A Grande Muralha (The Great Wall) (長城)

 

Sempre tive curiosidade com filmes que tentam misturar história real com fantasia pura. Recentemente, resolvi rever A Grande Muralha (título original: The Great Wall) para entender se ele ainda sustenta o peso de ser uma das maiores produções já feitas na China. Se você espera um documentário histórico, esqueça. O foco aqui é ação visual e monstros, e vou te contar o que achei dessa experiência sem entregar nada da trama.

Por que decidi dar uma chance para A Grande Muralha

O que me atraiu de cara foi o nome do diretor, Zhang Yimou. O cara é um gênio visual, responsável por filmes como Herói e O Clã das Adagas Voadoras. Eu sabia que, no mínimo, o filme seria bonito de ver. Lançado no início de 2017, o longa coloca o Matt Damon no papel de um mercenário europeu que vai até a China em busca de pólvora, mas acaba encontrando algo muito pior do que exércitos inimigos.

A dinâmica entre o Damon e o Pedro Pascal (que hoje em dia está em todo lugar) é o ponto alto para mim. Eles funcionam bem como aquela dupla de guerreiros pragmáticos que só querem sobreviver, mas se veem no meio de uma guerra milenar. O elenco ainda conta com o veterano Willem Dafoe e os astros chineses Jing Tian e Andy Lau, o que dá um peso interessante para a produção.

O visual e a trilha que ditam o ritmo

Uma coisa que notei logo de cara foi a trilha sonora. O responsável é Ramin Djawadi, o mesmo cara que criou o tema icônico de Game of Thrones. Ele consegue dar uma escala épica para as batalhas, misturando percussão pesada com elementos orientais. Isso ajuda muito a manter o clima de tensão, já que o filme não perde muito tempo com diálogos profundos.

Visualmente, o filme é um espetáculo. As armaduras coloridas do exército chinês, divididas por funções, criam um contraste absurdo com o cinza da muralha e o deserto. Tudo foi filmado principalmente nos estúdios da Wanda em Qingdao, na China, e algumas locações na Nova Zelândia. Dá para ver que não economizaram no orçamento, que foi em torno de 150 milhões de dólares.

O que dizem os números e a crítica

Sendo bem direto, o filme não é uma unanimidade. No IMDb, a nota atual é 5.9, o que reflete bem o que ele é: um entretenimento de pipoca honesto, mas sem grandes pretensões intelectuais. Em termos de premiações, ele não levou nenhum Oscar, mas foi indicado a diversas categorias técnicas em premiações de efeitos visuais e som, o que faz total sentido quando você vê as criaturas em tela.

Os monstros, aliás, chamados de Tao Tei, são baseados na mitologia chinesa real. A ideia de que a Muralha foi construída para manter criaturas sobrenaturais do lado de fora é um "e se?" bem divertido, mesmo que o roteiro seja linear e sem grandes reviravoltas.

Curiosidades e fatos que você deve saber

Se você gosta de saber o que rolou por trás das câmeras, aqui vão alguns pontos que achei interessantes sobre a produção:

  • O mais caro: Na época do lançamento, foi o filme mais caro já rodado integralmente na China.

  • Barreira linguística: Matt Damon contou em entrevistas que a comunicação no set era um desafio, com vários tradutores espalhados para que o diretor pudesse orientar o elenco internacional.

  • Treinamento pesado: Os figurantes que interpretam os soldados passaram por meses de treinamento militar para que os movimentos de ataque parecessem coordenados e reais.

  • Controvérsia: Houve uma certa polêmica sobre o "salvador branco" na época, mas o diretor Zhang Yimou sempre defendeu que o papel do Damon era o de um mercenário aprendendo valores com o exército chinês, e não o contrário.

No fim das contas, A Grande Muralha é um filme para quem quer desligar o cérebro e curtir uma estética impecável. É direto, tem boas cenas de combate e não tenta ser mais do que um blockbuster de monstros.


