Jogo Perverso (Blue Steel)

 

Estava revendo uns clássicos do suspense policial outro dia e parei em Jogo Perverso (Blue Steel, no original). Lançado em 1990, o filme é um exemplar curioso de como se fazia um bom thriller urbano na época. Ele tem aquela atmosfera pesada e cinzenta de Nova York que a gente não vê mais com tanta frequência hoje em dia.

Se você gosta de histórias de "gato e rato", vale a pena entender por que esse filme, dirigido pela Kathryn Bigelow, ainda mantém seu lugar na prateleira dos cinéfilos.

Do que se trata Jogo Perverso (Blue Steel)

A trama foca em Megan Turner, uma policial novata que, logo no seu primeiro dia de patrulha, se envolve em um tiroteio em um mercado. Ela mata o assaltante, mas a arma do criminoso some da cena do crime, roubada por um civil que estava no local. A partir daí, a vida dela vira um inferno, já que ela passa a ser perseguida por esse sujeito, que desenvolve uma obsessão doentia por ela.

O que eu acho interessante aqui é a direção da Bigelow. Antes de levar o Oscar por Guerra ao Terror, ela já mostrava um domínio absurdo de tensão. Ela trata a arma — o metal azul do título original — quase como um personagem vivo, algo frio e perigoso.

Ficha técnica e o peso do elenco

O filme não economiza no talento. Jamie Lee Curtis entrega uma atuação segura, longe do estereótipo de "mocinha em perigo". Ela é uma mulher tentando provar seu valor em um ambiente extremamente masculino e hostil. Do outro lado, temos Ron Silver, que consegue ser genuinamente perturbador no papel do antagonista.

Aqui vão alguns dados diretos para quem gosta de números:

  • Data de lançamento: 16 de março de 1990 (EUA).

  • Direção: Kathryn Bigelow.

  • Elenco principal: Jamie Lee Curtis, Ron Silver, Clancy Brown e Elizabeth Peña.

  • Nota IMDb: Atualmente flutua em 5.9/10, o que, honestamente, acho um pouco injusto pela qualidade técnica da obra.

  • Premiações: Jamie Lee Curtis levou o prêmio de Melhor Atriz no Cognac Festival du Film Policier e no Mystfest.

Bastidores, trilha e o visual de Nova York

Se tem algo que dita o ritmo de Jogo Perverso, é a trilha sonora de Brad Fiedel. Se o nome soa familiar, é porque ele é o cara por trás da música icônica de O Exterminador do Futuro. Aqui, ele usa sintetizadores para criar um clima industrial e claustrofóbico que casa perfeitamente com as ruas de Manhattan.

As locações de filmagem são quase todas em Nova York. O filme aproveita bem a arquitetura da cidade para aumentar a sensação de isolamento da protagonista, mesmo em meio a milhões de pessoas. É aquele visual de metrópole de ferro e concreto que define bem o cinema policial da virada da década de 80 para 90.

Curiosidades que você talvez não saiba

Todo filme dessa época tem boas histórias de bastidores. Separei as que eu acho mais relevantes para entender o contexto de Blue Steel:

  1. Produção de peso: O filme teve Oliver Stone como um dos produtores executivos, o que explica um pouco do tom mais seco e direto da narrativa.

  2. Laboratório real: Para interpretar Megan Turner, Jamie Lee Curtis passou um tempo acompanhando policiais reais em patrulhas para pegar os maneirismos e a postura necessária.

  3. Estética visual: A diretora Kathryn Bigelow é formada em artes plásticas, e você percebe isso na fotografia do filme, que abusa de tons azulados e iluminação de alto contraste.

  4. Título: O termo "Blue Steel" refere-se ao acabamento de aço oxidado azulado comum em revólveres, reforçando o fetiche e a violência que o filme explora.

No fim das contas, Jogo Perverso é um filme que sobreviveu bem ao tempo. Não é um filme de ação frenética, mas sim um suspense psicológico que te deixa desconfortável. Se você nunca viu, ou viu há muito tempo em alguma "Sessão de Gala" da vida, recomendo dar uma chance agora com um olhar mais atento à técnica da Bigelow.


No Vale das Sombras (In the Valley of Elah)

 

Assisti a No Vale das Sombras recentemente e, olha, é aquele tipo de filme que te deixa pensando por um bom tempo depois que os créditos sobem. Se você gosta de uma narrativa mais crua, sem aquele drama exagerado de Hollywood, esse aqui é um prato cheio. O filme, cujo título original é In the Valley of Elah, foi lançado em 2007 e traz uma pegada de investigação que te prende pelo cansaço do protagonista, não por explosões ou perseguições barulhentas.

Vou te contar um pouco sobre o que faz esse filme ser tão sólido, sem entregar nada que estrague a sua experiência.

O time por trás da obra e o peso do elenco

A primeira coisa que me chamou a atenção foi a direção do Paul Haggis. Ele sabe como construir uma tensão silenciosa. No papel principal, temos o Tommy Lee Jones, que entrega uma atuação absurda como um veterano da polícia militar aposentado. O cara é seco, metódico e não desperdiça palavras. É o tipo de papel que rendeu a ele uma indicação ao Oscar de Melhor Ator, e com total justiça.

Ao lado dele, a Charlize Theron faz uma detetive que ajuda na busca pelo filho do protagonista, que desapareceu logo após voltar do Iraque. A química entre os dois não é romântica, é de trabalho, de cansaço mútuo com o sistema, e isso funciona muito bem. Ainda temos a Susan Sarandon fechando o trio principal. O IMDb dá uma nota 7.1, o que eu considero até baixo pela qualidade da entrega técnica e emocional do elenco.

