John Wick: Um Novo Dia Para Matar (John Wick: Chapter 2)

 

Se você gosta de cinema de ação, sabe que é difícil uma sequência superar o impacto do primeiro filme. Mas, em 2017, John Wick: Um Novo Dia Para Matar (ou John Wick: Chapter 2) chegou para provar que o universo do "Bicho-Papão" era muito maior do que a gente imaginava. Eu assisti ao filme focado na técnica e no ritmo, e o que Chad Stahelski entregou aqui foi uma aula de como expandir uma franquia sem perder a essência.

Neste texto, vou direto ao que interessa sobre essa produção, desde os bastidores até os números que consolidaram o personagem de Keanu Reeves como um ícone moderno.

O time por trás da execução e o elenco

Diferente do primeiro longa, onde dividiu a cadeira com David Leitch, Chad Stahelski assumiu a direção sozinho nesta sequência. O cara veio do mundo dos dublês, então ele sabe exatamente como filmar uma luta sem aqueles cortes frenéticos que escondem a falta de habilidade dos atores. O título original, John Wick: Chapter 2, deixa claro que a história é uma continuação direta, quase sem respiro.

No elenco, além do Keanu Reeves entregando sua melhor forma física, temos retornos importantes como Ian McShane (Winston) e novidades que deram peso à trama:

  • Common como Cassian, um adversário à altura.

  • Ruby Rose fazendo a segurança muda Ares.

  • Riccardo Scamarcio interpretando o vilão Santino D'Antonio.

  • Laurence Fishburne, marcando o reencontro épico com Keanu desde os tempos de Matrix.

Cenários internacionais e uma trilha sonora de respeito

Se no primeiro filme ficamos presos ao submundo de Nova York, aqui a escala aumenta. O filme nos leva para as catacumbas e museus de Roma, na Itália, o que traz uma estética clássica e elegante que contrasta com a violência das cenas. Outras locações incluíram Nova York e partes de Montreal, no Canadá.

Para acompanhar essa jornada visual, a trilha sonora de Tyler Bates e Joel J. Richard é cirúrgica. Ela mistura sintetizadores pesados com batidas que ditam o ritmo das coreografias. É o tipo de som que você coloca para treinar ou dirigir e se sente no controle da situação.

Reconhecimento, notas e premiações

O mercado e a crítica foram generosos, e com razão. No IMDb, o filme mantém uma nota sólida de 7.4, o que é excelente para uma sequência de ação pura. Embora filmes desse gênero raramente apareçam no Oscar, John Wick 2 limpou a área em premiações técnicas e populares:

CategoriaPremiação
Melhor Filme de AçãoGolden Trailer Awards
Melhores DublêsTaurus World Stunt Awards
Melhor Ator em Filme de AçãoNomeação no Critics' Choice Movie Awards

Curiosidades que mostram o esforço real

O que me faz respeitar esse filme é o compromisso com o realismo das cenas de luta. Aqui estão alguns fatos que mostram por que ele parece tão diferente do que vemos por aí:

  • Treinamento intensivo: Keanu Reeves treinou por três meses antes das filmagens. O cara aprendeu judô, jiu-jitsu brasileiro e tiro tático (o famoso "3-gun").

  • 95% de veracidade: Quase todas as cenas de ação foram feitas pelo próprio Keanu. Ele só não fez o que era fisicamente impossível ou envolvia riscos extremos de segurança jurídica para o estúdio.

  • O Lápis: O filme finalmente mostra a lendária história do lápis mencionada no primeiro capítulo. É rápido, brutal e prático.

John Wick: Um Novo Dia Para Matar é um filme sobre consequências. Ele expande as regras daquele mundo de assassinos, mostra que ninguém está acima da "Cúpula" e entrega um final que deixa qualquer um ansioso para o que vem a seguir. É cinema de ação feito por quem entende do assunto, sem firulas e com muita competência técnica.