Pequena Grande Vida (Downsizing)

 

Eu estava navegando por esses dias e resolvi rever Pequena Grande Vida (o título original é Downsizing). É um filme de 2017 que muita gente deixou passar batido na época, mas a premissa é daquelas que te faz parar pra pensar por um bom tempo. Imagina que cientistas descobrem uma forma de encolher seres humanos para meros 12 centímetros de altura. O objetivo oficial? Salvar o planeta do colapso ambiental consumindo menos. O objetivo real para a maioria? Fazer o dinheiro render mais e viver uma vida de luxo em comunidades planejadas.

A ideia por trás de Downsizing

O filme é dirigido pelo Alexander Payne, um cara que sabe muito bem como falar sobre crises existenciais de um jeito prático. Ele coloca o Matt Damon no papel de Paul Safranek, um cara comum, meio frustrado, que decide passar pelo processo de encolhimento para ter a vida que nunca conseguiu pagar no tamanho normal. O interessante aqui é que o filme começa como uma ficção científica curiosa, mas logo vira uma sátira social ácida.

Eu gosto de como a narrativa não tenta te vender um sonho. Ela mostra que, mesmo diminuindo de tamanho, os problemas humanos continuam sendo gigantes. No IMDb, a nota dele hoje está na casa dos 5.8. É uma avaliação que divide opiniões, muito porque as pessoas esperavam uma comédia escrachada e receberam algo bem mais reflexivo e, às vezes, até um pouco desconfortável.

Quem faz o filme acontecer: Elenco e Direção

O elenco é pesado. Além do Matt Damon, temos a Kristen Wiig e o sempre excelente Christoph Waltz, que faz um vizinho aproveitador e muito carismático. Mas, pra ser sincero, quem rouba a cena mesmo é a Hong Chau. Ela interpreta uma ativista vietnamita que traz o Paul (e a gente) de volta para a realidade. A atuação dela foi tão boa que ela recebeu indicações ao Globo de Ouro e ao SAG Awards na época como Melhor Atriz Coadjuvante.

O Alexander Payne, que já levou Oscars por Sideways e Os Descendentes, mantém o estilo dele de focar no homem médio. Não espere heróis aqui. O que você vai encontrar são pessoas tentando lidar com as consequências de suas escolhas em um mundo que está mudando rápido demais.

Bastidores, trilha e onde tudo foi gravado

Se você gosta de saber onde as coisas foram filmadas, o filme tem uns visuais bem interessantes. Boa parte das gravações rolou em Toronto, no Canadá, mas as cenas que mostram a natureza imponente (especialmente no final do filme) foram feitas nas Ilhas Lofoten, na Noruega. Aquele contraste do tamanho humano com a imensidão dos fiordes noruegueses ajuda muito a passar a mensagem da obra.

A trilha sonora ficou por conta do Rolfe Kent. É uma música que acompanha bem o ritmo do filme, sem tentar ditar o que você deve sentir, o que eu aprecio. Ela é discreta, mas eficiente, pontuando os momentos de descoberta e as decepções do protagonista com o "mundo pequeno".

Curiosidades que talvez você não saiba

Tem alguns detalhes técnicos e escolhas de produção que achei bem curiosos quando dei uma pesquisada mais a fundo:

  • Preparação do cenário: Para dar a sensação de escala, a produção usou objetos gigantes reais em vez de confiar apenas em efeitos digitais. Isso dá uma textura muito mais real para as cenas onde o Paul interage com coisas do "mundo grande".

  • O tempo de gestação: O diretor Alexander Payne e o roteirista Jim Taylor levaram quase dez anos para tirar o projeto do papel.

  • Premiações: Além do reconhecimento da Hong Chau, o filme foi escolhido pelo National Board of Review como um dos dez melhores filmes do ano em 2017.

  • Sátira política: O filme faz várias críticas veladas à imigração e ao sistema de classes, mostrando que as "muralhas" das cidades pequenas servem para mais do que apenas proteger contra insetos.

No fim das contas, Pequena Grande Vida é um filme sobre perspectiva. Ele não entrega respostas fáceis e foge do clichê de Hollywood. Se você está procurando algo que vá além do entretenimento passageiro e que gere uma boa conversa depois dos créditos, vale o play.