A atmosfera sonora e os cenários desoladores

A trilha sonora ficou nas mãos do Mark Isham. Não espere músicas épicas; o som aqui é melancólico, minimalista, servindo apenas para pontuar a solidão daquela busca. É o tipo de música que você quase não percebe, mas que molda o seu humor enquanto assiste.

Sobre as locações, o filme foi rodado em grande parte no Novo México, em lugares como Albuquerque e Santa Fe, além de algumas cenas no Marrocos. Essa escolha foi certeira. A paisagem é árida, meio desbotada, o que combina perfeitamente com o sentimento de desolação do pai que está tentando montar o quebra-cabeça sobre o que aconteceu com o filho. O cenário é praticamente um personagem à parte na história.

Curiosidades e os bastidores da produção

Uma coisa que muita gente não sabe é que a história é inspirada em fatos. O roteiro foi baseado em um artigo de Mark Boal chamado "Death and Dishonor", sobre o assassinato de um soldado que tinha acabado de voltar da guerra.

  • O título In the Valley of Elah faz referência ao local bíblico onde Davi enfrentou Golias. É uma metáfora bem direta sobre o enfrentamento contra um sistema gigante e aparentemente imbatível.

  • O filme não foi um sucesso estrondoso de bilheteria na época, mas ganhou muito respeito da crítica pela forma como abordou o estresse pós-traumático dos soldados sem ser panfletário.

  • Muitos dos figurantes que aparecem como soldados no filme eram veteranos de verdade, o que traz uma camada extra de realismo para as cenas na base militar.

Por que você deveria dar uma chance a esse filme

Se você está procurando algo para assistir que fuja do óbvio, No Vale das Sombras é a escolha certa. É um filme de "homem comum" resolvendo problemas complexos com paciência e observação. Não tem herói invencível aqui, só pessoas tentando lidar com as marcas que a vida e as escolhas profissionais deixam nelas.

A narrativa é fluida, o ritmo é constante e o final... bom, o final te faz encarar algumas realidades bem desconfortáveis sobre a natureza humana e as instituições. É cinema de gente grande, feito de forma direta e sem frescura.


Os Aeronautas (The Aeronauts)

 

Se você curte histórias de superação e um visual que te tira o fôlego, precisa dar uma chance para Os Aeronautas (título original: The Aeronauts). Assisti ao filme recentemente e o que mais me chamou a atenção foi a forma como eles transformaram uma expedição científica de 1862 em um thriller de sobrevivência que te deixa grudado na cadeira. A trama foca no meteorologista James Glaisher e na piloto Amelia Wren em uma jornada de balão para bater o recorde de altitude e, de quebra, entender como prever o tempo.

Abaixo, organizei os pontos principais para você entender por que esse filme merece o seu tempo.

Direção e o peso do elenco principal

O filme foi lançado em dezembro de 2019 e tem a direção de Tom Harper, que soube conduzir muito bem a tensão dentro de um espaço minúsculo como a cesta de um balão. Para o papel principal, ele reuniu a dupla Felicity Jones e Eddie Redmayne, que já tinham mostrado muita química em A Teoria de Tudo.

Aqui, eles entregam atuações bem sólidas. O Redmayne faz aquele tipo intelectual obstinado, enquanto a Felicity Jones traz a coragem física necessária para a missão. É interessante ver como os dois personagens, com motivações tão diferentes, precisam se alinhar para não morrerem congelados ou sem oxigênio lá em cima.

Onde a mágica aconteceu e o que ouvimos

A trilha sonora ficou por conta de Steven Price, o mesmo cara que levou o Oscar por Gravidade. Dá para notar essa experiência dele em criar sons que dão a sensação de isolamento e imensidão. A música não tenta te manipular emocionalmente o tempo todo, ela serve mais para pontuar a grandiosidade do céu e o perigo iminente.

Sobre as locações, a produção rodou boa parte na Inglaterra, usando lugares como o Old Royal Naval College em Greenwich, Oxford e a Claydon House em Buckinghamshire. O que achei mais bacana foi que eles não ficaram só no estúdio com tela verde. Muita coisa foi filmada com um balão de verdade para dar aquele realismo que a gente nota na pele dos atores e no movimento da luz.

Notas do público e o reconhecimento da crítica

No IMDb, o filme sustenta uma nota 6.6, o que eu considero justo. Não é uma obra de arte que vai mudar sua vida, mas é um entretenimento técnico de altíssima qualidade. Ele não chegou a levar grandes prêmios nas categorias principais de atuação, mas foi indicado ao Critics' Choice Awards pelos seus efeitos visuais.

A crítica elogiou bastante justamente essa parte técnica. É um filme feito para ser visto em uma tela grande, porque a fotografia realmente impressiona ao mostrar a altitude e a claustrofobia de estar pendurado em uma corda a milhares de metros do chão.

Fatos curiosos que você talvez não saiba

Uma das coisas que mais gera discussão sobre o filme é a precisão histórica. O James Glaisher realmente existiu e realmente fez esse voo histórico. No entanto, na vida real, ele estava acompanhado por outro homem, Henry Coxwell. A personagem Amelia Wren é uma criação fictícia, inspirada em várias mulheres pioneiras da aeronáutica, como Sophie Blanchard.

Outra curiosidade é que a Felicity Jones e o Eddie Redmayne realmente subiram em um balão a 2 mil pés de altura para gravar algumas cenas. Em uma dessas subidas, o balão acabou batendo em algumas árvores no pouso, o que deu um susto real na equipe. Isso explica por que a tensão no rosto deles parece tão autêntica em vários momentos.

Se você busca um filme direto, com uma produção impecável e uma história de aventura que não se perde em sentimentalismo barato, Os Aeronautas é uma excelente escolha para o próximo fim de semana.