John Wick 4: Baba Yaga (John Wick: Chapter 4)

 

Eu sempre disse que o cinema de ação se divide em duas eras: antes e depois de John Wick. O quarto filme, que aqui no Brasil ganhou o subtítulo Baba Yaga, é o ponto onde a franquia decide parar de ser apenas um filme de tiro e vira uma obra de arte coreografada. O título original é apenas John Wick: Chapter 4, mas o apelido de "Bicho-Papão" nunca fez tanto sentido quanto aqui.

Vou te contar o que faz esse filme funcionar sem entregar nenhuma surpresa da trama, porque a experiência de ver isso pela primeira vez precisa ser intacta.

Os nomes por trás de John Wick 4 e o elenco de peso

Para entender a qualidade do que está na tela, você precisa olhar para quem está no comando. O diretor continua sendo Chad Stahelski, um cara que começou como dublê e sabe exatamente como filmar uma luta sem aqueles cortes frenéticos que deixam a gente tonto. Ele trata a ação como se fosse um balé, mas com pólvora.

O elenco é um absurdo. Além do Keanu Reeves, que já se tornou o próprio personagem, temos o retorno de veteranos como Ian McShane (Winston) e o saudoso Lance Reddick (Charon). Mas as adições de peso são o que elevam o nível. O lendário Donnie Yen interpreta Caine, um assassino cego que rouba todas as cenas, e Bill Skarsgård faz o papel do Marquês de Gramont, o vilão que você adora odiar. Ainda temos Hiroyuki Sanada, que traz toda aquela aura de mestre samurai que a gente respeita.

Onde o mundo queima e o som da destruição

Uma das coisas que mais me impressionou foram as locações. O filme não fica preso em um beco escuro de Nova York. John viaja o mundo e a fotografia aproveita cada centímetro de lugares como ParisBerlimOsaka e as paisagens desérticas da Jordânia. Cada cidade tem uma cor e um estilo de luta diferente, o que impede o filme de ficar repetitivo, mesmo com quase três horas de duração.

Para acompanhar toda essa jornada visual, a trilha sonora de Tyler Bates e Joel J. Richard volta com força total. É aquele sintetizador pesado que te deixa no clima de "alguém vai apanhar agora". A música dita o ritmo das batidas e dos tiros de uma forma que poucas franquias conseguem fazer hoje em dia.

Números e prêmios que mostram o sucesso do filme

Se você é fã de estatísticas, os números de John Wick 4 são bem sólidos. No IMDb, o filme mantém uma nota respeitável de 8.2, o que é raríssimo para o quarto filme de qualquer franquia. Geralmente a qualidade cai com o tempo, mas aqui parece que eles finalmente acertaram a mão em tudo.

Sobre premiações, o filme foi muito reconhecido em categorias técnicas e de ação, vencendo prêmios no Saturn Awards e recebendo várias indicações no Critics Choice Awards. Ele foi lançado oficialmente em 24 de março de 2023 e, desde então, é citado como um dos melhores, se não o melhor, filme de ação da década.

Curiosidades que você precisa saber sobre a produção

Existem alguns detalhes de bastidores que tornam a experiência de assistir ainda melhor. Por exemplo, o Keanu Reeves treinou pesado por meses para usar nunchakus e fazer as manobras de carro em Paris. Dizem que ele mesmo fez a maioria das cenas de direção perigosa no Arco do Triunfo.

Outro ponto interessante é que o roteiro original era muito maior, mas o Keanu preferiu cortar as falas do seu personagem. Em quase três horas de filme, ele fala apenas cerca de 380 palavras. Ele entendeu que o John Wick se expressa melhor com as mãos (e com armas) do que com discursos. Além disso, o personagem de Donnie Yen foi adaptado a pedido do próprio ator para fugir dos clichês de "mestre chinês" e ganhar um visual mais moderno e estiloso.

Se você gosta de cinema que respeita a inteligência do espectador e entrega o que promete, esse filme é obrigatório. É direto, seco e tecnicamente impecável.