isso tem potencial para ser bizarro ou genial"? Foi exatamente o que senti com GOAT, (Him no original). Eu, que curto um bom drama esportivo, mas não dispenso uma reviravolta de terror psicológico, me vi fisgado pela premissa desse filme. Ele não é apenas sobre futebol americano; é uma mergulho sombrio no custo da obsessão masculina pela excelência.

Eu assisti e confesso: saí do cinema com a cabeça fervendo. A produção, que tem a mão do mestre moderno do terror, Jordan Peele, entrega uma atmosfera opressiva que te faz questionar até onde vai a sanidade de um ídolo. Se você está procurando algo que fuja do óbvio e explore o lado mais obscuro da adoração de heróis, este é o filme.

Qual é a verdadeira história por trás de GOAT?

Lançado mundialmente em 19 de setembro de 2025, o filme tem uma história curiosa sobre seu nome. O título original é apenas Him, mas em muitos mercados, inclusive no Brasil, ele foi lançado como GOAT (acrônimo para Greatest of All Time, ou "O Melhor de Todos os Tempos") para capitalizar sobre o termo esportivo. No IMDb, a nota tem oscilado em torno de 6.7, o que reflete uma obra que divide opiniões, mas não deixa ninguém indiferente.

A direção ficou a cargo de Justin Tipping, conhecido por seu trabalho em Kicks. Tipping consegue equilibrar a estética visceral do esporte com a claustrofobia do horror psicológico. O enredo acompanha Cameron Cade (Tyriq Withers), um quarterback promissor que, após uma lesão brutal, aceita o convite para treinar no complexo isolado de seu maior ídolo, Isaiah White, interpretado de forma surpreendente por Marlon Wayans.

O elenco de GOAT realmente convence?

Este é o ponto que mais me surpreendeu. Marlon Wayans, famoso por suas comédias escrachadas, entrega aqui o papel mais desafiador de sua carreira. Ele vive Isaiah White como um veterano obcecado, cujo carisma se transforma em algo sinistro e manipulador. Você consegue ver o peso da fama e da idade no físico dele (ele ganhou massa muscular especificamente para o papel), criando uma presença intimidadora na tela.

Ao lado dele, temos o jovem Tyriq Withers, que segura bem a barra como o pupilo que vê seu sonho virar um pesadelo. O elenco conta ainda com Julia Fox e Tim Heidecker, este último vivendo o agente de Cameron, Tom, um personagem que adiciona uma camada de cinismo sobre o negócio do esporte. É um elenco coeso que ajuda a sustentar a tensão crescente.

Onde o filme foi rodado e quais são os segredos da produção?

A locação principal do filme é um espetáculo à parte. A maior parte das filmagens ocorreu em Albuquerque, no Novo México. O complexo de treinamento isolado de Isaiah White foi construído para parecer um santuário de poder e mistério, cercado pelo deserto vasto e hostil, o que acentua a sensação de que não há para onde fugir. Algumas cenas externas foram filmadas até no Spaceport America, dando um ar quase futurista e cultista ao santuário do "GOAT".

Uma das maiores curiosidades é que o roteiro original, escrito por Zack Akers e Skip Bronkie, apareceu na famosa Black List de 2022 (uma lista dos melhores roteiros não produzidos de Hollywood). 

Qual é a minha crítica honesta sobre o filme?

Sendo bem direto: GOAT é um soco no estômago da cultura de adoração de ídolos esportivos. O conceito aqui é o da resiliência levada ao extremo, da ideia de que para ser "O Cara", você tem que sacrificar sua humanidade. O filme não tem medo de ser violento e perturbador em sua parte final, o que pode afastar os mais sensíveis.

Minha única ressalva é que, no meio do segundo ato, o ritmo fica um pouco arrastado, focando demais nas provações mentais sem avançar muito a história. Mas o ato final compensa com uma reviravolta que mistura horror corporal com uma crítica feroz à indústria bilionária do esporte, onde atletas são tratados como mercadoria descartável. É um filme imperfeito, mas corajoso e visceral.

Por que GOAT é o filme que você precisa ver agora?

Se você está cansado de dramas esportivos motivacionais que pregam que "querer é poder", este filme é o antídoto. Ele questiona o custo desse poder e quem realmente lucra com o sacrifício dos atletas. GOAT é um thriller de atmosfera puro, que usa o futebol americano apenas como pano de fundo para explorar a paranoia e a corrupção da alma humana.

