Trinity é o Meu Nome (Lo chiamavano Trinità)

 

E aí, tudo certo? Se você curte um bom faroeste, mas está cansado daquela pegada séria demais e dramática, senta aí que a gente precisa conversar sobre um clássico: Trinity é o Meu Nome (1970).

Eu decidi dar uma olhada geral nesse filme de novo e vou te passar a real sobre por que ele mudou o jogo nos anos 70. Sem frescura, direto ao ponto.

O nascimento de um novo estilo de Western

Lançado originalmente em 22 de dezembro de 1970, o filme chegou com o título original de Lo chiamavano Trinità.... O diretor é o Enzo Barboni (que assinava como E.B. Clucher).

Diferente dos filmes do Sergio Leone, que tinham aquele silêncio tenso e olhares mortais, aqui a pegada é outra. O Barboni decidiu que o faroeste podia ser engraçado. Ele pegou a base do "Western Spaghetti" e misturou com a comédia física, aquela pancadaria de boteco que parece coreografia de dança.

Terence Hill, Bud Spencer e o entrosamento bruto

O que carrega esse filme nas costas é a dupla principal. De um lado, temos o Terence Hill como Trinity, o "mão direita do diabo". Ele é o cara rápido, folgado e que vive sujo, sendo puxado por uma maca puxada pelo cavalo. Do outro, o gigante Bud Spencer como Bambino, o irmão brutamontes que só queria ser deixado em paz para roubar cavalos.

A nota no IMDb hoje gira em torno de 7.4/10, o que é um respeito enorme para uma comédia dessa época. Eles não ganharam grandes Oscars da vida, mas faturaram prêmios de popularidade na Europa, como o Golden Screen na Alemanha, provando que o público amava essa dupla mais que qualquer crítico de cinema.

Trilha sonora marcante e os cenários italianos

Muita gente acha que esses filmes eram rodados no Texas ou no México, mas a real é que a maioria das locações de filmagem foi na Itália, especificamente na região do Lácio e nos estúdios em Roma. Os campos abertos que você vê são os vales italianos simulando o Velho Oeste.

A trilha sonora é um capítulo à parte. Composta por Franco Micalizzi, aquela música de abertura assobiada gruda na cabeça igual chiclete. É o tipo de som que você ouve e já visualiza o Trinity comendo um prato de feijão direto da frigideira.

Curiosidades que você provavelmente não sabia

Para fechar o papo, separei uns fatos curiosos que mostram o esforço por trás da "vadiagem" do personagem:

  • O jejum de Terence Hill: Para a cena clássica onde ele devora uma frigideira inteira de feijão, o ator ficou 24 horas sem comer nada. Ele queria que a fome parecesse real (e foi).

  • Dublês? Quase nada: Bud Spencer e Terence Hill faziam a maioria das suas cenas de briga. O entrosamento era tanto que eles raramente se machucavam de verdade.

  • Sucesso inesperado: Ninguém dava muito pelo filme durante a produção, mas ele se tornou uma das maiores bilheterias da história do cinema italiano na época.

Enfim, Trinity é o Meu Nome é aquele filme essencial para ter no currículo de cinéfilo. É leve, é divertido e não tenta ser mais profundo do que uma bacia de feijão. Se você quer desligar o cérebro e ver uns tabefes bem dados, esse é o caminho.



Melhor é Impossível (As Good as It Gets)

 

Se você curte cinema que bota o dedo na ferida da psicologia humana sem frescura, Melhor é Impossível (As Good as It Gets) é parada obrigatória. O filme, lançado em 1997, é um daqueles clássicos que não envelhece porque foca no que a gente tem de mais complicado: a convivência.

Vou te mandar a real sobre por que esse longa ainda é referência e o que faz dele uma obra prima do gênero comédia dramática.

O Enredo e o Elenco de Peso

O filme gira em torno de Melvin Udall, interpretado por Jack Nicholson. O cara é um escritor de romances de sucesso, mas na vida real é um desastre: tem Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), é preconceituoso, grosseiro e evita contato humano a qualquer custo.

A rotina dele vira do avesso por causa de dois vizinhos e uma garçonete. O elenco é afiado:

  • Jack Nicholson como Melvin Udall.

  • Helen Hunt como Carol Connelly, a única garçonete que consegue aturar o Melvin.

  • Greg Kinnear como Simon Bishop, o vizinho artista que passa por uma fase difícil.

  • Cuba Gooding Jr. como Frank Sachs.

A direção ficou por conta de James L. Brooks, que soube dosar muito bem o humor ácido com os momentos de realidade nua e crua.

Nota IMDb e Reconhecimento da Crítica

Se você se baseia em números para escolher o que assistir, o filme não decepciona. No IMDb, a nota é 7.7/10, o que é um patamar respeitável para uma comédia dos anos 90.

Mas o bicho pegou mesmo nas premiações. Melhor é Impossível foi um fenômeno no Oscar de 1998, levando as estatuetas de:

  1. Melhor Ator (Jack Nicholson).

  2. Melhor Atriz (Helen Hunt).

Não é qualquer filme que consegue dobradinha de atuação principal. Além disso, levou três Globos de Ouro e várias outras indicações. O reconhecimento não foi por acaso; o roteiro é muito bem amarrado.

Trilha Sonora e Locações de Filmagem

A música é um ponto alto aqui. A trilha sonora foi composta pelo mestre Hans Zimmer. Sim, o mesmo cara de Interestelar e O Rei Leão, mas aqui ele entrega algo muito mais intimista e cotidiano. A trilha foi inclusive indicada ao Oscar.

Sobre as locações de filmagem, a história se passa majoritariamente em Nova York, no bairro de Manhattan. Aquela atmosfera de apartamentos apertados, lanchonetes movimentadas e ruas cheias ajuda a construir a sensação de isolamento do Melvin, mesmo cercado de gente. Algumas cenas de "pé na estrada" também foram rodadas em Nova Jersey.

Curiosidades que você provavelmente não sabia

Todo grande filme tem seus bastidores interessantes. Separei alguns pontos que mostram o nível de detalhe da produção:

  • O TOC é real: Jack Nicholson estudou a fundo os comportamentos de quem sofre de TOC. Aquela mania de não pisar nas frestas da calçada ou usar sabonetes novos toda vez que lava as mãos não foi improviso barato, foi técnica.

  • O Cachorrinho: Verdell, o cão da raça Griffon de Bruxelas, foi interpretado por seis cachorros diferentes, mas o principal se chamava Jill.

  • Roteiro Lapidado: James L. Brooks é conhecido por ser perfeccionista. Algumas cenas levaram dezenas de takes para chegar no tom exato de sarcasmo que ele queria.

Melhor é Impossível é um filme sobre como a vida obriga a gente a mudar, mesmo quando a gente quer ficar trancado no nosso mundinho. É direto, sem enrolação e com atuações que você não vê todo dia.