Não vá esperando um filme de superação. Vá esperando um mergulho no escuro. Se você curte o estilo de Jordan Peele, vai reconhecer a pegada de crítica social vestida de terror. Apague as luzes e prepare-se para ver o custo real de se tornar uma lenda. Vale cada minuto do seu tempo.




Juventude Transviada (Rebel Without a Cause)

 

Cara, se você gosta de cinema clássico ou simplesmente quer entender de onde vem essa imagem do "rebelde" com jaqueta de couro e cigarro na boca, você precisa assistir a Juventude Transviada. Eu vi esse filme pela primeira vez quando era adolescente e confesso que a intensidade do James Dean me pegou de jeito. É um filme que, mesmo sendo antigo, consegue tocar em feridas que ainda estão abertas na nossa sociedade, especialmente quando falamos sobre o amadurecimento e a dificuldade de encontrar seu lugar no mundo.

Neste texto, vou te contar por que esse filme é tão importante, compartilhar algumas curiosidades de bastidores e dar a minha opinião sincera sobre essa obra-prima. Então, prepara a pipoca e vem comigo nessa viagem no tempo.

O que torna Juventude Transviada um clássico absoluto?

Lançado em 1955, o filme tem o título original de Rebel Without a Cause (Rebelde Sem Causa), o que já resume bem a premissa. Dirigido pelo mestre Nicholas Ray, o longa é um retrato cru e vibrante da angústia adolescente no pós-guerra americano. Com uma nota de 7.7 no IMDb, ele continua sendo relevante e impactante até hoje.

O elenco é encabeçado pelo lendário James Dean, no papel que o definiu como o ícone cultural da rebeldia. Ao seu lado, temos a talentosa Natalie Wood e o sensível Sal Mineo, formando um trio de protagonistas com uma química inegável e performances que marcaram época.

A locação principal é a cidade de Los Angeles, com destaque para o Observatório Griffith, que serve de cenário para algumas das cenas mais icônicas e tensas do filme. A fotografia colorida em CinemaScope explora as luzes e sombras da cidade, criando uma atmosfera que oscila entre a beleza e a opressão.

Quais são as maiores curiosidades sobre os bastidores e o elenco?

A maior curiosidade, e também a mais trágica, é que James Dean faleceu em um acidente de carro apenas um mês antes do lançamento do filme. Ele nunca teve a chance de ver o impacto estrondoso que sua atuação teve no mundo, o que contribuiu para a mistificação de sua imagem como o eterno rebelde jovem.

Outro detalhe interessante é que Nicholas Ray incentivou a improvisação entre os atores, o que resultou em cenas mais naturais e intensas. Dizem que a famosa cena da faca no observatório foi parcialmente improvisada, aumentando o realismo da tensão entre os personagens.

Além disso, o figurino de James Dean, com a jaqueta vermelha, a camiseta branca e o jeans azul, tornou-se um uniforme simbólico para a juventude rebelde de várias gerações. É um exemplo de como a moda e o cinema se unem para criar ícones visuais poderosos.

Qual é a minha crítica honesta sobre o filme de Nicholas Ray?

Vou ser direto: Juventude Transviada é um filme que me emociona toda vez que assisto. A pegada o aqui é a da fragilidade disfarçada de bravata, lidando com a ausência de figuras paternas fortes e a pressão para se conformar a expectativas sociais. É um filme que não tem medo de explorar a vulnerabilidade dos seus personagens, especialmente a do personagem do James Dean.

A direção de Ray é elegante e ao mesmo tempo visceral, capturando a energia caótica da juventude. As performances são de arrepiar, com destaque para a entrega total de James Dean. A trilha sonora dramática de Leonard Rosenman pontua os momentos de tensão e emoção com precisão.

Por outro lado, algumas cenas podem parecer um pouco datadas para os padrões de hoje, e o ritmo mais lento em alguns momentos pode afastar quem busca ação rápida. Porém, se você curte dramas que exploram a psicologia humana sem pressa, este filme entrega uma experiência cinematográfica densa e inesquecível.

Por que Juventude Transviada ainda ressoa com a juventude de hoje?

Este filme não é sobre heróis ou vilões, mas sobre seres humanos complexos e imperfeitos. Ele trata da necessidade de pertencimento, do medo do fracasso e da busca por identidade em um mundo que parece não te entender. São questões universais que continuam atuais, mesmo que o contexto social tenha mudado.

Se você está cansado das mesmas fórmulas de sempre, apague as luzes, use um bom fone de ouvido e deixe a performance magnética de James Dean te envolver. É cinema puro, feito para te deixar inquieto e pensativo muito tempo depois que os créditos sobem. Vale cada minuto do seu tempo.